Funcionária do RH de Bady Bassitt usava três tipos de esquema de desvio de verba da prefeitura

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Através de uma sindicância, a prefeitura de Bady Bassitt confirmou que a funcionária do departamento de Recursos Humanos usava três tipos de esquema de desvio de verba pública. A prefeitura ainda prefere não falar em valores, mas a mulher é investigada desde quando assumiu o cargo em junho de 2009 – nove anos.

Segundo a apuração da Gazeta do Interior, a denúncia partiu depois que um funcionário da prefeitura teve acesso à folha de pagamento do departamento de Recursos Humanos que é encaminhada à tesouraria. No documento, o funcionário descobriu que havia pagamentos de horas extras em excesso para esta funcionária.

Um decreto municipal assinado recentemente pelo prefeito, Luiz Antonio Tobardini, proíbe a realização de horas extras por quaisquer funcionários municipais. O servidor então decidiu questionar o prefeito sobre os pagamentos, pois também queria receber o benefício. Tobardini desconheceu tal pagamento e recomendou a instauração da sindicância.

Três funcionários foram designados para apurar as possíveis irregularidades na sindicância aberta no último dia 03/05. Lilian Margarete Ferreira do Nascimento, presidente da Comissão, fala que a investigação ainda está na fase de levantamento de documentos.

“Solicitamos ao banco a documentação do fluxo da folha de pagamento dos funcionários e já recebemos parte da documentação que comprova o desvio. Faltam seis arquivos que até esta última semana de maio a instituição bancária deve nos fornecer para poder concluir esta parte da investigação”, explica.

Nossa reportagem descobriu também que a mulher alterava as ordens de pagamento dos funcionários que era encaminhada ao banco, desviando assim parte do pagamento dos servidores. Outra possível irregularidade estaria no pagamento de férias, onde desviava também parte do benefício e ficava com outro montante.

Para não levantar suspeitas, o holerite que o funcionário assinava era o mesmo que ia para o banco, porém o holerite que ia para a contabilidade era outro já com o valor alterado. No esquema, ela emitia uma ordem de pagamento onde o banco fazia o depósito do valor desviado direto na conta da funcionária.

“É um grande trabalho de investigação, pois agora vamos ter que conferir os pagamentos que foram realizados para os 700 funcionários do município para ver se os funcionários também foram prejudicados. Até então sabemos que ela desviava do município, porém também precisamos apurar se o funcionário deixou de receber o que era seu por direito”, fala Lilian.

Para poder apurar o caso, o prefeito então decidiu dar férias à funcionária que já estava com férias vencidas e também para não atrapalhar as investigações. Outra possível irregularidade apurada pela nossa reportagem seria que a servidora realizava os serviços através de computadores de sua própria casa, não comparecendo ao serviço.

A Gazeta foi à Polícia Civil para saber se o caso já havia sido registrado, onde confirmou que ainda não existe nenhum boletim de ocorrência contra a funcionária. A chefe da investigação afirma que a advogada do município decidiu reunir toda a documentação para então comunicar a polícia.

“Decidimos encerrar essa parte da sindicância, onde vamos ter toda a documentação em mãos, para então poder registrar o caso e não haver falhas durante o processo”, explica Lilian.

O caso deve ser registrado como peculato onde a pena pode chegar até 12 anos de prisão, além do pagamento de multa e a devolução do dinheiro desviado. A Gazeta vai continuar acompanhando o caso.

(Reportagem publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de maio de 2018)
(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior-arquivo)

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