Crise e insegurança afastam turistas do Rio de Janeiro

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Um ano depois de ter sido o coração dos Jogos Olímpicos, a Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, enfrenta um outro desafio: ser um novo destino turístico da cidade e, dessa forma, ocupar os quartos ociosos dos hotéis construídos no bairro.

A crise está levando os hotéis, muitos deles de redes internacionais, a bloquear andares, fechar quartos e reduzir o número de funcionários e atividades para diminuir o prejuízo. Até 2010, a Barra da Tijuca tinha 3 mil e 500 quartos de hotéis e foram construídos mais 10 mil e 500 para receber hóspedes para a Olimpíada.

Além deles, quatro hotéis, no Centro e em Botafogo, na Zona Sul, fecharam suas portas desde o ano passado. Quem trabalha com turismo relata o desespero de ver uma das crises mais profundas do estado acabar com sonhos.

“Hotéis de maior porte principalmente na área da Barra da Tijuca, que tem 500 quartos, bloqueiam dois andares e funcionam com três. Como a ocupação está baixa, você pode funcionar com dois andares, ao invés de cinco, e com isso você tem um número menor na sua brigada de colaboradores. Você tem que fazer algumas adequações que significam cortes em determinadas brigadas para poder ter um ponto de equilíbrio mais abaixo para sobreviver”, afirma Alfredo Lopes, presidente da Associação Brasileira dos Hotéis do Estado do Rio de Janeiro (ABIH-RJ).

Segundo dados da instituição, a ocupação média dos estabelecimentos no mês de julho, temporada de férias, chegou a 40%, o que é considerado muito baixo pelo mercado da hotelaria.

Lopes afirmou que fechar quartos nos hotéis não é uma alternativa normal nas grandes cidades e destinos turísticos famosos em todo o mundo.

Euforia x prejuízo

No início de julho, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou que o aumento da violência fez o estado do Rio perder R$ 320 milhões nas receitas com o turismo. O valor equivale a 42% do total da perda do faturamento do setor (R$ 768,5 milhões) entre janeiro e abril de 2017, em comparação com o mesmo período de 2016.

 CNC informa que, para cada aumento de 10% na criminalidade, a receita bruta das empresas que compõem a atividade turística do Estado recua, em média, 1,8%.

Os segmentos ligados ao turismo mais afetados são hospedagem e transporte. A perda atribuída à violência em 2017 equivale ao faturamento de 4,5 dias do turismo na cidade.

O consultor da HotelInvest, Pedro Cypriano, diz que os projetos e investimentos pensados para a Barra da Tijuca ocorreram em um momento de “euforia”, com o país e o estado do Rio em pleno auge econômico. De acordo com Cypriano, esse cenário mudou e a recuperação será difícil enquanto a economia não decolar.

(Do G1)
(Foto: Luiz Aranha-arquivo)

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