EXCLUSIVO: Grávida de sete meses peregrina por mais de 24 horas em Hospital de Potirendaba e perde bebê no banheiro da entidade

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Uma mulher peregrinou com dor por mais de 24 horas no Hospital de Potirendaba e acabou perdendo o bebê no banheiro da entidade. A repositora Ivanize dos Santos França Pereira estava grávida de sete meses e acusa a instituição por negligência médica.

O caso aconteceu na última segunda-feira, 19, mas só agora é que a família conseguiu comunicar a imprensa e pedir explicações para a morte da criança. Ivanize conta que começou a sentir fortes dores e contrações na madrugada de domingo para segunda e onde procurou o Hospital de Potirendaba.

Ao fazer a ficha na recepção da entidade, o marido dela, Edvan Gomes Pereira, conta que esperou por quase uma hora para ela ser atendida. “Ficamos lá sentados e ela sentindo dor e esse médico não aparecia. Foi onde eu perguntei se ele estava dormindo e a recepcionista disse que ele estava vindo. Só tinha minha esposa para ser consultada, não tinha mais ninguém sendo atendido”, conta.

O médico que atendeu a mulher, Thiago Tadei Álvares, receitou buscopan à paciente e pediu exame de urina. Edvan pediu para que o médico passasse exame de ultrassom para saber como que estava a criança dentro da barriga, mas o médico disse que não precisava e que ela teria que procurar o ginecologista dela.

Ainda sentindo fortes dores, Ivanize foi na segunda-feira ao Posto Central de Saúde para então ser consultada com o médico ginecologista dela, Luiz Carlos Volpi. A espera também não foi diferente, segundo a mulher, ela era a 11ª para ser consultada com o médico.

Reclamando de dores, ela então pediu por preferência para ser consultada antes, porém esperou por quase duas horas até o momento da consulta. Volpi viu o exame solicitado na madrugada por Thiago e o resultado deu infecção de urina. Com estetoscópio, o médico disse à mãe que não estava mais ouvindo o coração da criança bater e ela foi levada novamente para o Hospital da cidade.

No Hospital a mulher ficou das 18h até às 21h esperando por alguém que viesse olhar ela e saber se estava tudo bem com o bebê. “Não apareceu nenhum médico, nenhuma enfermeira no quarto, fiquei esperando todo esse tempo com dor e meu filho morrendo dentro da minha barriga”, conta a mãe chorando.

Só então depois que Edvan chegou ao hospital e pediu para que então olhassem sua esposa é que uma enfermeira apareceu. Também com um estetoscópio a enfermeira afirmou que o coração da criança estava batendo bem fraquinho.

O pai então novamente pediu exame de ultrassom, mas que foi mais uma vez negado alegando que só poderia ser realizado às segundas-feiras com pedido do médico.
Já por volta das 3h da manhã de terça-feira, uma das enfermeiras voltou a aplicar medicamento em Ivanize. Questionada pela paciente qual remédio estava sendo injetado, ela disse que era “remedinho para tirar a dor” e não disse qual nome era.

Segundo Ivanize as dores não passavam e as contrações aumentando. Meia hora depois de o medicamento ser aplicado, a mulher foi ao banheiro e o bebê nasceu. O médico plantonista, Alexandre Carlos Mazzo, atestou aos pais que a criança já tinha nascido morta.

Só depois disso é que a mulher foi levada para São José do Rio Preto no Hospital da Criança. Lá ela passou por exames e foi liberada.

No mesmo dia o corpo do menino que se chamaria Vitor Gabriel dos Santos Pereira foi enterrado no cemitério de Potirendaba. “O corpinho do meu filho estava formado. Eles deixaram meu filho morrer”, conta aos prantos a mãe.

O casal já é pai de um menino de 8 anos. Ao lado da cama (foto), a mãe observa o enxoval do segundo filho que tinha sido comprado no sábado anterior da morte do menino.

O que mais chama a atenção é que durante toda a gravidez Ivanize conta que não teve nenhum problema ou sentiu dores ou contrações. O parto da criança estava marcado para o fim do mês de março.

A indignação de Ivanize e Edvan é que não foi realizado exame de autópsia no bebê alegando as verdadeiras causas da morte. O próprio médico, Alexandre Mazzo, é quem assinou o laudo da morte do menino.

Os pais afirmam que já procuram um advogado e vão entrar com ação contra o Hospital de Potirendaba por negligência. O pai informou que vai registrar o caso na polícia. “Nada vai trazer meu filho de volta, mas quero que me deem uma resposta do que meu filho morreu”, fala a mãe.

Na última quinta-feira (22), a mulher conta que foi ao Posto de Saúde do bairro Jardim dos Eucaliptos, o PSF II, para aferir a pressão. Ela chegou no local por volta das 15h e conta que ficou aguardando por mais quase uma hora para ser atendida enquanto enfermeiras e agentes de saúde mexiam em celulares e trocavam mensagens de WhatsApp.

Sobre os PSF’s, a prefeitura de Potirendaba informou em nota que serão ouvidos os funcionários que estavam de plantão na ocasião a fim de apurar a denúncia e responsabilizar os envolvidos, caso necessário.

O Hospital de Potirendaba disse também em nota que a direção da entidade vai avaliar o caso no sentido de esclarecer os fatos e se for o caso, tomar as providências cabíveis.

(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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