Mesmo com poucos casos de dengue, região intensifica combate após alerta do Ministério da Saúde

Posted by at 11:00 Comments Print

Mesmo começando 2019 com poucos casos de dengue, autoridades de saúde das 12 cidades da nossa região começaram a lição de casa e intensificaram o combate ao mosquito Aedes Aegypti. Isso porque o Ministério da Saúde (MS) emitiu um alerta que este ano todo o país pode enfrentar uma forte epidemia da doença.

O anúncio feito no começo de janeiro afirma que 504 cidades brasileiras estão em risco considerável de sofrer com surtos de doenças provocadas pelo mosquito transmissor da dengue, zika, chikungunya e, eventualmente, a febre amarela.

Foram 5.538 municípios examinados – o que representa 96,2% de todas as cidades brasileiras. O método adotado pelo governo investiga a infestação do inseto em diferentes regiões, o que permite até analisar quais os principais criadouros dele.

Além das 504 cidades que realmente vão mal, outras 1.881 estão em sinal de alerta. Oito delas estão aqui na nossa região.

Uchoa é a cidade da região da Gazeta que já vive epidemia da doença e que foi sinalizada com o alerta pelo MS. A cidade fechou 2018 com 311 casos confirmados da doença e 30 suspeitos.

De acordo com o coordenador da Vigilância em Uchoa, Lucas Balbino, do dia 1º de janeiro até agora 45 casos foram tratados como dengue pelos médicos, porém os laudos estão como inconclusivos devido, segundo ele, a falta de kits de sorologia no Instituto Adolfo Lutz que está impedindo a confirmação da doença.

“Estamos tratando como dengue com base no exame clínico do médico, porém devido à falta destes kits não temos a confirmação para a doença. Nosso trabalho na cidade não para na tentativa de eliminar o mosquito e os criadouros”, explica.

Porém, além de Uchoa, outras sete cidades da nossa região- Potirendaba, Bady Bassitt, Nova Aliança, Ibirá, Tabapuã, Elisiário e Catiguá – também estão com sinal de alerta para a doença. As outras quatro – Cedral, Urupês, Guapiaçu e Novais – com índice satisfatório.

Somando os 45 casos de Uchoa, as 12 cidades de circulação do jornal tem 53 casos de dengue, nenhum de zika e chikungunya. Casos suspeitos estes municípios contabilizam 165 para dengue, dois para zika e nenhum para chikungunya.

Bady Bassitt é a cidade depois de Uchoa com o maior número de casos sendo quatro confirmados até agora. De acordo com o município, uma força-tarefa com 35 agentes de saúde e do Controle de Endemias está sendo realizada.

“Temos 62 casos suspeitos o que nos preocupa, pois será um ano bastante complicado. Como medida estamos com contratações de novos agentes, capacitando os que já temos na cidade e o trabalho não para”, disse a prefeitura em nota.

AÇÕES:

No ano passado Potirendaba teve nove casos confirmados de dengue e outros 64 suspeitos. Este ano a preocupação aumentou e a coordenadoria de saúde decidiu intensificar o trabalho.

Durante 14 dias a Coordenadoria de Saúde da cidade travou uma verdadeira batalha contra o mosquito em toda a cidade. A ação pretende passar um pente fino em todos os bairros.

Segundo a coordenadora de saúde, Sarah Bossolo, o trabalho que já é rotina será intensificado após o alerta do Ministério da Saúde para um ano com um surto em todo o país.

“Estamos bastante preocupados e atentos para este alerta de um possível surto não só da dengue, mas também de zika e chikungunya. Vamos percorrer todos os bairros, todas as casas e travar realmente uma batalha contra o Aedes Aegypti que é o transmissor destas doenças”, explica.

Potirendaba tem apenas um caso positivo de dengue do dia 1º até agora, porém já existem dois casos de dengue notificados aguardando sorologia e também um de zika.

Ao todo são 30 agentes que percorrerão as mais de 6 mil casas dos 18 bairros da cidade até o dia 07/02/2019. Sarah ainda pede a colaboração de toda a população em não só limpar suas casas e não deixar água parada, como também para receber os agentes.

“Esta ação é muito importante para toda a população, pois os agentes trabalharão na fiscalização de focos e conscientização dos moradores. O esforço é para minimizar os criadouros do Aedes, diz.

Nossa reportagem não conseguiu contato com o Instituto Adolfo Lutz sobre a falta kits de sorologia.

PROLIFERAÇÃO:

De acordo com o Ministério da Saúde, no Nordeste o que mais promove os índices de infestação são tonéis, barris, etc. É o que os especialistas chamam de armazenamento de água no nível do solo.

Já no Sudeste, o maior número de depósitos de água parada foi achado dentro dos domicílios. São vasos ou frascos com água, pratos e garrafas retornáveis.

Por fim, as regiões Centro-Oeste, Norte e Sul têm, como ponto fraco no combate ao Aedes aegypti, o lixo. Recipientes plásticos, garrafas PET, latas, entulhos e afins que são jogados fora acabam virando destino das larvas do mosquito.

Com isso, contribuem para a disseminação de dengue, zika e chikungunya. Caso a febre amarela volte a ter um ciclo urbano de transmissão, ela pode se juntar a esse trio.

Até o dia 3 de dezembro de 2018 foram confirmados 241.664 casos de dengue em todo o país, um pequeno aumento em relação ao mesmo período de 2017 (232.372). São 115,9 casos a cada 100 mil habitantes.

A boa notícia é que menos brasileiros morreram dessa infecção em 2018. Foram 142 óbitos, ante 176 no ano passado.

(Reportagem publicada na edição impressa da Gazeta do Interior de janeiro de 2019)

(Foto: Agência Gazeta do Interior)

Destaques Saúde Últimas Notícias , , ,

Related Posts