Escolas municipais da região oferecem ensino de 1º mundo; qualidades vão desde a merenda à salas com ar condicionado

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13,2 milhões de pessoas. Esse é o número de analfabetos existentes no Brasil. No mundo, são mais de 774 milhões que não tiveram acesso à educação.

Um relatório divulgado em janeiro pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) aponta que o Brasil aparece em 8° lugar entre os países com maior número de analfabetos adultos. Ao todo, o estudo avaliou a situação de 150 países.

O relatório também mapeou os principais desafios da educação no planeta. A crise na aprendizagem não é só no Brasil, mas global. Para a Unesco, o problema está relacionado com a má qualidade da educação e a falta de atrativos nas aulas e de treinamento adequado para os professores.

Sobre os investimentos na área, das 150 nações analisadas, apenas 41 atingiram a meta da Unesco, ou seja, aplicaram em educação 6% ou mais de seu Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todas as riquezas geradas. O Brasil é um deles, mas o gasto anual por aluno da educação básica é de cerca de R$ 5 mil. Em países ricos, esse valor é três vezes maior.

Aqui na nossa região a realidade é diferente. Escolas com estruturas de primeiro mundo e que oferecem aos alunos, além de boa base de apoio aos estudos, nível educacional de qualidade e bem diferente de cidades e estados do norte e nordeste do Brasil.

A infraestrutura das escolas municipais é dividida em três categorias. Elementar, adequada e avançada. Três cidades daqui da região oferecem qualidade avançada e nível de escola de primeiro mundo.

Uma escola com infraestrutura elementar tem que ter água, banheiro, esgoto, energia elétrica e cozinha. Quase metade das escolas brasileiras é assim.

São 87 mil ou 44,5% do total de escolas no país, segundo estudo feito por pesquisadores da Universidade de Brasília e da Federal de Santa Catarina.

A escola com a infraestrutura adequada tem sala dos professores, biblioteca, laboratório de informática, quadra esportiva e parque infantil. Conta também com acesso à internet e máquina de cópias.

E a escola com infraestrutura avançada tem tudo isso e ainda laboratório de ciências e instalações para estudantes com necessidades especiais.

Das 195 mil escolas brasileiras, pouco mais de mil são avançadas. Isso representa 0.6% do total. Em geral, essas escolas estão em regiões como Sul e Sudeste, ou seja, aqui na área de circulação da Gazeta do Interior.

Potirendaba:

Na cidade há uma grande preocupação com o ensino. O município de pouco mais de 15 mil habitantes, um dos maiores da região do jornal, tem escola de ensino avançado.

Duas escolas de ensino fundamental I, uma escola de ensino fundamental II, uma escola de educação infantil, além de duas creches. Prédios bem cuidados, móveis impecáveis e padrão de escolas particulares.

Outras duas creches que já estão sendo construídas devem ficar prontas ainda este ano. Já para os próximos anos serão construídas mais duas creches e uma escola de ensino fundamental.

A escola de ensino fundamental II, Maestro Antônio Amato, tem laboratório de ciências e esse ano contará com profissional especializado para auxiliar os alunos nas aulas.

As demais unidades têm bibliotecas, laboratórios de informática com lousas digitais, quadras poliesportivas cobertas e merenda de qualidade excelente regulada por nutricionista e com cardápio variado. O transporte desses alunos é feito por 15 ônibus novos, equipados com cadeiras de rodas para deficientes físicos e que pegam os alunos em uma rua exclusiva dentro de cada escola e deixa na ‘porta’ da casa do aluno.

Atualmente são 14 salas de aula que tem ar-condicionado, em Potirendaba. Verba do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) fará com que em breve todas as salas de todas as escolas da cidade tenham ar-condicionado.

Além da parte estrutural, todos os alunos têm acompanhamento odontológico e nas creches pediatras visitam as crianças e fazem avaliação em cada uma delas.

Os móveis são novos, equipamentos de última geração, salas bem cuidadas e professores bem preparados. Uma realidade que poucas pessoas conhecem e vejam, pois muitos pais acabam não acompanhando a escola em que o filho estuda.

Cinco refeições são servidas diariamente nas creches e escolas. Todas são variadas e com acompanhamento de nutricionista, favorecendo a redução da obesidade infantil e controlando a ingestão correta de alimentos das crianças e adolescentes.

São 2.871 alunos da rede municipal que desfrutam desses privilégios. Todo início de ano eles recebem apostilas coloridas e ilustradas, uniformes e um kit com lápis, borracha, cola, caneta, lápis de cor, réguas, tesoura, apontador e cadernos. Tudo de graça.

Os alunos contam ainda com projetos de empreendedorismo pelo SEBRAE, Semana Literária, e sobre o meio ambiente em parceria com uma usina da cidade.

Os professores são bem treinados e capacitados. Nos primeiros e segundos anos do Fundamental tem professor auxiliar nas salas. Alunos com algum tipo de deficiência tem um professor só pra ele.

