Greve dos Correios tem adesão de 70% dos trabalhadores, diz federação

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Quarta-feira, 19 de agosto de 2020

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (FENTECT) informou nesta última terça-feira (18/08/2020) que a greve da categoria teve adesão de 70% dos trabalhadores em todo o país. Os funcionários da estatal decidiram cruzar os braços na segunda-feira (17) e por enquanto não há prazo para o fim da greve.

Já os Correios informaram que 83% dos funcionários trabalharam normalmente na manhã desta terça, conforme um balanço realizado pela companhia.

De acordo com a FENTECT, os grevistas são contra a privatização da estatal, reclamam do que chamam de “negligência com a saúde dos trabalhadores” na pandemia e pedem que direitos trabalhistas sejam garantidos.

A entidade afirma que os sindicatos tentam dialogar com a direção dos Correios desde julho sobre estes pedidos, o que, segundo eles, não aconteceu. Alegam que, em agosto, foram surpreendidos com a revogação do atual Acordo Coletivo que estaria em vigência até 2021.

“A Federação ainda reforça que, desde o início da pandemia, foi necessário travar uma luta judicial, em guerra de liminares, para garantir equipamentos mínimos, testagem de trabalhadores e afastamento dos grupos de risco”, informou a FENTECT por meio de nota divulgada nesta terça.

“Essa ação negacionista da empresa expõe não só a vida dos trabalhadores, mas também da população. Prova disso é a quantidade de óbitos e trabalhadores contaminados, a qual a empresa vem se negando a fornecer os dados oficiais.”

Segundo a entidade, houve o registro de “mais de 70 óbitos de trabalhadores da ativa vítimas da Covid-19.”

De acordo com texto publicado no site da federação, “Foram retiradas 70 cláusulas com direitos como 30% do adicional de risco, vale alimentação, licença maternidade de 180 dias, auxílio creche, indenização de morte, auxílio creche, indenização de morte, auxílio para filhos com necessidades especiais, pagamento de adicional noturno e horas extras.”

Em nota, os Correios informaram que “diversas comunicações inverídicas e descontextualizadas” têm sido praticadas pela federação que representa os trabalhadores da companhia e que “nenhum direito foi retirado, apenas (os direitos) foram adequados os benefícios que extrapolavam a CLT e outras legislações, de modo a alinhar a estatal ao que é praticado no mercado.”

“Conforme amplamente divulgado, a diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect, por sua vez, custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período – dez vezes o lucro obtido em 2019. Trata-se de uma proposta impossível de ser atendida”, informou a empresa.

Reclamações contra Correios aumentam 400% no Procon-SP 

De janeiro a julho de 2020 a Fundação Procon-SP já registrou 2.182 reclamações contra a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – Correios, um aumento de 398,58% em relação ao mesmo período de 2019 (564). O principal motivo é o não fornecimento do serviço. 

Fazendo um recorte para o período de pandemia – março a julho 2020 (2.499) – o aumento chega a 514% em relação ao mesmo período do ano passado (407). 

De acordo com as normas estipuladas pelo Código de Defesa do Consumidor, se a prestação de serviço contratada não for cumprida o consumidor tem direito a sua escolha: exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta, apresentação ou publicidade ou rescindir o contrato, com direito à restituição de quantia eventualmente antecipada, monetariamente atualizada, e a perdas e danos.

(Conteúdo: Do G1 e Procon SP)
(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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