DESCASO: Médico faz exame na base do “olhômetro” em paciente com Meningite

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Jonas Garcia

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Um médico de Tabapuã realizou exames em um paciente na última semana na base do “olhômetro”. O operador de máquinas R.A.R.S, 33 anos, foi internado no Hospital Maria do Valle Pereira sentindo fortes dores no corpo, dor de cabeça e febre. O médico clínico geral, José Pedro de Toledo, atestou através de um simples olhar que o paciente não apresentava gravidade no quadro clínico.

Segundo a esposa do paciente que preferiu não se identificar para não sofrer represálias na cidade, o marido ficou internado até a sexta-feira (29), sem saber qual a doença. “Ele ficou internado fazendo vários exames como de sangue, urina, raios-X e etc, mas nenhum deles apresentava nenhum tipo de doença, segundo o médico”, conta a esposa.

A mulher fala que ao tirar o líquido da espinha, Toledo olhou e disse que o líquido estava bom. “Fui falar com o médico pra saber se realmente o exame não foi levado para a análise e ele me confirmou através de um papel que fez o descarte por que a coloração do líquido estava boa”, diz.

Ainda na sexta-feira o paciente foi levado para o Hospital São Domingos na cidade de Catanduva (SP), onde refez todos os exames, inclusive o de retirada do líquido espinhal que comprovou que o paciente estava com meningite viral.

Meningite é uma infecção que se instala principalmente quando uma bactéria, ou vírus, consegue vencer as defesas do organismo atacando as meninges, a medula espinhal, três membranas que envolvem e protegem o encéfalo e outras partes do sistema nervoso central. Os sintomas se assemelham aos das gripes e resfriados e o risco de sequelas cresce à medida que se retarda o diagnóstico e o início do tratamento. As lesões neurológicas, dependendo do caso, podem levar à morte.

Até o fechamento desta edição, dia 5, o paciente permanecia internado no hospital em Catanduva e não corre mais risco de morte. “Graças a Deus descobriram o que ele tem e agora estão tratando. O médico que está cuidando dele não acreditou que o exame com o líquido da espinha não foi levado para a análise. Ele disse que a nossa sorte é que a meningite é do tipo viral e não bacteriana”, diz.

A esposa ainda conta que ao precisar de uma ambulância do município, teve que ir para Catanduva segurando o soro, pois o veículo não tinha o suporte e não foi acompanhado por nenhum enfermeiro ou paramédico. Tabapuã à Catanduva fica cerca de 30 km de distância. “Cheguei ao hospital em Catanduva com o braço doendo de tanto segurar o soro do meu marido”, fala.

Nossa reportagem procurou o médico no hospital da cidade e no consultório particular, mas foi informada de que o médico não estava no município.

(Foto: Jonas Garcia)

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