Falta de medicamentos em Bady Bassitt deixa pacientes revoltados

Posted by at 6:00 Comments Print

Há séculos que a saúde pública no Brasil é doente. Se não bastasse a falta de médicos, pouca estrutura de atendimento e investimentos do governo, a falta de medicamentos em Bady Bassitt também tem revoltado os pacientes.

Um levantamento feito pela Gazeta junto à farmácia municipal aponta que os quatro principais medicamentos de uso diário estão em falta na cidade. Quem está sofrendo com esse impasse é dona de casa Adriana Soares que tem um irmão de 36 anos com esquizofrenia e necessita de remédios controlados para não ter crises e convulsões.

O rapaz faz o uso de Clonazepam e Carbamazepina que são usados para o tratamento psiquiátrico. Ela conta que pega o medicamento na rede pública de dois em dois meses, mas que está tendo que comprar para não deixar o irmão sem os remédios.

“Nessa última vez que precisei eu fui no Creas, na Assistência Social, no Centro de Saúde e ninguém me dava uma resposta. Fui então falar com o advogado da prefeitura e e disse que são me fornecessem o medicamento, entraria com um processo contra a prefeitura. Esse advogado me falou que se eu fizesse isso, ele não teria como me ajudar. Como eu estava precisando do medicamento, tive que me calar e aceitar”, conta Adriana.

Na procura pelo medicamento no Centro de Saúde, a dona de casa conta que flagrou três vezes os medicamentos que o irmão dela precisa sendo entregue na clínica particular de tratamento para dependentes químicos, Luz do Mundo. “Eu não tenho como provar com fotos ou nada, mas eu vi. Ainda esquinei uma das enfermeiras e ela disse que precisa entregar o medicamento lá por que no local tem pacientes internados compulsoriamente pelo SUS”, diz.

Ela fala que uma caixa de Clonazepam, por exemplo, custa em média, R$ 20 com 30 comprimidos. O irmão dela que não pode ficar mais do que três dias sem tomar os medicamentos, já ficou mais de uma semana sem.

Problema parecido quem tem passado é a aposentada de 79 anos, Josefa de Aguiar Pereira. Ela que toma nove comprimidos por dia, precisa tomar junto o Omeprazol, medicamento bastante usado para quem toma muitos remédios para não prejudicar o estômago.

“Minha sorte que ele custa uns R$ 10 o vidro e pra mim dá pra quase um mês. Se fosse mais caro eu não sei o que faria. Só que falta até AAS Infantil aqui”, fala.

Nossa reportagem levantou que os medicamentos básicos como Dipirona, Omeprazol, Sinvastatina e AAS Infantil são apenas alguns dos que estão em falta.
Segundo a coordenadora de saúde do município, Elisabete Batista de Souza Mendes, existem dois motivos que os medicamentos estão em falta, um por atraso de um pregão e outro pela Fundação para o Remédio Popular (FURP). Ela explica que a empresa que pleiteou o pregão não está conseguindo fabricar alguns medicamentos como o Clonazepam.

“A assessoria jurídica da prefeitura já pediu para a empresa explicações e eles alegaram que não estão conseguindo encontrar o medicamento nos laboratórios para mandar para gente”, diz.

Sobre os medicamentos da FURP, a coordenadora diz que também não estão conseguindo encontrar matéria prima para a fabricação dos remédios como, por exemplo, a Dipirona.

Elisabete afirma ainda que por conta do corte de repasse de verbas de medicamentos, várias cidades da região enfrentam o mesmo problema. A dica recebida pelo próprio prefeito é não comprar o que não vai poder pagar.

Sobre a denúncia da dona de casa Adriana de que medicamentos estão indo para a clínica de recuperação, a assessoria jurídica da prefeitura de Bady Bassitt disse que desconhece a afirmação e que se tiver qualquer denúncia vai abrir sindicância interna para apurar o caso.

(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de outubro de 2014)
(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

Cidades Destaques Últimas Notícias , ,

Related Posts