Devolvam meu dinheiro, quero padrão Fifa

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Por: Eric Carvalho

Olá, leitor! Tudo certo? Hoje vamos mudar o foco das discussões por aqui e ver o quanto o esporte pode ser importante na política e pode nos levar a ter discussões sérias. Hoje a coluna está chata, mas válida. Vamos lá. Você é daqueles que acredita fielmente que o futebol serve para alienar as pessoas? Será? Acredita também que torcedores não tem tempo para pensar no futuro do país? Se você acredita, cuidado com o seu preconceito.

As manifestações realizadas durante a Copa das Confederações, por todo o país, provam o contrário. Quando a Fifa, em outubro de 2007, anunciou que a Copa do Mundo de 2014 seria realizada no Brasil, certamente os velhos de lá e Lula, presidente brasileiro na época, sequer imaginavam que a competição poderia motivar tantas manifestações.

Pois foi o que aconteceu. Primeiro o evento foi prometido sem gastos públicos. Mentira. Até os estádios onde a construção foi realizada por empreiteiras teve, no mínimo, dinheiro do BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento, entidade subsidiada pelos nossos impostos. Depois disso, houve um gasto anunciado e outro na realidade. Para os desavisados: para ficar pronto, o estádio Nacional de Brasília, estado sem times de expressão, custou mais de um bilhão e meio de reais. Sim, bilhão e não milhão.

Aí o povo sentiu que as coisas estavam ficando feias demais. Você me pergunta: mas quem foi se manifestar nem assiste futebol. Engano seu. Muitas pessoas que encontrei durante as manifestações pela região eram figurinhas conhecidas nas discussões sobre bola. Só que isso não interessa, o que nos diz respeito é que o esporte considerado manipulador de massas ajudou o país a se revoltar contra o cenário caótico em que vivemos.

Os nossos padrões

Um dos cartazes mais utilizados durante as manifestações dizia “queremos hospitais padrão Fifa”. Esse padrão tão falado nada mais é que uma série de regras impostas pela instituição internacional para que os eventos saiam como previsto. E os cartazes estavam certos. Como está a saúde da sua cidade? Tem político enriquecendo demais por aí? Tem poderoso que abusa do dinheiro público? Então, assim não podemos ter padrão.

É possível ter um país com futebol rico e estruturado, e, ainda fazer uma Copa do Mundo espetacular. Foi assim na maioria dos países que organizaram o evento até hoje. O nosso problema não é ter estádio moderno, ele está em outro lugar: nos ratos infiltrados nas prefeituras, governos e federação. Ratos que você, leitor/eleitor, e eu, muitas vezes colocamos lá ao acreditar no sorriso falso de quem vai te roubar no futuro e ainda tem até quem venda o voto.

Quem sofre com a corrupção é você, sou eu. O Brasil tem dinheiro para melhorar em todos os setores, mas a quantia que deveria ser investida em macas, ambulâncias, médicos e equipamentos, viram jatinhos e carro importados no bolso dos corruptos.

Eu amo futebol e não deixei de torcer pela seleção nas Confederações, mas me manifestei contra o que acontece de errado nessa terra. E assim tem que ser daqui para frente, faça o que gosta, seja quem é, mas saiba que a sua vida pode ser melhor. Não há motivos para aceitar ser roubado, enquanto os filhos deles têm as melhores escolas e planos de saúde, os seus tem que esperar cinco horas na fila da Unidade de Pronto Atendimento. Somos todos iguais e devemos exigir isso. Há vida após a partida de futebol e o país está provando isso.

E se acha que a administração do seu prefeito está boa, grande coisa. Ele ganha muito bem para fazer isso e não cumpre mais que a obrigação. Torça pelo seu time, chore nos gols e nas superações, mas não defenda, jamais, quem deixa a sua vida pior. Afinal, o país funciona como a seleção, tudo o que é ruim tem que mudar, mas o que é bom pode sim melhorar. Ou o time do Felipão vai ganhar a copa sem mudanças? Acho que não.

E de uma vez por todas, faremos nosso país melhor por meio do que somos melhores, a bola em campo.

(Coluna publicada na edição impressa da Gazeta do Interior na edição de julho de 2013)

(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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