Denúncia Exclusiva da Gazeta mostra comércio livre de drogas na praça da Matriz de Potirendaba

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Uma das principais reclamações que chega à Gazeta é a falta de iluminação em Praças Públicas de Potirendaba. Motivo que fez nossa reportagem realizar uma denúncia exclusiva do tráfico e consumo livre de drogas na principal praça da cidade.

Oito horas da noite, nossa reportagem estaciona o carro ao lado da Praça Matriz . Por conta do horário de verão, ainda não está totalmente escuro, mas com muito paisagismo e pouca iluminação, o local vira um ponto fácil tanto para o comércio quanto para o uso livre de drogas.

Nosso repórter desce do carro e vai em direção aos jovens. Sem saber que estavam sendo gravados, questiona onde que comprava maconha. Enquanto isso os três divide um cigarro da droga. Desconfiados, os jovens, entre eles um adolescente que aparentava no máximo, 15 anos, engasga e tenta disfarçar.

Um deles rapidamente se levanta do banco e pede para que o repórter o acompanhe. Os suspeitos não tem dificuldade em esconder o entorpecente e deixam em baixo de um dos bancos, pois a escuridão da área é o atrativo dos meninos.

_Repórter: Qual é o valor? _Vendedor: ‘Deizão’

Nosso repórter entrega o dinheiro ao adolescente e sai do local rapidamente para não ser identificado. Fato que chama a atenção é que a Central de Monitoramento onde fica um Guarda Municipal 24 horas é na esquina da Praça e mesmo assim não inibe a ação dos traficantes e usuários.

Encontramos no local um grupo de idosos sentado em alguns bancos do local. Perguntamos se é comum o encontro de usuários de drogas na praça e eles dizem que nunca viram nada igual.

“A cidade está ‘largada’. Sentamos aqui atrás da base da Guarda para ter um pouco mais de proteção, mas não adianta nada, ninguém nem olha pra cá”, diz um dos idosos.

Outro aposentado afirma que já foi ameaçado de morte por um dos meninos com um canivete. “Não adianta a gente sentar lá no meio da praça que alí eles acham que é o lugar deles. Quase levei um golpe de canivete na barrida de um menino porque sentei em um banco que eles queriam sentar”, fala.

LOCAL SERVE DE ORGANIZAÇÃO DE CRIMES

No dia 1º deste mês, três adolescentes foram detidos suspeitos de furtarem o departamento de Recursos Humanos da prefeitura de Potirendaba durante a madrugada. O trio confessou que planejou o crime na Praça da Matriz da cidade, durante a madrugada.

Segundo o departamento de investigações da Polícia Civil de Potirendaba, através de imagens de câmeras de segurança em volta do prédio que fica atrás do Ginásio de Esportes é que foi possível identificar os três.

Os computadores foram encontrados em um terreno baldio na Avenida Achiles Malvezi, a poucos quarteirões do local do furto. Os meninos confessaram o crime e disseram que venderiam os produtos para dividir o dinheiro.

Eles contaram aos policiais que era por volta de 1h e estavam na Praça Matriz quando decidiram praticar o crime. Eles entraram pela porta da frente e subtraíram os objetos.

Os adolescentes de 12, 14 e 15 anos foram levados para a delegacia onde prestaram depoimento e foram liberados aos pais. Eles responderão com base nos termos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), por ato infracional de furto qualificado.

A droga comprada dos jovens pelo nosso repórter será entregue junto à denúncia feita ao Ministério Público da cidade e também à Polícia Militar.

Outros pontos

Além da Praça da Matriz, praças como a dos bairros Rosário, Santo Antonio e José Afonso Amato infelizmente não servem como pontos de lazer e encontro. Moradores reclamam da falta de cuidados e principalmente da falta de iluminação.

“A gente gosta de sentar aqui à noite e conversar com os vizinhos, mas não tem mais condições. Muitos jovens vem fumar maconha do nosso lado e além do cheiro insuportável, só falam palavrões e ainda nos ofendem”, fala uma aposentada que mora ao lado da praça Santo Antônio e que prefere não ser identifica.

Denúncias chegam quase que diariamente através do aplicativo WhatsApp sobre praças da cidade com pontos de comércio e uso de drogas. Questionamos a prefeitura sobre a fiscalização destes locais pela Guarda Municipal, já que durante a produção desta reportagem, não vimos nenhum agente em nenhum destes locais.

A prefeitura disse em nota que a Guarda Municipal tem o principal papel zelar pelo patrimônio público. Sobre o furto ao RH, a nota diz que os agentes que trabalhavam naquela noite já foram ouvidos. Quanto à segurança nos municípios brasileiros o documento diz que a responsabilidade pelo patrulhamento preventivo é da Polícia Militar e a área investigativa é da Polícia Civil.

(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de dezembro de 2016)

(Foto: Jonas Garcia/Gazeta do Interior)

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