Depois de ficar parado mais de dois anos aparelho de ultrassom de Uchôa começa a funcionar

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Em maio do ano passado, a Gazeta do Interior denunciou que um aparelho de ultrassom que custou R$ 92 mil, estava parado no hospital e sem uso. No dia 8 de junho deste ano a prefeitura conseguiu, finalmente, colocar o aparelho para funcionar.

A denúncia feita pelo jornal mostrava a revolta da população da cidade em ter que aguardar anos pelo exame, além de ter que se deslocar para São José do Rio Preto sabendo da existência do equipamento novinho na cidade, sem uso. Na época, sem saber que estava sendo gravada, uma funcionária do Hospital de Uchôa confirmou para nossa produção que a cidade não realizava os exames.

Repórter: Aqui em Uchôa está fazendo ultrassom?

Funcionária: Ainda não, parece que compraram um aparelho, mas não sei se chegou, se está funcionando e nem sei se aqui um dia vai fazer.

Repórter: Mas onde que está fazendo? Quanto tempo têm que esperar, em média, para fazer o exame?

Funcionária: Está sendo feito no Ame em Rio Preto e olha, não vou te enganar, demora bastante. Compensa você pagar, viu?!

Dona Aparecida dos Reis é uma das pacientes que está na fila de espera para marcar ultrassom há mais de seis meses. Sentindo dores com frequência no estômago, ela aguarda realizar o exame para poder iniciar o tratamento. “Enquanto isso a gente fica aqui com dor e sendo enganada, sem saber quando vou fazer o exame. Já que comprou seria mais fácil e mais rápido fazer aqui sem ter que ir pra Rio Preto”, diz.

Segundo o Portal Transparência a empresa Toshiba Medical do Brasil LTDA forneceu o aparelho para Uchôa no dia 15 de abril de 2015 pelo valor de R$ 92 mil. Na descrição da compra aparece que o equipamento é de ultrassom para radiologia, obstetrícia e vascular, não portátil.

O então prefeito, José Claudio Martins, disse na época que estava tentando comprar o aparelho há alguns anos, mas como é um aparelho de média e alta complexidade, não é permitido para um município com menos de 20 mil moradores como é o caso de Uchôa que tem pouco mais de 8 mil habitantes.

“Depois de muita luta conseguimos comprar com ajuda de um deputado. Tivemos que fazer uma união com Bady Bassitt para dar a quantidade populacional. Com o recurso de R$ 92 mil, compramos também um laboratório. Na época o mais urgente era o laboratório. Então fizemos um pedido ao Sistema de Saúde para que repassasse o recurso das ultrassons que os municípios fazem para que Uchôa use essa verba para colocar o aparelho em funcionamento”, disse Cláudio.

Martins falou ainda que com a queda da arrecadação, o Estado não havia fornecido a verba e desde então o aparelho estava parado. Nesta segunda semana de junho, nossa reportagem pôde constatar o equipamento já em atividade.

Em entrevista a Gazeta, o prefeito de Uchôa, Will Carvalho, disse que o aparelho já está funcionando desde o dia 8 e que agora as pessoas também podem fazer o exame na cidade. “Conseguimos contratar uma empresa através de pregão que dá toda manutenção com especialista e nos reduz custos”, comenta.

A cidade que tem uma demanda de 90 pedidos por mês realiza apenas uma média de 40 exames de ultrassom no Hospital Ame ou ARE. Nas gavetas existem uma média de 1 mil pedidos desse tipo de exame que ainda não foram feitos.

Com o aparelho, o hospital da cidade acredita que essa fila será reduzida em até 80%, sabendo da demanda semanal do equipamento que é de 50 exames. “Com o aparelho funcionando vamos conseguir reduzir a fila, facilitar a vida do paciente que não precisará mais sair da cidade para ir até Rio Preto e além de tudo beneficiar ainda mais nossa população”, fala a enfermeira da regulagem, Marilia Barreiras Bizelli.

(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de junho de 2017)
(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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