Falta de médico ginecologista põe em risco a vida de mulheres e gestantes de Potirendaba

Posted by at 6:00 Comments Print

Depender do Sistema Único de Saúde no Brasil já não é fácil, agora imagine depender da saúde pública de uma cidade onde não tem nem médicos ginecologistas e que mães já até perderam seus bebês em banheiro da maternidade? Isso é o que está acontecendo em Potirendaba.

O drama da falta de médicos ginecologistas na cidade tem colocado a vida de mulheres e gestantes em risco. O único profissional que há anos só atendia gestantes, agora passará por uma cirurgia e não tem previsão de retorno.

A aposentada Maria Aparecida Perin, de 63 anos, conta que não consegue se consultar com um ginecologista na cidade há mais de dois anos. “O último médico que eu me consultei foi o Dr. Paulo que foi embora da cidade e não atende mais aqui. Com a quantidade de doença que não para de surgir e que a gente ouve falar, a gente fica preocupada”, diz.

Quem também sofre com a falta do especialista é a telefonista, Rosa Maria do Nascimento. Ela fala que aguarda a realização do exame de papanicolau que é o exame que previne câncer de colo uterino, há um ano e meio. “Uma consulta particular com qualquer médico aqui na cidade é mais de R$ 200 e com o salário que eu ganho jamais conseguiria pagar. Acho que pelo tanto de impostos que pagamos, o mínimo que o poder público deveria oferecer é um médico. Não estamos exigindo cirurgião plástico, apenas um médico de rotina”, explica.

Caso pior ainda é da gestante Rosimere Lopes que está prestes à ganhar o filha e não terá o acompanhamento do médico até o parto. “Eu estou sem saber o que fazer da minha vida. Minha filha está prestes a nascer e fui informada de que o único médico que nos atendia vai passar por uma cirurgia e nós não vamos mais ter o acompanhamento. Caso a gente tenha alguma emergência é para irmos ao hospital”, conta.

Rosimere está à espera da Hemilly Samyra e fala ainda que o parto será feito no Hospital da Criança e Maternidade (HCM), em São José do Rio Preto, pois no hospital da cidade não realiza mais esse tipo de procedimento. “O problema é que a cesárea não foi marcada, eles disseram que quando eu sentir que vai nascer é para eu procurar o hospital de Potirendaba e depois ser encaminhada para o HCM”, fala.

A gestante fala ainda que o retorno que ela teria com o médico ginecologista seria no último dia 5 de dezembro, mas que infelizmente não aconteceu. “O que eu acho engraçado é que no SUS o médico não tem previsão de voltar a atender, mas no convênio minha irmã conseguiu marcar uma consulta para uma amiga dela para o dia 21 deste mês”, explica.

Em janeiro do ano passado a Gazeta do Interior mostrou o caso de Ivanize dos Santos França Pereira que estava grávida de sete meses e perdeu o filho no banheiro do hospital da cidade. A mulher peregrinou por vários dias e noites indo e voltando com fortes dores e contrações na entidade onde era medicada e liberada, até que não aguentou e a criança nasceu morta.

Em nota, a prefeitura da cidade disse que o médico Luiz Carlos Volpi  saiu de licença no último dia 5 onde realizaria uma cirurgia e só retornará em janeiro. Trecho da nota diz que para cobrir esse período foi contratado o especialista Ricardo Miranda de Brito Costa que realizará os atendimentos ginecológicos para as gestantes e para o ambulatório de ginecologia.

Por fim, trecho da nota fala que os atendimentos serão realizados no Posto de Saúde Central das 17h às 19 horas. Nossa produtora ligou no Posto de Saúde para tentar marcar uma consulta e a resposta foi que ainda não tem agenda para 2017. Caso nossa produtora fosse gestante teria que aguardar uma vaga para ser encaixada se houvesse alguma desistência, pois não tem vaga.

(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de dezembro de 2016)

(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

Cidades Destaques Últimas Notícias , , , , ,

Related Posts