Internar ou não o idoso em uma casa de repouso?

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Informação e diálogo auxiliam na polêmica decisão

A tarefa de decidir se um parente deve ou não ir para uma casa de repouso para idosos pode ser difícil e desgastante para todos os envolvidos. De um lado, o idoso pode encarar a situação com um gesto de abandono e do outro, a família também pode se sentir culpada pela pressão da sociedade. No entanto, é preciso entender que casas de repouso não são necessariamente asilos para onde os mais velhos são levados para passarem o resto da vida sozinhos. Há casas de repouso que podem ser considerados verdadeiros lares, nos quais é possível viver bem, com companhia e cuidados adequados.

Uma pesquisa da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) aponta que 88% dos idosos são independentes para realização atividades básicas como tomar banho, ir ao banheiro, comer, deitar e levantar da cama. Quando se trata de atividades mais complexas, 85% dos idosos conseguem usar algum meio de transporte, cuidar do próprio dinheiro, fazer compras e preparar refeições. Idosos ativos não precisam se preocupar com cuidados de terceiros e talvez só vão viver em casas de repouso por escolha própria. Caso o idoso não tenha condições de realizar atividades complexas ou mesmo básicas, uma casa de repouso pode ser a opção, desde que a decisão seja tomada após muito diálogo.

Colocar idoso no asilo: uma decisão familiar
Ainda assim, a decisão de hospedar um idoso em uma casa de repouso deve ser bem pensada. Inicialmente, a melhor forma é ouvir a pessoa a ser hospedada, a fim de que a decisão seja tomada em conjunto. A conversa deve, necessariamente, tentar identificar se o idoso tem autonomia para executar atividades diárias, se precisa da companhia de outras pessoas ou se demanda cuidados especiais no geral.

Uma vez revisada a condição do idoso, em diálogo com ele, pode-se partir para outras variáveis. A primeira delas é tentar avaliar se a casa de repouso é a melhor opção no momento. O idoso gosta de morar onde está atualmente? Os parentes são muitos e estão próximos? Há filhos e netos que possam visitá-lo em casa com frequência? A família ou o próprio idoso dispõe de meios garantir saúde, segurança, conforto e bem-estar? Dependendo das respostas, a casa de repouso para idosos pode ser considerada.

Outra etapa do diálogo é perceber se o idoso quer ou se está à vontade para encarar um novo estilo de vida, vivendo relativamente distante da família, mas com todos os cuidados necessários. É importante durante essa conversa garantir que a decisão não é uma atitude de abandono e que também pode não ser uma decisão definitiva. É importante que nenhuma decisão seja tomada sem que o idoso seja ouvido.Parte da conversa passa por traçar as vantagens e as desvantagens de se viver numa casa de repouso

A vida em uma casa de repouso

Entre os aspectos vantajosos, pode-se  destacar segurança, saúde e conforto oferecidos pela infraestrutura do local e pelo trabalho de profissionais especializados como enfermeiros, médicos, nutricionistas e cuidadores. O atendimento emergencial é outra vantagem a ser lembrada. Em uma casa de repouso, o idoso recebe mais atenção do que se morasse sozinho, mesmo com parentes na vizinhança.

Casas de repouso também oferecem atividades diárias que podem ser consideradas como vantagens. São práticas esportivas, culturais e intelectuais que ocupam o tempo dos idosos, evitando o ócio, a ansiedade e a depressão. O convívio com outros hóspedes também é vantajoso. A troca de experiências, os momentos de lazer e até uma boa conversa sobre os velhos tempos ajudam a espantar a solidão.

Entre as desvantagens da vida numa casa de repouso, é necessário lembrar que as atividades cotidianas perdem o sentido. O idoso deixa de cuidar da casa, de ir ao mercado, de preparar a própria comida e tende a perder um pouco da autonomia do dia a dia. Isso gera uma mudança no estilo de vida que pode ser considerada uma desvantagem se o idoso não se adequar bem à nova configuração cotidiana.

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