Gazeta estreia novo quadro: “Sou a Prova Viva”. Eugênio Tambori, o Sagui de Potirendaba

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Por Luiz Aranha

Um sujeito simples, humilde e com um carisma contagiante. É difícil descrever a pessoa que, com tão pouco, tem tanto a oferecer. A Gazeta do Interior estreou na edição impressa do mês de fevereiro o quadro “Sou a Prova Viva”, onde, cada mês, um personagem de uma cidade é escolhido para ter sua vida retratada nas páginas do jornal.

Eugênio Tambori, Sagui, como popularmente é conhecido em Potirendaba, cidade onde nasceu, tem 59 anos e já recebeu nossa equipe com um largo sorriso no rosto e escoltado de seus fiéis companheiros, os cachorros de estimação. Rosto cansado pelos dissabores da vida, barba por fazer, um sorriso que afirma não ter tido instrução suficiente na vida para poder resolver algumas questões simples dela.

Se comparado a uma história de livro, apesar de sua vida ser um livro, podemos, carinhosamente, ligá-lo ao ilustre personagem de Monteiro Lobato, “Jeca Tatu”. Não pelo fato das doenças, falta de vontade ou ignorância, mas sim, pela imagem do ser legado ao abandono pelo Estado, à mercê de enfermidades típicas dos países atrasados, da miséria e do atraso econômico. Jeca era um caipira de aparência desleixada, com a barba pouco densa, calcanhares sempre desnudos, portanto rachados, pois ele detestava calçar sapatos.

O nosso primeiro personagem mostra este mês uma realidade bem semelhante ao de Monteiro, mas com força de vontade incrível e que, sem dúvida, é a prova viva de que problemas são fáceis de serem resolvidos em sua vida.

Aos sete anos de idade começou a trabalhar em uma padaria já para auxiliar no sustento da família. O menino levava os pães duros que sobravam para comer com café, junto com os pais e os oito irmãos.

O garoto pobre foi crescendo em meio às dificuldades e logo entrou para trabalhar na prefeitura da cidade. Lá ficou 36 anos como gari e conciliou mais 18 em um clube durante a noite. Sagui nunca mediu esforços para lutar por uma vida mais digna. De tanto trabalhar, comprou duas casas, uma em que mora a mãe de 74 anos de idade e que a ele mora atualmente.

Desde pequeno sonhava com uma vida melhor não só para ele, mas para a sociedade. O garoto humilde de pés no chão acreditava, desde pequeno, um dia poder entrar para a vida política.

Coincidência ou não, ele nasceu no dia três de outubro, dia de eleição para presidência e governador no ano de 1954. O dono do cartório em que Sagui foi registrado torcia pelo então candidato ao governo de São Paulo, Carvalho Pinto. Já o pai dele torcia para Jânio Quadros que foi eleito naquele dia.

O pai, por ser fanático por política e pelo candidato, queria que o filho levasse o nome de Jânio, mas o dono do cartório, por ser contra e não gostar de Jânio decidiu mudar por conta própria e registrou o garoto com nome de Eugênio.

Por não saber ler e escrever, o pai do Sagui só foi descobrir que ele tinha sido registrado com nome errado anos mais tarde quando alguém falou para ele o nome que estava na certidão.

Convidado por um amigo, em 1996 Sagui decidiu entrar para vida política. Mesmo só ter cursado até a quarta série, nível máximo de ensino que era oferecido na época, ele sempre prometeu lutar pelo povo com os poucos recursos que tem.

Já se candidatou para vereador cinco vezes, mas nunca foi eleito. Na primeira disputa ele recebeu 110 votos que segundo ele, com apenas mais seis ele se tornaria vereador de Potirendaba.

Com o passar dos anos Sagui foi perdendo eleitores. Em 2000, ele recebeu 86 votos. Quatro anos depois, 36. Em 2008 o número aumentou para 56. Já em 2012, Sagui teve 36 votos novamente. A queda nos números, segundo ele, se deve a quantidade de candidatos que é cada vez maior nas eleições.

Aposentado em 2008 com dois salários mínimos, hoje ele recebe apenas um, pois o outro já foi defasado pelo sistema previdenciário precário do país. Para complementar a renda e para não ficar parado Sagui cata reciclagem. Por mês ele chega a ganhar R$ 200, em média.

Com a gratidão e o coração generoso de um cidadão simples, o ‘amigo Sagui’ diz ser grato aos políticos que o ajudaram nos momentos difíceis com seu pai, já que ele era deficiente visual. Recebendo atendimento médico, remédios e alimentação do município, o gesto de gratidão dele é enorme para quem fez apenas o dever.

Gesto este que comparamos ainda com o nosso querido Jeca Tatu que tomou o medicamento receitado pelo médico, melhorou e se tornou alguém na vida. O médico não fez apenas seu dever, quem fez com que Jeca melhorasse foi à força de vontade dele em ir comprar o remédio, pois como dizia a Baronesa e primeira ministra do Reino Unido, Margaret Thatcher, “Gostaria que você soubesse que existe dentro de si uma força capaz de mudar sua vida, basta que lute e aguarde um novo amanhecer”.

(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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