Em busca da profissão: Filhos saem graduados e os pais ΓÇÿacabadosΓÇÖ

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Ter um curso superior nos dias atuais é algo essencial para qualquer pessoa que almeja ter sucesso em uma carreira profissional, no entanto, as cidades da RAG (Região de abrangência da Gazeta) não possuem universidades ou faculdades, o que faz com que todos tenham que viajar diariamente ou mudar-se para cidades vizinhas como São José do Rio Preto e Catanduva, aumentando consideravelmente os custos.
Melise Ferreira é formada há dois anos em Arquitetura e devido aos horários de seu curso teve que sair de Tabapuã e mudar-se para Rio Preto. “Até tentamos utilizar o ônibus que a prefeitura cede, mas como o curso era no período da manhã não deu certo, então a solução foi ir pra Rio Preto”, conta Maria José Ferreira, mãe de Melise.
“Foram cinco anos em que eu trabalhava de segunda a segunda, afinal tinha que manter duas casas. A minha em Tabapuã e a dela em Rio Preto. Não foi nada fácil, tinha dia que não sabia de onde tirar dinheiro pra pagar conta de luz, água ou qualquer outra coisa, ainda que a Melise sempre dividiu a casa em que morava, caso contrário estaria perdida”, conta Maria José que mesmo sendo cadeirante vendia pelas ruas da cidade joias e semijoias para ajudar no orçamento.
E os gastos não param por aí, segundo a mãe, quase sempre ela aparecia pedindo algo para a faculdade, que ia desde xérox de livros a um computador. “Cada dia ela aparecia com uma coisa, era xérox, livro, papeis especiais para os trabalhos, um computador novo por que o software que ela usa é pesado e cada vez mais dinheiro indo embora”, conta a mãe.
Quem acredita que viajar todos os dias é uma boa alternativa para economizar está enganado. Esses estudantes também passam por sufoco, já que, a maioria das cidades cobra pelo ônibus que leva os estudantes, além do custo diário com alimentação.
Para o estudante do curso de Ciências Contábeis, Higor Brizotti, (21), a dura tarefa é, além dos gastos, a conciliação do tempo que se torna precioso com todos os deveres. “É complicado ter que trabalhar o dia todo, jantar às 5 horas da tarde, ir pra faculdade e chegar mais de meia noite em casa. Todo dia, gasto em média na faculdade de R$ 5 à R$ 7 e como sou eu que pago tudo, tenho que me controlar, deixar de ir a alguns lugares e etc”, conta o universitário.
Atualmente Melise está trabalhando para uma empresa de arquitetura em Juazeiro, no estado do Ceará e já começa a ganhar seu próprio dinheiro. “Fico feliz em saber que todo aquele perrengue que passei, hoje está sendo recompensado. Minha filha já está empregada, já tem seu próprio dinheiro e vi que cada centavo gasto foi recompensador. Chorei muito no dia da formatura, pois passou um filme na minha cabeça de tudo que passamos para chegar até ali”, conta a mulher com os olhos lacrimejados.

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