Mesmo fechando ano em crise, indústrias da região não demitem e aumentam produção

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O setor da indústria no Brasil está passando por uma das piores dificuldades econômicas da história. O primeiro semestre de 2014 fechou em queda média nacional de 2,6% em comparação com o mesmo período do ano passado e a previsão para 2015 é ainda pior.

Aqui no Estado de São Paulo, nesse mesmo período, o faturamento real das micro e pequenas indústrias foi de 2,9%. Mas diante desse cenário assustador, empresas daqui da região não tem se abalado e tem mantido o ritmo acelerado tanto na produção, quanto nas vendas.

José Luiz Franzotti, diretor de uma fábrica de refrigerantes em Potirendaba, diz que a indústria está sendo sufocada pelo governo e pouco tem sido feito para incentivar. “O governo da incentivo para entrada de produtos importados e não está tendo atitude para ajudar quem faz mover o país que no caso são as indústrias. O que precisamos é uma maior seriedade por parte do governo com a administração do dinheiro público”, diz.

Para driblar essa situação e ajudar empresas industriais da região de São José do rio Preto, o Sebrae São Paulo trouxe no mês passado para a cidade uma palestra com um dos mais conhecidos economistas do país. Samy Dana é professor da fundação Getúlio Vargas e falou sobre estratégias para competitividade das indústrias – cenário e tendências.

“A indústria sofreu muito esse ano. Tivemos um primeiro semestre ruim e um segundo pior. A indústria é a alma do país. Ela é a cadeia produtiva de um país, pois a indústria indo mal, gera menos emprego e consequentemente desenvolve menos o país. O governo precisa retomar a confiança do empresário e fazer com que seja possível produzir no Brasil. Um país que não gosta das suas empresas e dos seus empresários é um país fadado ao empobrecimento pelo menos do ponto de vista econômico”, diz Samy.

O economista prevê que, se a indústria continuar nesse ritmo, o Brasil terá ainda maiores prejuízos, pois será obrigado a cortar gastos demitindo funcionários e consequentemente gerando desemprego. Para sobreviver em meio a essa crise, a dica é inovar no mercado.

“O empresário tem sempre que passar por ajustes. Reduzir gastos e aumentar o lucro. Ele tem que descobrir o que ele faz melhor que os outros para ser competitivo e ser melhor que o concorrente. Quando ele passar por um período ruim, usar isso como experiência para quando melhorar voltar a crescer”, comenta Samy.

Franzotti diz que a fábrica que atualmente emprega 650 funcionários, não demitiu, pelo contrário, contratou mais funcionários por conta do aumento da produtividade. “Hoje estamos com crescimento de 5,03%. A medida que encontramos para driblar essa crise foi usar a criatividade, uma gestão coerente, criação de novos produtos, gastos controlados e principalmente investimento em tecnologia. Consequentemente reduzimos custos e melhoramos a produtividade”, comenta.

Para Jefersson Antônio Lopes, gerente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP), é importante investir em produtividade para se sobressair no mercado. “O Brasil perde muito ainda em produtividade em relação a outros países. Diante desse cenário as empresas terão que fazer pelos meios próprios. Elas vão ter que pegar na produtividade, usar da criatividade para se sobressair. A economia vai depender de vários fatores como político, econômico, então ela vai ter que lutar com as armas dela, por que ficar dependendo do governo não vai dar”, fala.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), o país tem hoje cerca de 5 milhões de indústrias ativas que juntas faturam 6,5 bilhões. O valor poderia ser ainda maior, segundo Samy, se houvesse estímulos do governo. O valor poderia ser ainda maior, segundo Samy, se houvesse estímulos do governo.

(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de novembro de 2014)
(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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