Cresce participação de crianças e adolescentes em crimes na região

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É cada vez mais comum ouvir que uma criança ou um adolescente teve participação em algum tipo de crime. A entrada desses jovens na criminalidade tem aumentado não só aqui na nossa região, como também no país, sobretudo por meio do tráfico de drogas. No ano passado, o crescimento no número de menores apreendidos foi mais de duas vezes superior ao de prisões de adultos.

Segundo levantamento, só no estado de São Paulo, o aumento das apreensões de menores foi de 19,3%. Passou de 14.939 para 17.829. Os principais crimes cometidos por crianças e adolescentes no ano passado foram furto, roubo e tráfico de drogas.

Portanto, qual seria a possível explicação para essa imaturidade criminal? Especialistas explicam que a base familiar e falta de investimento por parte do governo na educação, são os principais fatores que influenciam na criação desses jovens infratores.

No dia 14 de agosto deste ano, três adolescentes com idades entre 12 e 15 anos foram apreendidos na Escola Municipal Maestro Antônio Amato, em Potirendaba, por apologia a facção criminosa e atos contra a polícia. O caso que ganhou repercussão nacional foi dado com exclusividade pela Gazeta do Interior.

Os jovens, com a ajuda de adultos e até mesmo dos pais, teriam desenhado o nome de uma facção criminosa e escrito palavras de ordem contra a polícia nas camisetas da própria escola em que estudam.

Dentre os desenhos, uma folha de maconha e um policial implorando para não ser morto estavam nos uniformes. Frases como “Matar os policiais é a nossa meta” e “Remédio de safado é bala” que são usadas pela facção, também estavam escritas nas camisetas dos adolescentes.

De acordo com a Polícia Militar, eles chegaram à unidade escolar vestindo as camisetas, em seguida teriam as colado nas mochilas e entrado na escola. Um agente da Guarda Municipal viu e chamou a polícia.

Os uniformes foram apreendidos e os menores liberados na presença dos pais. O caso foi encaminhado à Vara da Infância e da Juventude, onde agora os jovens deverão ser ouvidos.

Em São José do Rio Preto, a maior cidade do noroeste do Estado, um furto e um latrocínio, dois dos atos infracionais, também chamaram a atenção na região no último mês. Em um dos casos, cinco jovens, com idades entre 15 e 17 anos furtaram um carro e foram presos enquanto tentavam levar uma moto.

No outro mais grave, o músico, Renan Robert Danese, de 18 anos, foi morto a golpes de estilete após resistir a um assalto. Os autores: dois menores.

O adolescente de 15 anos que matou o Danese foi submetido esta semana à medida socioeducativa de internação em regime fechado, inicialmente de seis meses, na Fundação Casa.

A mesma pena foi imposta a outro menor, de 16 anos, que estava com o de 15 no momento do crime, mas com uma diferença: ele ficará no sistema de semiliberdade, em que irá passar os dias da semana em uma unidade da instituição e terá o direito de nos finais de semana ir para casa.

Segundo o juiz da Vara da Infância e Juventude de Rio Preto, Osni Assis Pereira, os registros aumentam conforme cresce a população, entretanto, a violência dos atos tem sido maior. “A gravidade no cometimento de atos infracionais tem aumentado a cada dia e com grande ato de violência”, diz.

Para o professor e sociólogo, Luciano Alvarenga, vários fatores influenciam para que esses jovens entrem para a criminalidade. “São vários os fatores. O colapso do sistema educacional público, falta de estrutura familiar e falta de estrutura do poder público, como atividades e ocupar o tempo desses adolescentes, são os principais motivos que favorecem esses jovens na criminalidade”, disse.

(Matéria publicada na edição impressa do mês de setembro do jornal Gazeta do Interior)

(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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