ESPECIAL: Dengue alastra pela região da Gazeta; Seis municípios já vivem epidemia e Bady Bassitt decreta estado de emergência

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Nas doze cidades de cobertura da Gazeta do Interior seis dos 12 municípios de circulação do jornal já vivem epidemia de dengue somando quase 600 pessoas infectadas pelo Aedes. Esta semana Bady Bassitt decretou estado de emergência com 106 casos da doença.

Tanta discussão sobre o assunto e a saída para o problema continua a mesma: governo e população têm que fazer cada um a sua parte. E os cidadãos devem ficar em alerta, pois vários municípios da região noroeste paulista já vivem epidemia da doença.

Em São José do Rio Preto, uma das maiores cidades do noroeste do Estado, quatro pessoas já morreram este ano vítimas da doença. Uma delas por complicações, outras duas por síndrome de choque da dengue, um estágio mais avançado do que a dengue hemorrágica. O tipo hemorrágica é uma das formas mais graves da doença e pacientes que já tiveram dengue correm mais risco.

Em março, o prefeito da cidade, Valdomiro Lopes, decretou estado de emergência por conta da epidemia. Até nesta quinta-feira, 25 de abril, o município somava 6.835 mil casos da doença e 13.417 mil em investigação.

Motivo esse que vem preocupando municípios vizinhos, pois Rio Preto faz divisa com quatro municípios da região de cobertura da Gazeta. De acordo com a secretaria de comunicação de Rio Preto, por mês, mais de 500 mil pessoas de cidades da região passam pelo município, o que pode fazer com que a doença migre para as cidades adjacentes.

Em Bady Bassitt a situação é a mais preocupante da nossa região de cobertura. Além da epidemia, o município também decretou estado de emergência com 106 casos de dengue. Para ser considerado estado de epidemia, de acordo com os parâmetros do Ministério da Saúde, basta que o registro de um caso de dengue para cada 333 pessoas ou menos. Quanto mais baixo esse número na relação com cada caso de doente, mais perigo corre os moradores.

Lilian Ferreira do Nascimento, responsável pela comunicação do controle de endemias de Bady Bassitt, disse que agora é uma situação de união com a população. “Fomos notificados ontem (quarta-feira) pela Secretaria Estadual de Vigilância Epidemiológica e decretamos estado de emergência. Agora vamos precisar da ajuda de todos para poder conscientizar a população e eliminar os criadouros”, disse.

Cedral que registrou até esta quinta-feira (25), 170 casos da doença, está em epidemia e é um exemplo da migração da contaminação do vírus transmitido pelo Aedes Aegypti. De acordo com a secretária de saúde, Mara Ghizelline, o número de pessoas infectadas na cidade é trazido de Rio Preto, já que milhares de moradores de Cedral trabalham no município.

“Nós também temos culpa. Encontramos três focos no centro da cidade nas casas de pessoas ligadas à saúde e que tem conhecimento da doença. Outro grande problema em Cedral são pessoas idosas e que ainda não tem consciência de não deixar água parada. Nós estamos fazendo o trabalho de nebulização e combate para matar o mosquito. Isso evita que se alastre na cidade, mas não impede que chegue novos casos de cidades vizinhas, pois a pessoa se contamina lá e vem infectada para cá, o que faz com que nossos registros aumentem”, conta.

Em Uchôa a situação é bem semelhante. 98 pessoas já são vítimas do Aedes na cidade. Para tentar conter a infestação do mosquito, a coordenadora do controle de endemias, Rosimeire Barbosa, diz que ações de combate vêm sendo feitas no município.

“Estamos fazendo de tudo para que mais pessoas não se contaminem. Dia 18 e 19 deste mês fizemos outro arrastão na cidade para combater o mosquito. Se moradores cuidassem mais dos quintais não estaríamos vivendo esse triste fato”, conta a coordenadora que adiantou ainda que já encontrou vários focos do mosquito em Uchôa.

Nova Aliança é a cidade que entra para o quadro de cidades em estado de epidemia na região de abrangência da Gazeta. Até quinta-feira (25), 55 casos já tinham sido confirmados no município. Desses, apenas cinco são importados.

A coordenadora da vigilância em saúde, Priscila Aparecida Bernardo, diz que a prefeitura está fazendo limpeza nos lotes e vários agentes estão visitando as casas. “Vamos começar realizar trabalho de conscientização em todas as escolas. Bloqueio e nebulização em casos específicos já foram feitos em toda a cidade”, conta.

Priscila falou também da dificuldade em realizar a vistoria nas residências. “Chegamos atender caso em que duas pessoas da mesma casa estavam contaminadas e não deixaram o agente entrar para realizar vistoria”, falou.

Em Guapiçu, também em epidemia, 93 pessoas estão contaminadas. Graziela Vilela, enfermeira da vigilância epidemiológica do município também confirma a versão de Rio Preto estar muito próxima de Guapiaçu. “Estamos empenhados em combater a doença e agora temos mais um vilão vindo por aí que é a gripe H1N1. Um trabalho que nunca podemos parar”, disse.

A mais nova cidade que entra para o quadro de epidemia é Tabapuã. Com 39 casos de dengue o município também já vive em estado de epidemia do Aedes aegypti.

Ibirá já registra 33 casos, se mais duas pessoas confirmarem dengue nos próximos dias também fará parte dos municípios em epidemia. Catiguá 10, Urupês 7, Potirendaba 4, Novais 3 e Elisiário apenas uma pessoa está de dengue.

Para a diretora regional da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), Sirlei Sallum Scantar, cada município tem que fazer sua parte, mesmo tendo vizinhas cidades em epidemia como Rio Preto.

“Se elas (cidades) fizerem controle de vetores, eliminar criadouros, realizar ações de combate a cada 15 dias, fazer controle químico, vistoriar imóveis especiais mensalmente dentro do cronograma, terão poucos mosquitos que transmitirão à dengue. Todo o município deve fazer sua parte, as chuvas contribuem, a temperatura é ideal para o mosquito e é por isso que devemos intensificar nosso trabalho”, explica.

(Arte: Editoria de artes Gazeta do Interior/Divulgação G1)

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