Desaquecimento imobiliário em Bady Bassitt deixa centenas de casas fechadas

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O fim da construção de um dos maiores shoppings da região noroeste do Estado fez com que o mercado imobiliário de Bady Bassitt despencasse e centenas de casas ficassem desocupadas ou à venda. A obra em São José do Rio Preto, há cerca de sete quilômetros da cidade, trouxe milhares de trabalhadores para o município, mas com a conclusão do prédio, esses funcionários se mudaram e os preços dos aluguéis e imóveis ficaram fora do padrão da realidade.

A situação na cidade, segundo os donos de imobiliárias, está cada vez mais preocupante, por que os moradores não estão habituados à pagar preços de aluguel tão caros como nos últimos tempos.

Por todas as ruas que nossa equipe percorreu é possível encontrar uma casa que esteja alugando ou vendendo. Conversamos com alguns vizinhos desses imóveis que afirmaram que muitos deles estão fechados há mais de dois anos e não conseguem ser alugados.

Um levantamento feito pela Gazeta nas três principais imobiliárias do município aponta que existem hoje cerca 100 cassas para alugar e mais de 150 casas à venda . Os valores desses imóveis variam de R$ 80 mil a R$ 650 mil. O que chama a atenção é que a casa anunciada por R$ 80 está apenas levantada a estrutura, sem portas, telhado ou qualquer acabamento.

Segundo os comerciantes desses imóveis, as casas mais caras que estão à venda não são de extremo luxo. Tem apenas três dormitórios, sala, cozinha e banheiro.
Para Adauto Alexandre Catelani, dono de uma das imobiliárias, o fim da construção causou esse espanto na população e fez com que esses imóveis ficassem tão caros. “Foi um impulso sem pensar. Os donos de imóveis acreditaram só naquele momento em vender e alugar mais caro por conta da obra e não avaliaram que o salário não subiu e os preços só foram aumentando por causa da grande procura. Hoje a realidade que estamos vivendo é bem diferente, pois esfriou essa procura e aqueceu o valor dos imóveis e aluguéis”, diz.

A imobiliária de Adauto aluga e vende imóveis. Os aluguéis das quase 100 casas à disposição praticados por eles variam de R$ 500 a R$ 3 mil. As casas à venda variam de R$ 80 a R$ 650 mil com até seis dormitórios.

Rafael Damasio também é dono de imobiliária na cidade. Para ele esse aumento nos preços tem as vantagens e as desvantagens. “Com a construção do shopping e a região forte tem ajudado, mas com o fim da obra essa procura desacelerou e fez com que esses imóveis ficassem encalhados e bem à cima do valor desejado pelo morador”.

Rafael diz que uma casa simples, com dois dormitórios, de até 50m² o valor mínimo custa R$ 130 mil. “Hoje não tem como vender um imóvel desse mais barato aqui na cidade por que se não tomamos prejuízo”, completa.

Claudia dos Santos Barbosa, secretária de outra imobiliária, diz que a casa mais barata à venda hoje onde ela trabalha hoje sai pelo valor de R$ 150 mil, também com no máximo dois dormitórios.

Esse avanço nos preços em ritmo descontrolado fez com que o estudante Daniel Porta comprasse seu primeiro imóvel em São José do Rio Preto. Procurando moradias pela faixa de R$ 140 mil, encontrou o imóvel dos sonhos na cidade vizinha pelo valor de R$ 145 mil.

Ele diz que os preços em Bady Bassitt estão fora do normal e que está compensando viver em Rio Preto pela quantidade de opções que a cidade oferece. “O apartamento que comprei tem dois dormitórios, área de lazer e segurança. Aqui em Bady além de não ter nada, o número de furtos e roubos só vem aumentando”, comenta.

O shopping que na época chegou a empregar quase 6 mil funcionários em sua construção, hoje está pronto e ainda contratando funcionários para lojas. Mesmo não havendo toda essa quantidade de pessoas envolvidas no andamento do comércio, muitas pessoas preferem morar em Bady e trabalhar em Rio Preto. É o caso da vendedora de uma loja de sapatos, Viviane Oliveira da Silva. Ela diz que prefere morar em Bady pela praticidade e por não enfrentar trânsito.

“Sei que o valor que pago de aluguel está fora da realidade, mas mesmo assim ainda prefiro pagar esse aluguel de R$ 650 do que ter que morar do outro lado de Rio Preto e ter que enfrentar trânsito todos os dias”, comenta.

Para o especialista em economia imobiliária, Cesar Augusto Passalaqua, para driblar a desaceleração do mercado imobiliário do município a medida agora é abaixar os preços. “Isso mostra o enfraquecimento da cidade. Em Rio Preto, por exemplo, onde existem obras ainda maiores do que a do shopping, a cidade mantém um padrão único de preço. Não adianta a cidade inflar os preços de imóveis e aluguéis só por que a procura aumentou. Tem que viver a realidade”, finaliza.

(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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