Interior de São Paulo relaxa quarentena e vírus pode se espalhar em “efeito cascata”

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Sexta-feira, 10 de abril de 2020

Cidades do interior de São Paulo tem relaxado nas medidas de isolamento social em combate ao novo coronavírus. Dados de mobilidade divulgados pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), mostram que as pessoas tem circulado mais e os números de casos confirmados tem aumentado em várias cidades.

Até esta última quinta-feira (09/04/2020), o Brasil já havia registrado 824 mortes e mais de 16 mil pessoas já tinham contraído o vírus. Só no estado de São Paulo, 67 novos óbitos em 24 horas, um recorde.

Com isso, um total de 428 pessoas já morreram no Estado mais populoso do Brasil por causa do novo coronavírus, segundo o levantamento oficial, com 6.708 casos confirmados da doença. Apesar de a cidade de São Paulo ser o epicentro da Covid-19 no Estado e no Brasil, a preocupação do Governador, João Doria (PSDB), vem recaindo nesta semana em cidades do interior, onde as medidas de isolamento social vêm sendo menos efetivas, com registros de maior circulação de pessoas do que na capital.

Segundo os dados de mobilidade analisados pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), o vírus vem chegando a centros regionais fora da capital paulista a partir dos principais eixos rodoviários e têm potencial para atingir localidades nos arredores em “efeito cascata”.

Os pesquisadores da UNESP, que integram o Centro de Contingenciamento do Coronavírus do Estado, se debruçaram sobre vários dados e estudos do IBGE para identificar os principais eixos rodoviários que ligam a capital paulista a outros polos regionais do Estado.

“Na medida que o tráfego aéreo foi interrompido, essa difusão se dá pelo asfalto por esses eixos e num efeito cascata”, explica o professor Raul Guimarães, do Laboratório de Geografia da Saúde na UNESP.

O levantamento identificou 13 municípios de médio porte que são o destino da Covid-19: Araçatuba, Araraquara, Bauru, Campinas, Marília, Piracicaba, Santos, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Sorocaba e Votuporanga.

“Então, para além da metrópole, estão aparecendo casos nesses 13 principais centros e, em seguida, em municípios predominantemente urbanos que tem forte relação com esses centros”, acrescenta Guimarães.

De acordo com o professor Carlos Magno, epidemiologista da Faculdade de Medicina da Unesp (Botucatu), trata-se, em primeiro lugar, de um “modelo hierárquico”, em que coronavírus faz seus principais “saltos” da metrópole para outras cidades a partir desses eixos; e depois, “um modelo de contiguidade”, em que o vírus se espalha para as localidades vizinhas.

A boa notícia diz respeito à velocidade de expansão do coronavírus no Estado, explica Magno. Os indicadores de velocidade mostram que, se antes uma pessoa podia contagiar outros 4,5 indivíduos, essa taxa caiu para 2.

“O isolamento social é até hoje a única medida conhecida para reduzir o número de mortes e de internação”, explica. A curva de crescimento no interior, porém, se encontra “duas ou três semanas” atrasada.

“O isolamento deve ser feito em todo o Estado, não faz sentido decretar em algumas cidades e em outras não”, finaliza.

(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)
(Com informações de Felipe Botim/El País)

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