Durante abordagem policial, homem conta que foi espancado pela polícia de Potirendaba

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A simplicidade de um trabalhador e pai de família não adiantou durante uma abordagem policial na quinta-feira passada, em Potirendaba. O mestre de obras, Sidelmo Souza do Nascimento, de 32 anos, que quis dar sua versão do fato, conta que passou momentos de terror nas mãos de policiais militares e guardas municipais da cidade.

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Sidelmo explica que saiu da obra onde trabalha no município por volta das 17h. Cruzou pelo carro da polícia no primeiro posto da entrada da cidade e pegou a vicinal João Neves junto com o funcionário dele, o auxiliar de pedreiro, Wesley Rodrigues Gama, de 21 anos.

Já no quilômetro três da rodovia, Wesley notou que estavam sendo seguidos pela viatura e que os policiais estavam dando sinais para que eles parassem a moto. Sidelmo parou a moto e ambos cumpriram a ordem de colocar as mãos na cabeça.

“Os policiais revistaram a gente, mas eu notava que eles (policiais) estavam nervosos. Eu disse: Faça seu trabalho, meu amigo. Nesse momento fui pegar o documento que estava no tanque da moto e já recebi uma gravata e fui algemado. Logo depois chegou um Guarda Municipal que encostou o rosto no meu e começou a me ofender com palavras que eu nunca imaginava que seria ofendido um dia”, diz Nascimento.

Em seguida, o homem conta que empurrou o Guarda Municipal e as agressões começaram. O olho que está roxo é por conta de um chute que levou durante as agressões. Em seguida, levou uma voadora, caiu no chão e recebeu vários chutes. “Eu vejo isso como um despreparo muito grande por parte da polícia. Polícia é para proteger e não espancar”, diz Sidelmo.

Questionados sobre os dois estarem usando blusa de frio em uma tarde quente, eles explicam que como vêm de moto logo cedo, ainda está frio e para pegar rodovia o agasalho protege.

Wesley que ficou quieto a todo o momento e que a polícia afirma ter colaborado com o trabalho dela, conta que nada justifica o que aconteceu. “O fato dele (Sidelmo) ter falado “faça seu trabalho” não justifica as agressões.Não tem cabimento. A gente estava desarmado, não apresentava risco nenhum. Somos trabalhadores e estávamos com essas roupas de trabalhar, toda suja”, diz.

“Eu fui humilhado. Chego em casa e meus filhos me olham com esse olho machucado, sinto vergonha. Causo impressão de que sou algum vagabundo para apanhar da polícia. Estou envergonhado”, fala Sidelmo.

Os dois foram levados para o Hospital de Potirendaba, medicados e liberados. Nenhum dos dois tem passagem pela polícia e nada ilícito foi encontrado com eles.

Um boletim de ocorrência foi registrado pela vítima e exame de Corpo de Delito foi feito no dia seguinte às agressões. O caso foi comunicado à corregedoria da Polícia Militar que deve instaurar processo administrativo interno para apurar a atitude dos policiais no momento da abordagem.

(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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