Mãe cobra explicações de morte da filha em Mendonça (SP)

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Uma mãe pede explicações sobre as causas da morte da filha que teria sido enterrada com suspeita de COVID-19 no último dia (27/03/2020), em Mendonça (SP). Seis dias depois o resultado para o vírus deu negativo.

Adriana Aparecida Hoschutz pediu ajuda para a Gazeta para entender as causas da morte da jovem. Ela conta que a filha, Ariane Rhna de Paula Lima, de 23 anos, era albina, tinha depressão e procurava atendimento médico constante por ser asmática. A mulher mora em Barretos (SP) e Ariane morava em Mendonça com um irmão de 10 anos, o marido dela e o ex-marido de Adriana.

“Minha filha começou apresentar os sintomas de COVID-19, no dia 9 de março e no dia 27 ela morreu, sendo que nesse período ninguém da Coordenadoria de Saúde foi monitorar ela. Ela tinha crises de asma muito forte e ia para a UBS, tomava injeção para abrir pulmão, fazia inalação e voltava para casa”, comenta.

Adriana conta ainda que a filha deu entrada na Unidade Básica de Saúde de Mendonça por volta das 4h30, onde sofreu três paradas cardiorrespiratórias. “Na primeira parada eles [médicos] conseguiram fazer ela voltar a respirar, no entanto que tem uma ligação no celular do meu genro por volta das 5h15, porém, depois disso, eu não sei o que aconteceu. Meu genro estava trabalhando e não atendeu o telefone e só depois disso que recebemos a ligação da morte dela”, diz.

Segundo o atestado de óbito, Ariane morreu às 9h27 com causa da morte a esclarecer “aguarda exames; síndrome respiratória aguda grave”. A mãe questiona ainda que a filha teria ficado cerca de cinco horas na UBS, onde ela teria sido entuba, mas não foi transferida para um hospital especializado.

“Eu não pude ver minha filha pela última vez, pois o caixão foi lacrado. Tenho informações de que ela foi enterrada nua, dentro de um saco. É muito triste saber disso e não ter o motivo que a minha filha morreu”, fala a mãe.

A Coordenadoria de Saúde de Mendonça disse em nota que a paciente chegou na unidade com falta de ar, foi enquadrada como Síndrome Respiratória Aguda, e, pelos protocolos vigentes, passou a ser reportada como caso suspeito de coronavírus.

Trecho da nota:

“Após um período de tratamento convencional para asma a jovem teve agravamento súbito do quadro, aceleração cardíaca que culminou com uma parada necessitando manobras de ressuscitação.

Após esta primeira parada enquanto se aguardava a estabilização do quadro para remoção, uma vez que já havia sido solicitada a vaga hospitalar via SAMU, houve nova parada e infelizmente não se teve sucesso, apesar de todos os esforços da equipe de médicos e enfermeiros de plantão.

Diante da constatação do óbito, foram adotadas todas as medidas do protocolo da Resolução número 28 da Secretaria de Estado da Saúde, que se refere ao risco de transmissão viral: coleta de material para exames, cuidados com o embalo do corpo, velório e desinfecção dos locais de atendimento.

A declaração de óbito seguiu o protocolo da Resolução número 32 da Secretaria de Estado da Saúde, apondo-se Síndrome Respiratória Aguda por causa indeterminada e com autópsia suspensa também constante dos protocolos acima.

Caso não estivéssemos em estado de pandemia a mesma teria sido removida para o Serviço de Verificação de Óbito onde seria emitido a causa mortis.

Os familiares presentes com quem convivia a jovem, foram orientados a se manterem em quarentena domiciliar até o resultado do exame colhido.

Em 03/04/2020 foi emitido o resultado com laudo negativo para Corona vírus (caso descartado) o que se por um lado tranquiliza a população quanto a circulação de vírus no município, deixa triste a família por ter sido impedida de chorar a perda de forma mais condigna.

Em nenhum momento esta coordenadoria relatou ser caso confirmado de corona vírus. Não apresentou em público dados privados da paciente ou a expôs de forma não digna e se as medidas tomadas não tivessem sido efetivadas, caso se tratasse de caso confirmado, as consequências poderiam ser de altíssimo risco para toda a sociedade mendoncense.

Foi entregue a pedido da família cópia de toda a documentação constante em prontuário e se divulgados dados pessoais não cabe responsabilidade a esta coordenadoria”, diz a nota enviada pela Coordenadoria de Saúde.

(Foto: Arquivo pessoal)

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