“É um privilégio estudar em uma escola como em Potirendaba. Conto para meus colegas que deixei em São Paulo o que temos aqui no interior, e, eles chegam a duvidar”, diz Dayane Cristina da Silva Alves que veio da capital há poucos meses.

Para a coordenadora de educação, Andreia Cristina Colombo, educar no município é motivo de orgulho. “Posso dizer, com certeza, que oferecemos uma educação de qualidade em Potirendaba. Isso é motivo de satisfação e orgulho poder contribuir com a educação da cidade”, diz.

Gislaine Franzotti é prefeita da cidade e comenta que como professora e cidadã Potirendabana sabe que só a educação pode transformar as pessoas tornando-as, mais felizes e completas. “Como chefe do poder público cumpro a Lei e ofereço a essa geração o que há de melhor, não ficando nada a desejar para melhores escolas particulares deste país”, fala.

Cedral:

A escola municipal, Lucia Novais Brandão, em Cedral, causa inveja em outras da região e do interior do Brasil. 961 alunos tem ar condicionado e lousas digitais em todas as salas de aula.

São diversos itens que formam a escola com educação adequada. Sala de informática com cerca de 30 computadores, quadra poliesportiva coberta, biblioteca com mais de 3 mil livros, sala de recursos especiais para inclusão, além de uma sala de desenvolvimento psicomotor para recreação.

Na cidade com quase 8 mil habitantes há uma escola de ensino fundamental uma de ensino infantil e uma creche. Os alunos do 1º ao 5º ano recebem livro didático ilustrado e alunos do 6º ao 9º ano tem sistema apostilado do MEC.

Marco Antonio de Mello Franco é o diretor da escola e conta que é um privilégio trabalhar em uma unidade assim. “Estamos iniciando a implantação do processo de Escola Integral. Já temos o programa Mais Educação onde os alunos têm modalidades esportivas, cultural, reforço na alfabetização e vídeo escola. São maneiras de fazer com o que o aluno goste da escola”, diz.

Uchôa:

A cidade de Uchôa segue exemplo das demais da nossa região. Um ensino municipal de qualidade e alunos satisfeitos com o ensino avançado oferecido na cidade.

Com duas escolas de ensino fundamental do 1º ao 9º ano, duas infantis, duas creches e creche filantrópica, o município recebe 1.613 alunos todos os dias.

Para realizar o transporte dessas crianças e adolescentes que vem de toda a parte da cidade, inclusive a zona rural, o município utiliza sete peruas, dois ônibus e dois micro-ônibus. A frota é conservada e vistoriada a cada seis meses, conforme exigências do Governo Estadual.

A coordenadora de educação da cidade, Maria de Lourdes Pinto Boschilia, luta pela educação de qualidade. Ela diz que do 1º ao 5º ano o sistema apostilado utilizado com os alunos é o Ler e Escrever e do 6º ao 9º ano com o São Paulo faz Escola. Programas estes da Secretaria de Estado da Educação.

Cada escola fundamental tem sua biblioteca e sala de informática, além de um laboratório de ciências. As escolas infantis contam com biblioteca. Por dia são oferecidas quatro refeições. Segunda a coordenadora todas são de qualidade e tem acompanhamento nutricional.

Uchôa ainda não tem lousas digitais e ar condicionado, mas força de vontade em fazer uma educação cada vez melhor é o que não falta em Uchôa. “Precisamos, futuramente, contar com lousas digitais e ar condicionado. Precisamos também que haja maior parceria entre família e escola; maior participação dos conselhos escolares; APMs mais atuantes; interesse maior por parte dos alunos”, diz Maria de Lourdes.

Dentro das possibilidades e gradativamente, a coordenadora fala do projeto em adequar para escolas em tempo integral.

Meta até 2015
No Fórum Mundial de Educação realizado em 2000, 164 países (entre eles, o Brasil), 35 instituições internacionais e 127 organizações não governamentais (ONG) adotaram o Marco de Ação de Dacar, em que se comprometem a dedicar os recursos e esforços necessários para melhorar a educação até 2015.

Na ocasião, foram traçados seis objetivos: os países devem expandir os cuidados na primeira infância e na educação; universalizar o ensino primário; promover as competências de aprendizagem e de vida para jovens e adultos; reduzir o analfabetismo em 50%; alcançar a paridade e igualdade de gênero; e melhorar a qualidade da educação.

Segundo o relatório da Unesco, esse compromisso não deve ser atingido globalmente, apesar de alguns países terem apresentado avanços nos últimos anos.

Em todo o mundo, a taxa de alfabetização de adultos passou de 76% para 82% entre os períodos de 1985-1994 e 1995-2004. Mas, por região, os índices ainda permanecem bem abaixo da média na Ásia Meridional e Ocidental e na África Subsaariana (ao sul do deserto do Saara), com aproximadamente 60%. Nos Estados Árabes e no Caribe, as taxas estão em cerca de 70%.

(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior no mês de abril)

(Fotos: Diogo De Maman e Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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