Enquanto prefeituras da região cortam gastos, Bady Bassitt realizou carnaval e cidade continua “afundada” em problemas

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Direito de lazer todo cidadão tem, está na constituição. Mas e quando a prefeitura de uma cidade afirma estar enfrentando crise financeira com dívidas, sem verba para praticamente nada e com uma cidade toda esburacada, com reclamações na saúde, falta de medicamentos e uma cratera prestes a engolir uma rodovia e mesmo assim faz festa? Esse é o caso de Bady Bassitt. A cidade está cheia de problemas e mesmo assim a prefeitura realizou um carnaval no município em ano eleitoral e que nunca foi realizado antes.

Problemas e reclamações são o que não faltam na cidade. Dona Maria Gioconda Cordeiro conta que precisa de medicamentos da farmácia e não tem. “Eu preciso de omeprazol que é um remédio para o estômago que não custa nem R$ 10 e nunca tem. Toda vez que eu ligo ou vou lá eles dizem que na semana que vem chega, mas essa semana que vem nunca chega. É um verdadeiro descaso com a população fazer carnaval e deixar falta um remédio tão barato desses”, diz a aposentada.

Mas o problema não é apenas falta de medicamentos. Uma cratera aberta em dezembro do ano passado na vicinal que liga Bady Bassitt a Nova Aliança já faz mais de três meses que está aberta e até agora ela apenas foi sinalizada pela prefeitura. Um levantamento feito pela Gazeta aponta que a obra deve custar quase R$ 1 milhão aos cofres municipais entre a construção de uma nova ponte e tubulação.

O buraco tem, pelo menos, seis metros de profundidade e foi aberto após um forte temporal na cidade. A enxurrada tomou conta da Avenida Borboleta e o rio chegou a transbordar, alagando a via. Com a força da enxurrada, as duas faixas da vicinal que passa por cima da avenida desmoronaram e precisaram ser interditadas.

O local coloca em risco os motoristas, pois está sinalizado apenas com faixas e alguns cones. Os carros tem que dividir espaço uns com os outros e como o trânsito está sendo desviado pelo acostamento da pista, a poeira e buracos fazem parte da rotina de quem passa por alí.

Equipes da Defesa Civil do Estado se comprometeram em vir à Bady Bassitt no início de fevereiro para avaliar a situação e fazer pedido ao Governo do Estado para a liberação de verba, mas até o fechamento desta reportagem (12/02), nenhum membro do órgão tinha visitado a cidade. Procurado pela Gazeta, o departamento de Engenharia e Obras da cidade informou apenas que está tomando as providências necessárias no local, porém não informou prazo e nem se o local será consertado.

O carnaval:

Pela primeira vez um carnaval de Bady Bassitt é realizado pela prefeitura. Coincidência ou ano, o evento é realizado em ano eleitoral e pelo vice-prefeito da cidade, Luiz Antonio Tobardini.

Devido à falta de alvarás, o juiz da Vara da Infância e Juventude de São José do Rio Preto, Evandro Pelarin, cancelou a festa no primeiro dia.

Além da falta de alvará da justiça, o Ministério Público que pediu o cancelamento afirmava que havia também a falta do laudo da Polícia Militar para a segurança do espaço. No sábado o alvará foi apresentado e a festa foi liberada pelo juiz.

Prova de que os gastos com a festa saíram dos cofres municipais são os empenhos publicados no Portal Transparência. Várias notas com valores de até R$ 7,5 mil foram empenhadas no começo de fevereiro.

Despesas com telões, estrutura, barracas, som, iluminação, segurança e entre outras a prefeitura gastou, segundo o Portal, R$ 43.202,05. Nossa reportagem tentou contato com as bandas contratadas para saber os valores pagos pela prefeitura, mas não obtivemos respostas. Somando os cachês dos artistas, as despesas com o carnaval podem ultrapassar os R$ 150 mil.

“Diante de uma crise desse tamanho a prefeitura sambando com o nosso dinheiro. Se a cidade vivesse um bom momento com saúde em dia, sem buracos, tudo certinho eu seria a primeira pessoa à apoiar, mas não estamos em um bom momento”, diz o corretor de imóveis Alessandro Cesar Fiorentino.

“É inadmissível fazerem um negócio desses. Alguém consultou a população para saber se queríamos carnaval? Queremos que tapem os buracos dessas ruas que estão uma vergonha. Eu teria vergonha de ser prefeito, fazendo um carnaval onde vem gente de cidades vizinha e ver Bady Bassitt nessa situação”, fala a comerciante Mara Aparecida Castanho.

“Temos direito do carnaval, não sou contra. É uma festa linda e a maioria das cidades realiza. Só que primeiro deveriam deixar as necessidades básicas tudo certinho pra depois pensar em festa. A cidade está calamitosa, como deixaram ficar desse jeito? Só não sei mais como vai ser consertada”, comenta a analista de sistemas, Denise Rocha da Cruz Cícero.

Nossa reportagem tentou contato com o vice-prefeito, de Luiz Antônio Tobardini, mas ele não foi encontrado para falar sobre o assunto.

(Reportagem publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de fevereiro de 2016)

(Fotos: Reprodução portal transparência e Gazeta do Interior)

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