Falsa médica de Ibirá mandava alunos acompanhar pacientes infartados para S. J. do Rio Preto

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Os relatos de absurdo da falsa médica, Kelly Regiane Queiroz, de 41 anos, que atuava há três meses na Santa Casa de Ibirá não param de aparecer depois que ela foi presa na última segunda-feira (23/10), com CRM falso. Alunos ouvidos pela Gazeta do Interior que tinham ‘aulas’ com a suposta profissional, afirmam que ela mandava eles acompanhar pacientes infartados e chegava a deixar seu carimbo para prescrição e ia dormir.

Kelly foi presa em flagrante em seu consultório na Santa Casa da cidade depois de usar um carimbo com o número de CRM furtado de outra médica em São Paulo. O caso foi mostrado com exclusividade pela Gazeta e ganhou grande repercussão.

Os alunos são do 6º ano de medicina da faculdade Unilago e fazem internato na Santa Casa de Ibirá que é um processo de estágio antes da formação. Para não expô-los, nossa reportagem decidiu não divulgar seus nomes. Um dos alunos relata que durante sua passagem pela Santa Casa ocorreram dois casos de infarto em que Kelly mandou eles acompanharem os pacientes na ambulância até São José do Rio Preto.

“Teve o caso de um senhorzinho bem idoso que estava com metástase pulmonar, saturando muito mal. Ela não ia e queria que a gente fosse, mas como sabemos que não podemos ir, não fomos e o paciente então foi sozinho na ambulância. O segundo foi um moço de 30 anos, com supra no eletrocardiograma (sinal de infarto que ela não sabia o que era), não fez protocolo de infarto (que são as medicações), e acionamos o Samu e os médicos atendentes ficavam assustados com as condutas dela. Nesse caso ela teve que ir, mas ficou muito brava com a gente de ter ligado para o Samu e encaminhado. Ela queria que a gente fosse porque ela não sabia nada”, fala o aluno.

Os alunos contam também que a falsa médica ia dormir e deixava o carimbo com os alunos. “Nós fazíamos tudo sozinhos, até manusear o choque no infarto. Ela receitava medicamentos que eram intramusculares pra inalar ou então passava anti-inflamatório por duas semanas, sendo que não pode passar de cinco dias. Casos absurdos”, dizem.

Questionamos os alunos se o fato dela ficar a maior parte do tempo da consulta mexendo no celular, ela poderia estar pesquisando na internet o que o paciente tinha, eles respondem. “Com toda certeza. Já vimos isso várias vezes e ela tinha vários aplicativos de medicina. Mas quando a gente tava, ela nunca dava a conduta, sempre perguntava pra gente”, falam os estudantes.

“Ela não sabia ver eletro, raio-x, nenhum exame. Ela chegava nervosa com os exames na mão pra gente, porque não sabia o que o paciente tinha. Ela não sabia ver uma simples pneumonia”, relatam.

A diretoria da Santa Casa de Ibirá disse que desconhece os fatos relatados pelos alunos e que a nota oficial já foi passada a imprensa. A faculdade Unilago disse em nota que não possui qualquer vínculo com a falsa médica e que o convênio foi feito com a instituição.

(Foto: Agência Gazeta do Interior)

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