Menino internado em estado grave faz bombeiros realizarem varredura em barracão abandonado de Potirendaba

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Kaique Silva, de 7 anos, internado no Hospital de Base de São José do Rio Preto, há seis dias, está entre a vida e a morte por causa de uma bactéria que ainda é incerta. Na manhã desta quarta-feira (4), sete homens do Corpo de Bombeiros e duas unidades fizeram uma varredura em um barracão próximo a casa do menino.

A equipe chegou na rua Azílio Botaro, no bairro Vila Scarpelli, por volta das 9h e isolou o local. Os bombeiros usaram máscaras de oxigênio e roupas especializadas para realizar buscas por produtos químicos, radioativos ou tóxicos.

O tenente do Corpo de Bombeiros, Fernando Mançano, explicou que recebeu pedido da prefeitura de Potirendaba para que a varredura no barracão fosse feita. “Por estar abandonado, não será necessário interditar o imóvel. O local está com muita sujeira por dentro, fezes de pombo, mas nenhum tipo de material contaminado ou perigoso foi encontrado”, diz.

A suspeita da prefeitura partiu depois que Kaique começou a apresentar piora no quadro clínico de saúde. Havia a informação de que o menino brincava no barracão e pudesse ter se contaminado com algum tipo produto ou então ter contraído alguma doença através de bactéria.

A tia da criança, Edinalva Ramos da Silva, conta que o menino deu entrada no Hospital de Potirendaba na madrugada da segunda-feira da semana passada, dia 23 de fevereiro, sentindo apenas febre e dor em uma das pernas. Na entidade, ele realizou hemograma e chegou a apresentar sinais de infecção, porém, até então desconhecida.

No dia seguinte a criança voltou a ter dores e febre e voltou ao hospital, onde foi medicada com dipirona e nimesulida. Por conta da dor na perna e da febre, os médicos chegaram a suspeitar de apendicite, porém que foi descartada e ele voltou para casa.

“Ele ficou nesse vai e vem durante cinco dias, cinco vezes, entre hospital e casa. Na quinta-feira de manhã ele disse que estava com coceiras pelo corpo e um monte de mancha começou a aparecer, como se fosse picada de abelhas. Levei ele novamente ao hospital e lá aplicaram dipirona com decadron”, disse Edinalva.

Por conta das manchas avermelhadas, exame de dengue foi feito, mas que também foi descartado. A tia fala que 15 minutos após o medicamento ser aplicado, as manchas do corpo de Kaique foram aumentando e só aí então que ele foi levado para o Hospital de Base.

O menino que não andava e não falava mais foi transferido para o HB entubado na madrugada de quinta-feira. “O que mais me revolta é que eles demoraram muito para mandar o menino pra Rio Preto. Se eles viram que não era de competência deles descobrir a doença do meu sobrinho, porque não encaminharam ele logo pra lá”, questiona a tia.

Edinalva fala ainda que as buscas realizadas no barracão na manhã desta quarta, de nada valeram, pois a criança nunca entrou naquele prédio. “A minha suspeita não é bactéria nenhuma, a minha suspeita é negligência do hospital”, afirma.

No Hospital de Potirendaba, uma das enfermeiras que recebeu nossa equipe pediu até esta quinta-feira, dia 5, para poder formular a resposta ao jornal. A profissional da saúde disse que já tem ciência do caso e que está acompanhando diariamente o quadro clínico da criança.

No HB Kaique permanece internado na UTI, entubado, sedado, em uma área isolada de outros pacientes e corre risco de morte. Até agora os exames que foram realizados no menino apresentaram uma bactéria no sangue que ainda não foi diagnosticada.

Barracão é abrigo de marginais

Segundo a prefeitura de Potirendaba, o barracão onde o Corpo de Bombeiros fez buscas, já tem duas notificações para que uma limpeza seja realizada no local. Por conta da doença até então desconhecida de Kaique, a Coordenadoria de Saúde, Vigilância Epidemiologia e Controle de Vetores trabalham em conjunto com uma linha de investigação de todas as hipóteses de diagnósticos de doenças compulsórias que pode trazer algum dano à saúde da criança.

Em nota, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que estão sendo investigados os locais de possível contaminação que Kaique pode ter passado.

Para o lavrador Jair Maria, o local já poderia ter sido demolido. “Isso aqui só serve de mocó para marginais e já era para ter sido demolido. Vejo toda hora usuários de drogas entrando aqui. Há tanto tempo abandonado, esse prédio não serve para mais nada”, fala.

Por telefone, o proprietário do barracão, Adalberto Delvair Scarpelli, disse que o imóvel está com processo na justiça por conta de compra e venda. Sobre as duas notificações, Scarpelli disse que não foi notificado, apenas assinou autorização de limpeza solicitada pela prefeitura.

(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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