Estação de tratamento de esgoto abandonada em Potirendaba faz dejetos serem lançados no rio

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Todos os dias pelo menos 2 milhões de litros de esgoto são lançados no córrego da Água Espalhada em Potirendaba. Isso porque a estação de tratamento de esgoto do município está abandonada.

As três represas que seriam responsáveis por tratar 97% do esgoto doméstico estão assoreadas, tomadas por lixo e não realizando seu papel que seria tratar os dejetos. A obra entregue em 2003 teria capacidade para receber toda a produção da cidade por até 20 anos.

Nossa equipe de reportagem esteve no local e constatou uma cena lamentável da falta de respeito com o meio ambiente. O esgoto das residências que chega à estação que primeiro deveria ser lançado nas caixas com peneiras para filtrar sujeira, passa por cima da primeira represa.

Esta primeira represa é a do sistema anaeróbico, onde bactérias iniciam o processo de tratamento da água. A segunda que tem em média 24 mil metros de extensão e quase cinco de profundidade é a do sistema facultativo que leva; e a terceira que é responsável por tratar 97% dos dejetos é a de maturação.

Na anaeróbica, o assoreamento é tão grande que enormes bancos de areia já se formaram no começo dela e com isso mato e sujeira tomaram conta de quase 50% da lagoa. Um barquinho que era utilizado por funcionários para realizar a retirada de materiais sólidos dos lagos está abandonado ao lado delas e sem sinal de uso recente.

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Além do abandono, quatro cavalos aparentavam morar na estação. Os animais que podem cair nas represas circulam ao lado delas e pastam livremente.

Na saída da última lagoa, aparentemente uma nova tubulação foi instalada para quando há um volume grande de dejetos. Quando isso ocorre, tudo é jogado em uma área de pastagem ao lado da estação.

No córrego Água Espalhada são 85 mil litros de esgoto jogados diretamente sem nenhum tipo de tratamento. No dia 08/08 em que nossa reportagem esteve no local, uma grande quantidade de espuma e uma água completamente turva estavam sendo lançadas no rio.

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Latas de cerveja, preservativos, plásticos e garrafas pets saiam da tubulação, sinal que os resíduos sólidos que vem da rede doméstica não estão sendo separados. Animais de propriedades em que são cortadas pelo rio bebem a água poluída, prova disso são os caminhos e rastros feitos às margens do rio para matar a sede.

Os mais de 61 milhões de litros de esgoto produzidos por mês em Potirendaba vão parar diretamente nas bacias hidrográficas dos rios Tietê, ribeirão do Borá e Ribeirão Barra Mansa.

O sistema de tratamento de esgoto teria um importante papel como agente de prevenção na saúde, dificultando a disseminação de doenças hídricas. O município que já foi modelo em sistema de captação e tratamento desse quesito, hoje é exemplo do descaso e abandono ao meio ambiente.

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Em 2013, a então prefeita da cidade, Gislaine Franzotti chegou a assinar um convênio com o governo de São Paulo no valor de R$ 3 milhões pelo Programa Água Limpa para o remanejamento e substituição de 6,8 mil metros de emissário de esgoto, readequação e limpeza (desassoreamento) do conjunto de lagoas.

Porém, a Gazeta apurou que a licitação destes serviços até chegou a ser realizada pelo Governo do Estado, porém o convênio nunca chegou à Potirendaba. O único serviço de limpeza realizado nas lagoas em seus 15 anos de existência foi em 2016, com funcionários e caminhões da prefeitura, o que não resolveu completamente o problema.

Com o convênio que o Governo nunca liberou, a estação deixaria de jogar no rio, aproximadamente, 27 toneladas por mês de carga orgânica sem tratamento, ou seja, 2.040.000 milhões de litros. Toda essa carga que continua sendo lançada sem nenhum tipo de tratamento.

Com tanto esgoto represado e sem ser tratado, a reclamação em Potirendaba é o mau cheiro provocado pelas lagoas. Nos últimos dias a Gazeta recebeu diversas reclamações de moradores sobre o forte odor que vem das represas que ficam, pelo menos, dois quilômetros de distância da área urbana.

Nossa reportagem mostrou as imagens realizadas por nossa equipe na lagoa de tratamento ao gerente regional da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), José Benites de Oliveira, que disse não ter conhecimento do relatado. Benites afirmou que até a presente data não houve o registro de reclamação espontânea da comunidade.

“O município possui a licença valida até 02/05/2021, sendo que na última inspeção realizada em 21/06/2016 verificou-se que os resíduos removidos da lagoa anaeróbia estão sendo depositados temporariamente em área preparada, no aterro em valas, para posterior definição quanto sua destinação e / ou disposição final ambientalmente adequada”, afirma.

Com base nas informações da Gazeta, a Companhia disse que estava programando para a segunda quinzena de agosto uma vistoria para atualização de informação e com avaliação do sistema. Perguntamos novamente ao gerente agora em outubro de 2018 que afirmou ainda não ter ido ao local.

Questionada, a prefeitura de Potirendaba disse que as medidas estão sendo tomadas para a melhoria do funcionamento das lagoas, porém que é necessário buscar recursos, sendo que alguns já estão em processo de liberação mediante projeto que foi apresentado junto ao Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO), no qual solicita recurso de R$ R$ 147 mil para obras nas lagoas. Portanto, trecho da nota diz que, em razão do período eleitoral o valor só será repassado no final de 2018 ou início de 2019.

Já sobre os animais encontrados no local, a prefeitura disse que os mesmos não pertencem à prefeitura e que já foram retirados.

(Reportagem publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de agosto de 2018)
(Fotos: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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