Festas em “chacrinhas” organizadas por adolescentes passam a ser monitoradas pela justiça

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Uma geração movida à bebida alcoólica, sexo e droga – muita droga. Agora já imaginou isso tudo liberado em festas particulares exclusivas para menores de idade que usam e abusam das infrações como se não existisse punição? Isso não teria fim se não fosse a atuação firme de agentes da Vara da Infância e Juventude de São José do Rio Preto em cidades aqui da nossa região contra as famosas festas em “chacrinhas”.

Estes eventos vêm dominando a região noroeste paulista. Em setembro deste ano, o Juizado da Infância e Juventude invadiu uma delas e o resultado: droga, bebida e o público todo menor de idade. Consequência maior fica para o dono do local que pode até perder o imóvel.

Agentes da Vara da Infância, Polícia Militar e Conselho Tutelar foram até uma dessas chácaras na Estância Jockey Clube, em Rio Preto, onde 16 menores foram identificados. Todos foram levados ao plantão policial e os pais foram chamados.

No local os policiais apreenderam drogas, bebidas, dinheiro da portaria e o mais novo risco à saúde: o solvente. Usuários dissolvem a substância que é usada para remover pintura em bebida e usam como lança perfume, uma droga, segundo eles, de poder alucinógeno maior e mais rápido.

Além dos menores, dois organizadores da festa, sendo um maior e um menor, o DJ e o dono da chácara prestaram esclarecimentos na delegacia e foram liberados. Já um terceiro organizador que teria alugado o imóvel fugiu quando os agentes invadiram o local.

Os encontros são organizados através de grupos de WhatsApp e o local é divulgado, geralmente, poucas horas antes da festa. A regra é que cada um leve o que consome como drogas e bebidas, e o valor da entrada é pago na hora. Os ingressos variam de R$ 10 a R$ 50.

Segundo o juiz da Vara da Infância de Rio Preto, Evandro Pelarin, o proprietário que aluga estas chácaras pode ser o mais prejudicado podendo até perder o imóvel. “Os organizadores respondem criminalmente na apuração infracional administrativa e multa de três a até 30 salários de referência. Mas o mais prejudicado pode ser o dono da chácara, onde já tivemos um caso em que o proprietário que alugou perdeu o imóvel”, diz o juiz.

Ainda de acordo com Pelarin, os proprietários tentam se eximir da responsabilidade alegando que deixou o imóvel para alguém tomar conta e esta pessoa acabou alugando, mas para a justiça não existe desculpa. “Os proprietários só visam lucro, alugando para qualquer pessoa sem contrato, sem o mínimo de respaldo e não é bem assim que funciona. Leis são para serem cumpridas e não podemos permitir esse tipo de evento com crianças e adolescentes, portanto os donos destes locais precisam ser responsabilizados”, explica.

Não é difícil ver festas como estas nas redes sociais. A Gazeta mostrou ano passado que a Companhia de Ações Especiais da Polícia Militar (CAEP) invadiu um destes locais que fica há menos de cinco quilômetros de Potirendaba.

“É HOJE EIM PAPO DE ESTOURO. Comemoração do aniversário do (…)”. Diz uma das publicações no Facebook de um suposto adolescente organizador. Na publicação continha ainda telefones dos adolescentes para mais informações e compra de ingressos.
“1 HORA DE OPEN BAR SÁBADO… SEXTA ‘LEVA’ BEBIDA. MULHER VIP A NOITE TODA. HOMEM 15 ‘REAL’ NO SÁBADO, SEXTA 10. TOP DJ ILUMINAÇÃO. BAR NO LOCAL SÁBADO. PISCINA LIBERADA.”

Após denúncias, a CAEP invadiu a chácara onde acontecia a festa. Ouvidos pela Gazeta, os policiais acreditam que chegaram cedo demais por isso não conseguiram flagrar consumo de bebidas e de drogas.

Um adolescente que não pode ser identificado, conta que festas em chacrinhas acontecem há vários anos nestas pequenas cidades, sempre longe de casas, para não chamar a atenção de autoridades. “Essas festas são o sonho de consumo de qualquer adolescente. Tudo o que é proibido está alí pra nós”, conta.

“Fui buscar minha filha que tem 13 anos em uma destas festas. Chegando lá ela estava só de calcinha, sem roupa no meio de muitos homens. Estava bêbada e aí a trouxemos assim mesmo. Foi muito constrangedor”, afirma uma denunciante que pede para não ser identificada.

“A Guarda Municipal invadiu festa e depois demos uma parada. Agora que estava de boa voltamos a organizar”, conta o jovem.

Para o Conselho Tutelar de Potirendaba pela legislação, crianças com menos de 12 anos os pais respondem judicialmente. “Cada caso é avaliado individualmente pela promotoria, mas todos são encaminhados e eles (pais) podem perder a guarda dos filhos e até ser presos. Acima de 12 anos respondem ato infracional e em reincidência cabe internação do menor”, explica a conselheira, Luana Jorge.

(Reportagem publicada na edição impressa da Gazeta do Interior de outubro de 2017)
(Foto: Colaboração Vara da Infância e Juventude)

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