Esgoto jogado em rio de Potirendaba incomoda proprietários rurais; Cetesb avalia o caso

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Donos de propriedades rurais que moram ao lado do córrego Cascata, em Potirendaba estão se sentindo incomodados. O lançamento irregular direto de esgoto sem tratamento no córrego, causa mau cheiro e está destruindo o meio ambiente.

A denúncia mais grave dos moradores é de que o frigorífico da cidade esteja lançando dejetos de animais abatidos diretamente no esgoto do município. Peixes estão aparecendo mortos com a falta de oxigenação da água. Nos barrancos do leito, onde a água abaixou o nível, é possível ver as marcas pretas de poluição e da sujeira lançada pelas empresas.

As tubulações de esgoto que estão rompidas vem do distrito industrial da cidade e do bairro Luis Pastorelli. O problema em Potirendaba é antigo. Em novembro de 2012, o rompimento do cano que joga o esgoto dos bairros na rede da cidade, causou a mortandade de mais de 7 mil peixes da represa municipal.

A prefeitura da cidade já foi multada em mais de R$ 100 mil, mas até agora o problema ainda não foi resolvido e outras empresas continuam contaminando o rio.

O aposentado, Paschoalino Falchi, é dono de uma chácara na saída para o bairro Cana do Reino. Há mais de um ano, a família dele teve que deixar de consumir a água que era retirada de uma nascente por que está contaminada com o esgoto. “Colhemos amostras da água, pagamos para fazer análise e foi constatado que a água está imprópria para consumo. Hoje só usamos essa água para irrigar o pasto para o gado”, diz.

Da cidade, o esgoto passa por dentro da chácara do aposentado e cai direto no rio. A tubulação que está rompida deveria cair na rede de esgoto que vai para as lagoas de tratamento do município.

Tentando preservar a área e plantando árvores, Sandra Mare Fiori, proprietária de uma área rural às margens do rio onde o esgoto escorre, se sente revoltada com o descaso de empresas e autoridades. “Deixei de usar a margem do rio para plantar árvores, reflorestar e preservar o rio e ninguém tem a mínima preocupação em parar de lançar esgoto nele. É uma vergonha”, comenta.

Ela fala ainda que há anos os animais da propriedade dela não tomam a água por causa da contaminação do rio e das nascentes.

“Há 30, 40 anos, nesse rio tinha peixes grandes e era a coisa mais linda. Hoje está poluído, assoreado e com um mau cheiro insuportável”, diz Sandra.

Após denúncia da Gazeta do Interior, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, Cetesb, veio a Potirendaba na manhã desta segunda-feira (31) para avaliar o impacto ambiental. De acordo com o gerente da unidade, Antônio Falco Junior, dois fiscais fizeram um pente fino no frigorífico e nas indústrias.

“Estamos bastante preocupados com essa situação de Potirendaba. Junto com um responsável do sistema de água e esgoto da cidade, dois técnicos da Cetesb alertaram o frigorífico e as indústrias. Eles flagraram que há o lançamento de esterco do frigorífico e vamos continuar acompanhando esse caso. Quanto ao esgoto do município lançado no rio, a prefeita já se prontificou junto à Cetesb para resolver o problema o mais rápido possível”, disse Falco.

A luta da prefeitura de Potirendaba em resolver o problema é antiga. Segundo a assessoria de imprensa, um emissário de esgoto tem que ser construído para sanar o problema. De acordo com nota enviada, nesta segunda, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assinou a ordem de serviço para que as obras tenham início. O valor de R$ 2,970 milhões conquistado pela prefeitura já foi liberado.

No frigorífico ninguém foi encontrado para falar sobre o assunto.

(Fotos: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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