Governo ‘mascara’ redução do preço do diesel após greve e donos de postos pensam e parar de vender o produto

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Reportagem publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de junho de 2018

Após o presidente da república, Michel Temer, anunciar o acordo da redução de R$ 0,46 no valor do litro do óleo diesel, postos da região da Gazeta enfrentam dificuldades na compra e venda do produto. Os preços não estão com o desconto e comerciantes estudam em parar de vender diesel.

Na região da Gazeta, o preço do diesel é encontrado a preços variados que giram em torno de R$ 3,899. Antes da greve dos caminhoneiros que travou o país por 12 dias, de acordo com pesquisas da Fundação Procon, o menor preço do diesel encontrado foi R$ 3,599.

De acordo com presidente do Sindicato Comércio Varejista e Derivados Petróleo Estado São Paulo (Sincopetro), Roberto Uehara, os postos ainda estão esperando a diminuição do preço nas distribuidoras.

“O governo determinou a redução de 0,46 centavos, porém se esqueceu que 12% a alíquota do ICMS quem gerencia é o governo do estado. Então não sabemos se o estado  vai reduzir também ou não. Infelizmente tem donos de postos falando em parar de vender o produto, pois a margem de lucro está muito pequena e não paga as despesas”, explica.

É o caso do dono de um posto de Potirendaba, Wilerson Colombo. Ele já preparou os cartazes para poder mostrar ao consumidor quanto era e quanto está o diesel. Ele fala que foi obrigado a diminuir sua margem de lucro para poder cumprir a lei.

“Infelizmente mais uma vez quem vai pagar a conta somos nós donos de postos e os consumidores. Nós porque a margem de lucro é muito pequena e os consumidores porque vou cobrar um preço maior na venda a prazo para poder equalizar as despesas”, comenta.

O comerciante fala que o governo está obrigando os donos de postos a reduzir o preço sendo que não estão recebendo o combustível com o desconto. “Estou aqui com as notas fiscais que eu compro para poder provar o preço que eu pago. Infelizmente vou ter que demitir funcionários e parar de trabalhar com o produto, pois a despesa é muito alta”, afirma.

Antes da greve, Colombo mostra as notas que pagava R$ 3,289 do litro do diesel. Nesta segunda semana de junho, outra nota de compra do produto mostra que o comerciante pagou R$ 2,979 no litro, uma diferença de R$ 0,31.

“Como que vou conceder um desconto de R$ 0,46 sendo que só tive desconto de R$ 0,31? Minha margem de lucro caiu de R$ 0,45 para R$ 0,25 centavos e minhas despesas permaneceram as mesmas. O governo quer que nós paguemos a conta”, alerta.

No dia seguinte a esta entrevista, Colombo realizou a compra de outra carga de diesel e já pagou R$ 2,999 no litro. “O governo garantiu que o preço ficaria estável por 60 dias, porém já tivemos uma diferença de R$ 0,02 centavos e isso no final do mês representa para mim uma perda de R$ 2 mil, pois não podemos repassar o valor para o cliente porque se não estaremos descumprindo a lei”, comenta.

No momento, a indefinição sobre a forma como será aplicada a redução de preços ainda está presente para os donos de postos de combustíveis. “Está todo mundo aguardando ver como fica para poder ter uma reunião. Essa colocação já foi passada tanto pro Ministério Público como para o Procon. A gente também quer saber como de fato isso vai acontecer”, ressaltou Uehara.

A diminuição do preço do diesel era uma das principais reivindicações da greve dos caminhoneiros, que foi deflagrada no dia 21 de maio. A categoria paralisou a prestação de serviços e chegou a bloquear rodovias por todo o país como forma de protesto.

Após a paralisação, uma verdadeira avalanche de aumentos ocorreu em praticamente todos os produtos, principalmente os combustíveis. O litro da gasolina que antes era vendida nas distribuidoras a R$ 3,80, agora é comercializado a R$ 4,16, um aumento de R$ 0,36. O etanol que era vendido por R$ 2,25 agora os donos de postos estão pagando R$ 2,44, uma diferença de R$ 0,19 por litro.

“Não vai diminuir combustível coisa nenhuma. Nós, como sempre, vamos continuar pagando essa conta. Se somarmos os aumentos da gasolina e do etanol temos um aumento de R$ 0,55 nos dois combustíveis e como sempre temos que pagar calados”, fala o comerciante Wilerson.

(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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