Lula ignora prazo de Moro e negocia apresentação à PF

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Interlocutores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negociavam nesta sexta-feira, 6, com a Polícia Federal a apresentação do petista para o cumprimento da pena de 12 anos e 1 mês de reclusão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá (SP). Lula não se entregou no prazo indicado pelo juiz Sérgio Moro na ordem de prisão expedida anteontem contra o petista. O magistrado, titular da Operação Lava Jato em Curitiba, havia oferecido a Lula a opção de se entregar voluntariamente na sede da PF na capital paranaense até as 17h desta sexta.

O petista permaneceu durante todo o dia no prédio do Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, cercado por correligionários, militantes de movimentos e aliados. A PF ressaltou que a prioridade no cumprimento da ordem de prisão era evitar um confronto. A ideia é que Lula se apresente neste sábado, 7, em “campo neutro”, após uma missa pelo aniversário de 68 anos de Marisa Letícia.

No plano jurídico, a defesa mantém a investida por recursos nas Cortes superiores. O ministro Felix Fischer, relator da Lava Jato no Superior Tribunal de Justiça, impôs novo revés ao negar liminar pedida em habeas corpus preventivo impetrado pela defesa. Os advogados do petista também apresentaram reclamação no Supremo Tribunal Federal para suspender a prisão alegando que os recursos não foram encerrados no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região.

Além da concentração em São Bernardo, outros atos foram protagonizados principalmente pelo Movimento dos Sem Terra (MST), que interditou 45 trechos de rodovias em 15 Estados para protestar contra a prisão do ex-presidente. Militantes contrários à prisão de Lula voltaram a hostilizar jornalistas durante as manifestações na cidade do ABC paulista. Entidades da imprensa repudiaram.

Conhecida a decisão de Lula de não se apresentar à Justiça, advogados do ex-presidente e a direção do PT abriram um canal de negociação com a cúpula da Polícia Federal. O responsável pelo primeiro contato foi o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, que cancelou uma viagem para a Espanha e passou o dia no sindicato. Em nome da PF, as conversas foram lideradas pelo delegado Igor Romário de Paulo. Diante do impasse, ele afirmou que a possibilidade de entrar à força no sindicato era “remota”. “A prioridade é evitar confronto, o que faria inflar ainda mais os ânimos”, disse.

Segundo petistas, por volta das 15h a PF foi informada que Lula não se entregaria em Curitiba, contrariando a ordem de prisão assinada pelo juiz da 13º Vara da cidade, Sérgio Moro. Os emissários do ex-presidente alegaram falta de tempo hábil para viabilizar a viagem. Na verdade, foi uma decisão política. Lula não queria passar a impressão de ter se “curvado” ao juiz Moro e à força tarefa da Lava Jato.

(Agência Estado)
(Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação)

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