Escola estadual de Nova Aliança decide revistar alunos em busca de celulares e causa revolta

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Alunos da Escola Estadual Gabriel Cozzetto, de Nova Aliança (SP), estão revoltados depois que a direção decidiu realizar uma revista pessoal em todos os alunos do período da noite nesta última quarta-feira (11/03/2020). Sem nenhuma explicação, eles tiveram seus celulares recolhidos.

Diversos estudantes procuraram a Gazeta na manhã desta quinta (12/03), indignados com a atitude da direção. Segundo eles, todos foram revistados, tiveram suas mochilas olhadas e seus celulares recolhidos.

Com medo de represália, os jovens preferem não ter os nomes divulgados na reportagem. Unanimemente, todos falam que se sentiram constrangidos e envergonhados com o ato.

“Fomos obrigados a levantar nossas camisetas, abrir as mochilas e recolheram nossos aparelhos. A gente não estava usando o celular, pois sabemos que não pode, mas no meu caso, trago para a escola porque uso na saída para ligar para o meu pai vir me buscar”, relata uma aluna do 3º colegial.

Outra aluna também do 3º colegial diz que foi obrigada a levantar a blusa na frente de toda a sala e se sentiu bastante constrangida.

“Nunca passamos por uma situação tão humilhante como esta. Eu não havia levado meu celular para a escola e mesmo assim não acreditaram em mim, fizeram eu levantar minha blusa na frente da sala inteira”, diz.

Um jovem do 1º colegial afirma que quase metade da sala dele levou suspensão de dois dias por estar portando o aparelho. Ele relata que esta não é a primeira vez que isso ocorre na instituição de ensino.

“Uma coisa é levar o celular, outra é mexer na sala de aula. Nenhum aluno estava usando o aparelho, simplesmente chegaram revistando e recolhendo. Agora com essa suspensão, vamos perder trabalho escolar e outras atividades, isso vai nos prejudicar”, reclama.

Por causa da revista, todos os alunos foram liberados quase 40 minutos após o horário de término das aulas. Todos os aparelhos foram recolhidos e ficaram de posse da direção da escola.

Ainda de acordo com os alunos, somente pais ou responsáveis é que puderam pegar o celular de volta. “Até aluno adulto que estuda aqui teve o celular apreendido. Pior de tudo é que nem pudemos usar o telefone da escola para comunicar nossos pais”, fala uma aluna.

Revoltados, os estudantes falam que vão registrar o caso na polícia. Segundo o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), é crime submeter criança ou adolescente sob autoridade, guarda ou violência a vexame ou constrangimento. O crime cabe pena que varia de seis meses a dois anos de detenção.

Em caso de suspeita de roubo ou furto supostamente cometido por algum aluno, é comum, assim como em outros casos, a direção acionar a Polícia Militar para que efetue a possível revista ou busca pessoal. Todos os alunos afirmam que não houve qualquer indício de crime dentro da instituição e que simplesmente recolheram os aparelhos sem nenhum motivo.

Nós tentamos falar com a direção da escola Gabriel Cozzetto, mas ninguém atendeu nossas ligações. Procurada, a Secretaria Estadual de Educação disse em nota que a Diretoria Regional de Ensino de José Bonifácio (SP) enviará uma supervisora à unidade para apurar o caso. Trecho da nota a DRE diz que está à disposição dos pais ou responsáveis pelos alunos para quaisquer esclarecimentos.

(Foto: Gazeta do Interior-arquivo)

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