Falsa segurança dispara número de furtos e roubos a comércios de Potirendaba

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22 guardas municipais, quatro viaturas, coletes a prova de bala, taser, câmeras monitorando entrada e saída da cidade 24 horas e Polícia Militar. Com todo esse esquema de segurança, em um município de apenas 16 mil habitantes, o índice de criminalidade deveria ser zero, mas essa falsa sensação de que a cidade está totalmente segura, começou a ser sentida pela população e principalmente por comerciantes.

Uma onda de roubos e furtos nos últimos dias tem assustado donos de comércios e firmado a tese de que nem tudo está funcionando como deveria. A Gazeta do Interior prova como.

Comércio à noite é um deserto

Nossa equipe de reportagem foi às ruas durante a noite para saber como é o esquema de segurança nas principais vias do centro. O que encontramos foi apenas ruas completamente vazias e por mais de três horas, sem nenhum carro da Polícia Militar ou Guarda Municipal.

A Gazeta saiu na madrugada de sábado, dia 19 de abril, à uma hora da manhã, horário em que o sono da população é o mais pesado e que dificilmente alguém acordaria com algum tipo de barulho. Percorremos a Avenida Achiles Malvezzi, descemos pela Capitão José Oliva, seguimos pela Humberto de Campos, Cónego Theodoro Béa, Maestro Antonio Amato e Barão do Rio Preto sem cruzar com nenhum tipo de ronda policial ou municipal.

Na rua Capitão José Oliva em que é a principal com maior número de comércios e mais sem movimento à noite, nossa reportagem ficou por mais de uma hora e meia parada esperando passar alguma viatura, mas nenhuma foi vista.

Guarda Municipal

A pergunta então seria onde ficam essas viaturas que deveriam zelar pelo patrimônio público e pelo bem maior ainda que é a vida da população. Durante o dia tivemos uma ajuda de um leitor da Gazeta.

Ele que pede para não ser identificado registrou uma agente da Guarda Municipal buscando seu filho e deixando na casa da mãe dela durante um dia da semana. O internauta que enviou a foto através da página da Gazeta na internet conta que esse tipo de serviço com a viatura é realizado todos os dias pela funcionária.

Atualmente com 22 agentes armados com taser, coletes à prova de bala, cassetetes e com qautro viaturas, a cidade deveria ser uma verdadeira blindagem nos quatro quantos, porém não está sendo. Durante à noite, a vulnerabilidade começa pelas ruas do centro, as principais da cidade e onde se concentra, potencialmente, o maior valor econômico do município, ou seja, os comércios.

Crimes

Durante o mês de abril, a Gazeta teve acesso a três furtos e um roubo a comércio no centro de Potirendaba. Dentre as vítimas de furto estão uma loja de celulares da rua Capitão José Oliva, uma loja de antenas da rua Sete de Setembro e uma loja de equipamentos eletrônicos da rua Pedro Garcia Dias, todas instaladas praticamente no mesmo quarteirão.

Outro crime que chamou a atenção da cidade foi o roubo de um posto de combustíveis no centro de Potirendaba. Ladrões chegaram armados, renderam frentista e funcionária e levaram todo o dinheiro do caixa.

Investigação

Na maioria dos casos existem imagens de circuito interno de segurança e que poderiam auxiliar no trabalho de investigação da polícia caso houvesse investigação. A cidade que hoje conta apenas um uma investigadora, mas que se afastará em breve por licença maternidade.

Dos últimos crimes registrados, segundo o delegado de polícia de Potirendaba, Adriano Ribeiro Nasser, todos estão sendo investigados na medida do possível. “Estamos tendo uma demanda grande de ocorrências, mas estamos trabalhando conforme as situações vão acontecendo”, explica.

Central de Monitoramento que não funciona

A Gazeta do Interior mostrou em janeiro do ano passado que a Central de Monitoramento que custou R$ 62 mil não estava funcionando. Alguns dias após a matéria ser publicada na edição impressa do jornal, a prefeitura da cidade contratou uma empresa para consertar o que não estava funcionando, porém, mais de um ano depois, o problema continua igual.

Um levantamento feito pelo jornal apontou que agora apenas as câmeras que ficam no Centro de Eventos e na saída para Nova Aliança estão funcionando. Quem passa ao redor da praça e olha para a Central de Monitoramento, no centro, pode notar que há várias televisões, mas apenas uma com as imagens das câmeras.

Os Guardas Municipais designados para ficarem dia e noite monitorando as telas estão apenas de enfeito, pois o sistema não funciona como deveria. Prova disso são as saídas para Ibirá, Usina de cana-de-açúcar, bairro Água Vermelha, bairro Cana do Reino, Mendonça e Bady Bassitt são vulneráveis e atualmente não estão sendo monitoradas por nenhuma câmera.

Casos que poderiam ter sido esclarecidos caso as câmeras estivessem funcionando é o furto de uma lancha avaliada em R$ 70 mil em plena luz do dia, da garagem de uma casa, no bairro Jardim das Hortênsias. O crime aconteceu no dia 26 de abril. O proprietário chegou a procurar a Central, mas foi informado de que nada estava sendo gravado.

Mesmo as câmeras estando apenas de enfeite, somadas aos Guardas Municipais e a Polícia Militar, a prefeitura diz que a cidade está segura com esse ‘esquema de segurança’, porém, não é o que as estatísticas provam. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP), revelam que o número de furtos e roubos de janeiro a março desse ano aumentou 17% em relação ao mesmo período do ano passado.

Enquanto em janeiro de 2014 na cidade foram registrados apenas nove furtos, esse ano saltou para 21, ou seja, mais que dobrou. Entre roubos e furtos no ano passado foram registrados 35 crimes desses tipos e já esse ano esse número subiu para 41 casos.

O que diz a Polícia Militar

Questionado sobre a madrugada do dia 18 para 19 de abril, o Capitão da Polícia Militar de José Bonifácio, Maurício Marques, afirma que deve haver algum equívoco. “Em consulta aos nossos sistemas inteligentes constatei que durante toda a madrugada a viatura de serviço patrulhou toda a cidade e principalmente o centro. Além disso, atendeu a ocorrências de perturbação do sossego, ameaça e averiguação de estupro”, disse.

O que diz a prefeitura

A prefeitura disse por meio de nota que a ronda na cidade é feita 24 horas por dia e todos os dias da semana e têm como prioridade os patrimônios públicos, ronda escolar, segurança nos eventos públicos, central de monitoramento e ocorrências.

Sobre o transporte de filhos com carros da Guarda Municipal, trecho da nota diz não é permitido este tipo de transporte e que o caso será investigado e se necessário a Prefeitura tomará todas as medidas cabíveis dentro da Lei.

Já sobre a Central de Monitoramento, na semana em que a Gazeta foi às ruas a prefeitura consertou a torre que estava caída na base da PM e as quatro entradas que tem câmeras já estão funcionando. Nesta segunda semana de junho nossa produção foi à Central e conferiu que o sistema está funcionando normalmente. Todos os detalhes você confere na edição deste mês da Gazeta que já está nas bancas.

(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)
(Matéria publica na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de maio de 2015)

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