Em reunião com Tutelar, donos de chacrinhas se comprometem em combater festas organizadas por adolescentes

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A noite desta última terça-feira (30/01/2018) pareceu ser o começo para por um ponto final nas festas de chacrinhas organizadas por adolescentes em Potirendaba. Os eventos regados a sexo, bebidas e drogas são realizados em propriedades alugadas e sempre distantes da área urbana do município.

Pelo menos dez donos destes imóveis e autoridades compareceram à Câmara de Potirendaba para a reunião. A Gazeta do Interior acompanhou com boletins ao vivo na página do jornal.

O advogado que auxilia o Conselho Tutelar de Potirendaba, Guilherme Rocha, diz que a reunião pôde explicar aos proprietários como alugar seus imóveis de forma responsável. “Infelizmente nem todos os proprietários compareceram, mas pudemos notar que os que vieram tiveram grande interesse em colaborar e isso é muito importante. Vamos auxiliá-los na confecção de novas cláusulas dos contratos e assim tentar combater o aluguel para estes jovens”, afirma.

O Comandante da Guarda Municipal da cidade, Jacques Eduardo Cestini, disse durante a reunião que os agentes realizam bloqueios no trânsito e isso evita quase que 90% estes encontros. “A nossa primeira orientação é aos donos destas propriedades para que façam o contrato de locação. A Guarda sempre realiza os bloqueios de trânsito e sempre vamos quando há denúncias de algum tipo de crime, mas precisamos do apoio de todo mundo, principalmente dos pais que deveriam olhar pelos seus filhos”, alerta.

Na madrugada do dia 2 do mês passado, um jovem de 17 anos foi esfaqueado por outro de 16 durante uma destas festas que acontecia em uma chácara localizada na saída para Nova Aliança. O rapaz foi socorrido por amigos até o hospital de Potirendaba e em seguida transferido para São José do Rio Preto. No bolso da bermuda da vítima os médicos encontraram uma porção de maconha.

Já o sargento da Polícia Militar de Potirendaba, Welton Cezar da Silva, diz que só pode agir quando constata algum tipo de crime. “A Polícia Militar não pode chegar e invadir uma chácara sem um mandado. Nós só podemos entrar quando há perturbação de sossego ou que ficar constatado o uso de algum tipo de droga ou bebida por menor”, explica.

Maria do Socorro Munhoz alugou sua chácara para um destes encontros e quando soube que o local servia para ponto de encontro destes adolescentes, foi à festa durante à noite e mandou que todos saíssem. “Eu devolvi o dinheiro deles e mandei eles embora, porém já tinham destruído toda a minha chácara. Quebraram piscina, fizeram a maior baderna”.

Diferente de Rio Preto, Potirendaba não possui Agentes de Proteção da Infância e Juventude. Os agentes que podem ser nomeados pelo juiz da cidade, passam a auxiliar o Conselho Tutelar, Polícia Militar, Civil e Guarda Municipal no monitoramento destes eventos.

Na área de abrangência da Vara da Infância de Rio Preto, o juiz Evandro Pelarin, realiza este tipo de trabalho. “Nós temos três passos importantes no combate a estas festas. Primeiro é o monitoramento destes encontros pelos nossos agentes de proteção através de redes sociais e denúncias que chagam até nós no Fórum. O segundo passo que é a fiscalização destas festas e o terceiro é o julgamento quando chega até nós na justiça”, explica o juiz.

Pelarin afirma ainda que a punição é severa tanto para os pais que podem pagar multa de até R$ 19.080,00 quanto aos donos destas propriedades que podem perder o imóvel.” Os pais podem pagar de 3 a 20 salários mínimos e os donos que alugam sem um contrato, sem respaldo algum podem perder seus imóveis em caso de reincidência”.

“Esta reunião eu pude entender melhor como funciona esse processo de locação e vou adequar meu contrato, com certeza”, diz o proprietário de uma chácara na saída para a Cana do Reino, Adail Ferreira da Silva.

O delegado de polícia de Potirendaba, Adriano Ribeiro Nasser, o promotor de justiça da cidade, Rodrigo Vendramini e o juiz da comarca, Marco Antonio Costa Neves Buchala, foram convidados, porém não compareceram. A participação desta autoridades, segundo o Conselho Tutelar, seria de extrema importância para poder atuar de forma mais enérgica no combate e punição destes eventos.

(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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