Lixões de três cidades da Gazeta estão esgotados e duas delas continuam jogando resíduos mesmo interditados pela Cetesb

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Todos os dias cerca de 10 toneladas de lixo são depositadas de maneira irregular em três cidades de circulação da Gazeta do Interior, fato que gera danos ambientais graves como a contaminação do lençol freático e a degradação do solo. Além de interditados, os lixões destes municípios estão com as suas capacidades esgotadas, conforme relatório divulgado recentemente pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Nossas equipes percorreram os lixões das três cidades da região da Gazeta que estão proibidos enterrar lixo, mas o que pôde ser constatado é que o problema ainda está longe de ser resolvido. Nova Aliança, Uchôa e Tabapuã, cidades com população pequena e com um problema ainda menor para ser resolvido, mas fato que deixa nítido que autoridades têm algo mais importante para fazer do que cuidar do meio ambiente e cumprir leis.

Nossa primeira visita foi no lixão de Nova Aliança. A cidade tem pouco mais de 6 mil habitantes e gera cerca de 120 toneladas de lixo por mês, o que dá uma média de 4 toneladas por dia.

Na última avaliação do Índice de Qualidade de Resíduos (IQR) feita pela Cetesb, o município foi avaliado com a nota 2,6, a pior dos sete municípios inspecionados. Na certificação do Selo Verde e Azul a cidade obteve uma das piores colocações do Estado, ficando em 372ª posição com a nota 7,47.

Segundo o secretário de obras de Nova Aliança, Mauro Bassetti, desde o último dia 1º de junho o lixo da cidade não é mais enterrado na cidade. Bassetti afirma que todo o resíduo é levado para o município de Onda Verde (SP), onde tem um convênio com a empresa Constoreste.

A assessoria de imprensa da Constroeste confirmou a versão de Mauro, mas o que pudemos constatar no local, foi uma vala ainda aberta aparentando estar pronta para receber resíduos, além de muitos urubus. No lixão que fica pouco mais de 2 quilômetros do município, não encontramos nenhuma placa ou impedimento que nos proibissem ter acesso ao espaço.

Nós já começamos a transportar o lixo para Onda Verde e dentro de poucos dias o lixão da cidade não será mais utilizado. Nossa nota passou para 7,7 e estamos nos adequando às exigências e normas da Cetesb”, disse Mauro.

Ainda de acordo com o secretário, a prefeitura paga à empresa R$ 90,00 a tonelada do lixo enterrado, o que da uma média de R$ 10,8 mil mensal.

Seguimos para Uchôa. A cidade com pouco mais de 9 mil habitantes também vive uma situação assustadora. Mesmo com nota 4,5 no IQR, o município continua jogando 3,54 toneladas de lixo por dia em valas ou simplesmente deixando a céu aberto e ainda não tem prazo definido para fechar o lixão.

Urubus, entulho e muito lixo sem enterrar são vistos pelo local com facilidade. Além da proibição de enterrar o material, nossas equipes flagraram ainda montes de resíduos em chamas e bem próximos de um lago. No espaço também não tivemos nenhuma dificuldade em entrar e ainda encontramos um homem recolhendo entulhos de construção.

A diretora de administração e finanças da prefeitura de Uchôa, Mirian Donha Palharini, informou que ainda será aberto um pregão para que empresas disputem a concessão de receber o lixo da cidade. “Ainda estamos dentro do prazo estabelecido pela Cetesb e acredito que o mais rápido possível vamos solucionar esse problema”, disse.

Há 18 quilômetros de Uchôa, chegamos a Tabapuã. O município que tem pouco mais de 11 mil habitantes enterra a maior quantidade de lixo dentre as três cidades. Por dia, o lixão recebe 4,26 toneladas de resíduos, o que dá uma média de quase 130 toneladas por mês.

O que pudemos constatar em Tabapuã é a falta de valas. Por não ter mais onde enterrar o lixo, os caminhões chegam e simplesmente despejam o material a céu aberto, o que aumenta ainda mais o número de urubus e outras aves no local. O município foi avaliado pela Cetesb no IQR com nota 6,3.

Segundo a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), lixões ou aterros sanitários são proibidos em um raio de 30 quilômetros de aeroportos. Catanduva de Tabapuã fica na distância limite de 29 quilômetros.

A assessoria de imprensa da prefeitura de Tabapuã informou através de nota que lamenta que ainda esteja jogando lixo no local, mas que dentro de trinta dias o problema será solucionado. “O processo de licitação ainda está em fase de planejamento e tudo isso deve ser solucionado ainda este mês”, diz trecho da nota.

O gerente regional da Cetesb, Antonio Falco Júnior, diz que os municípios foram notificados e esses os aterros interditados. Foi estabelecido um prazo de trinta dias, mas que nenhuma delas cumpriu. “O que fizemos foi enviar técnico novamente aos locais e notificar as prefeituras pela segunda vez. Havendo persistência, esses municípios começam a ser multados. A única cidade que começou a apresentar solução e que teve melhora na nota foi Nova Aliança”, disse.

O fim dos lixões em 2014 é uma das metas previstas na Política Nacional de Resíduos Sólidos. O principal objetivo da legislação é diminuir o desperdício e também estimular a reciclagem e o reaproveitamento dos dejetos.

(Produção e Reportagem: Luiz Aranha/Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior no mês de julho)

(Fotos: Luiz Aranha e Diogo De Maman)

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