EXPRESSO DO HORROR: Milhares de passageiros pagam caro e sofrem com o transporte coletivo na região

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Tarifas abusivas, sem conforto e correndo risco todos os dias. Essa é a situação dos passageiros que dependem exclusivamente do transporte da nossa região. Acompanhe em matéria especial, como anda esse verdadeiro expresso do horror que transporta, diariamente, milhares de pessoas até São José do Rio Preto.

Por: Diogo De Mamam, Luiz Aranha e Jonas Garcia

├önibus quentes, filas enormes e lotados, muito lotados. Essa é a realidade que se encontram milhares de trabalhadores da RAG (Região de Abrangência da Gazeta). Trabalhadores e usuários que deixam suas cidades, diariamente, para trabalhar na cidade de São José do Rio Preto.

Em Uchôa, cerca de 30 km de Rio Preto, centenas de pessoas utilizam a linha suburbana da única empresa que realiza o transporte coletivo na cidade. R$ 4,10 é o valor pago por viagem, gastando ida e volta R$ 8,20. Levando em consideração apenas os dias úteis, o trabalhador chega a pagar, por mês, R$ 164,00. Valor este que é considerado pelos usuários, uma mensalidade, já que diariamente o trabalhador utiliza o serviço.

Superlotação é a principal queixa dos passageiros que dependem do único meio de transporte entre as cidades. A técnica de enfermagem, Marta Regina Alfredo, de 35 anos, há 12 anos utiliza as linhas suburbanas e que só vai sentada devido ao fato de chegar quase uma hora antes do horário do ônibus partir.

“Eu pego o ônibus as 5h55 e tenho que chegar quase com uma hora de antecedência se quero ir sentada. A outra fila que se forma, é do horário das 5h50, eles chegam depois de nós, porque sabem que eles vão em pé”, comenta.

Carmem Martins, de 42 anos, é copeira em um hotel de Rio Preto. Ela conta que sofre devido aos horários de sábados e domingos, já que trabalha nos finais de semana. “Domingo tem o horário das 5h50, se perder ele, o próximo será só 10h30. Se acontece do patrão dispensar um pouco mais cedo, não adianta nada porque só vou poder voltar às 16h”, fala.

Eder Paulo, 35 anos, também trabalha em uma empresa de Rio Preto. Como os demais, ele também reclama da superlotação e confessa que mesmo sabendo que é proibido viajar atrás da catraca, é um lugar onde ele pode se sentar. “Passo o meio da roleta e fico atrás do painel, isso quando tem um lugarzinho para ficar. Na porta do meio, geralmente, vão duas pessoas em pé no degrau e duas sentadas”, confessa.

Um vereador de Uchôa, desde 2010, já mandou três ofícios para a empresa, um em especial, solicitando novas linhas dos horários. Sem ser atendido, ele juntamente com o prefeito e demais vereadores, pretendem falar pessoalmente com o gerente de tráfego da empresa.

“A quantidade de uchoenses que trabalha em Rio Preto é enorme. Os horários de ônibus, no período da manhã, não suprem a demanda de passageiros, obrigando as pessoas a viajarem em pé e apertadas. Queremos mais alguns horários para dar um pouco mais de conforto às pessoas que utilizam o serviço”, diz o vereador Alexandre Aparecido Rodrigues (PV).

O prefeito de Uchôa, José Claudio Martins (PMDB), espera que a empresa ceda, pelo menos, mais quatro horários para a cidade, trazendo uma melhora no serviço aos trabalhadores. “Acredito que a empresa deveria ter a boa vontade em estar vendo a dificuldade de como essas pessoas são transportadas e se sensibilizar em dar um transporte com mais conforto aos seus usuários”, afirma o prefeito.

Quatro horários de ônibus, no mínimo, essa seria a lógica para amenizar os problemas referentes ao transporte coletivo no município. Pegando o exemplo da cidade de Guapiaçu, segundo o censo 2010, tem 17.872 habitantes.

O itinerário da empresa na cidade é de 44 horários. Uchôa, segundo o censo 2010, tem 9.475 habitantes. Teria que ter 22 horários de segunda a sexta e não 18 como têm atualmente. Se for fazer uma média comparando as duas cidades durante os sete dias da semana, Guapiaçu tem média de 36 ônibus diários, enquanto Uchôa tem média de 15 por dia.

POTIRENDABA: “Sobreviva se puder”

Falta de segurança, ônibus superlotados e poucos horários também são as queixas dos potirendabanos. Com pouco mais de 15 mil habitantes, a cidade tem horários durante todo o dia, mas que não atendem as necessidades dos usuários.

De Potirendaba a São José do Rio Preto são aproximadamente 35 quilômetros. Nossa equipe de reportagem fez o trecho em um dos horários mais caóticos do dia, as 6h45.

Filas gigantescas nos pontos dentro da cidade é rotina encontrar todos os dias. Sentados vão 45 passageiros, em pé, a capacidade permitida, segundo aviso dentro do carro, é de 45 pessoas. O problema é que não cabem 45 pessoas, em pé, dentro do ônibus. Nossos repórteres contaram 38 passageiros, entre eles, crianças de 4 anos sentadas nas escadas do coletivo.

Segundo o advogado e especialista em trânsito, Fernando Fukassawa, um acidente com um ônibus, com aproximadamente 85 pessoas, sem sinto de segurança e em pé, os riscos de ser fatal são muito maiores.

“As pessoas vão espremidas dentro desses ônibus. Não usam sinto de segurança, vão em pé e desconfortáveis. Um acidente com esse tanto de passageiros em pé, o risco de acidente gravíssimo e com pessoas mortas são altíssimos”, explica do advogado.

“Cabe ao Ministério Público acatar denúncias e cobrar judicialmente melhorias das empresas. Os usuários pagam caro e devem ter retorno pelos serviços que pagam”, completa Fernando.

TABAPUÃ: “A viagem sem volta”

Em Tabapuã, o único ônibus que leva a população até a cidade de São José do Rio Preto passa pela cidade às 6h30 sem retorno.

No trajeto que agora leva, em média, apenas seis ou sete pessoas por dia, o ônibus circula pelos pontos da cidade e depois segue para Uchôa, onde, de fato, fica lotado até Rio Preto.

Para quem precisa trabalhar fora, a solução é ir de carro, motocicleta, ou até mesmo utilizar o ônibus e retornar por Catanduva, pegando dois circulares. Um de Rio Preto a Catanduva e outro de Catanduva a Tabapuã.

Para os que trabalham fora do horário comercial a solução é chegar em casa depois da meia noite utilizando o ônibus destinado aos estudantes cedido pela prefeitura. Em alguns casos, pessoas de Tabapuã vão até Uchôa de carro ou moto e de lá seguem viagem com o circular, sabendo que assim os horários de retorno são bem mais flexíveis.

A EMPRESA:

Questionada sobre disponibilizar mais linhas e horários às cidades citadas na reportagem, a empresa Expresso Itamaratí, responsável pelo serviço, informou, em nota, que os horários são estabelecidos de acordo com a demanda de passageiros e se uma determinada linha tem apenas um horário em cada sentido é porque não existe demanda para ampliação da oferta.

Também foi questionado o transporte de passageiros em pé. A empresa alegou que carros lotados – deve ser observado que em linhas de característica “suburbana” pode ser transportado passageiro em pé, porém desde que esteja dentro do limite do Certificado de Vistoria do veículo não configura excesso. Fato provado contrário por nossas equipes.

A empresa informou ainda que quanto ao serviço pode-se afirmar que é de boa qualidade, os carros são novos, com manutenção de acordo com as recomendações do fabricante, o quadro de motoristas é bem treinado e bem preparado.

(Fotos: Diogo De Maman)

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