Corregedoria apura supostas agressões sofridas por casal dentro de delegacia em Irapuã (SP)

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Segunda-feira, 20 de abril de 2020

Um casal de Irapuã (SP) procurou a Corregedoria da Polícia Civil para denunciar um suposto caso de agressão sofrido por policiais da cidade dentro da própria delegacia. Marido e mulher tiveram a casa furtada, e, quando foram registrar a ocorrência, afirmam que foram espancados dentro da sala dos investigadores.

De acordo com o depoimento à Corregedoria, a mulher S.L.A.C. e o marido R.V.S., moram em uma residência alugada na cidade e por volta das 8h do dia 11 de abril, o proprietário teria invadido o local e ordenado que os dois desocupassem o imóvel. Ele afirmava que haviam dois meses de aluguel, contas de água e energia em atraso, o que não seria verdade, segundo a mulher.

Ela conta ainda que propôs ao dono adiantar o aluguel do mês para poder permanecer na casa, já que tem problemas de saúde e enfrentaria dificuldades para encontrar um imóvel diante da pandemia que o país enfrenta. O homem recusou, foi embora e disse que procuraria seus direitos.

Trecho do depoimento a mulher afirma que no dia seguinte teria passado o dia fora e, quando retornou, notou que o portão que dá acesso à varanda tinha sido arrancado, bem como a energia e água haviam sido cortadas e torneiras retiradas. Do imóvel o casal notou que uma televisão, um aparelho de som e várias peças mecânicas haviam sido levadas.

“Perguntamos para o nosso vizinho que contou que o dono da casa tinha vindo até aqui e feito isso. Nós ligamos para a Polícia Militar que orientou que registrássemos um boletim de ocorrência”. conta

No dia 13 de abril o casal procurou a delegacia de Irapuã para registrar o fato e então a Perícia Técnica compareceu no local. Trecho da declaração a mulher diz que, durante o registro da ocorrência, misteriosamente, a elaboração do BO teve que ser interrompida, pois, segundo o escrivão, “havia um problema no sistema” e então foi orientada a retornar no dia seguinte.

Após chegar em casa, o dono do imóvel teria começado a passar em frente à residência e mostrado uma arma para o casal. Em seguida os dois voltaram à delegacia, onde o proprietário chegou logo depois e ameaçou o marido dela dizendo que lhe daria um “tiro na cara”, sendo advertido por um policial militar que também estava alí.

Um dos investigadores pediu para que o casal ficasse na delegacia enquanto ele o proprietário iriam até à residência, cuja finalidade desconhece. Logo que retornou, o investigador começou a questionar sobre os antecedentes criminais do marido e então orientou para que os dois deixassem a casa.

No dia seguinte (14/04), o casal retornou à delegacia para finalizar a ocorrência, onde os policiais não queriam acrescentar no BO que o dono da casa teria ido até o imóvel armado fazer ameaças. Parte da declaração da mulher diz que, já finalizado o boletim de ocorrência, o escrivão pediu para que o casal esperasse em outra sala.

“Logo depois o investigador entrou, fechou a porta e passou a questionar meu marido porque ele entrou no barracão, onde ele afirmou que entra no local porque paga aluguel do espaço e tem ferramentas dele lá dentro”, fala a mulher.

Enquanto prestava depoimento, S. teria deixado o celular filmando, e, em parte da gravação, é possível ouvir o investigador questionando o homem. A Gazeta teve acesso ao vídeo, mas pelo fato do caso ainda estar sendo apurado, decidiu não divulgar o conteúdo.

_Homem: Entrei ué! Ele entrou na minha casa!
_Investigador: Quando ‘cê’ entrou?
_Homem: Entrei hoje.
_Investigador: Rapaz, você parece que é atrevido, caramba, puta que pariu. Ô rapaz, cê…
[gravação é interrompida]

Em seguida, a mulher afirma que o investigador desferiu um tapa no rosto do marido e um chute, onde ela tentou interferir e acabou também levando um tapa e um soco no rosto, que lhe causaram lesões. O casal teria começado a pedir socorro, onde a porta então foi aberta por um outro policial que questionou o que estava ocorrendo.

O investigador falou que teria sido desacatado pelo casal, o que não seria verdade, segundo a mulher. Bastante machucados, marido e mulher foram até uma Unidade Básica de Saúde (UBS) da cidade, onde uma médica constatou as agressões e emitiu uma declaração.

Ainda no mesmo dia, o casal procurou a Corregedoria da Polícia Civil em Novo Horizonte (SP) e registrou o caso. No dia 15/04, o homem afirma que passou a receber ameaças e acabou sendo atropelado por um dos homens que teriam invadido o imóvel.

Segundo o delegado que cuida do caso, Eder Galavoti Rodrigues, a conduta dos policiais vai ser investigada.

“Agora nós vamos instaurar inquérito para apurar o caso e se for o caso abrir sindicância interna para apurar eventual crime de agressão ou abuso de autoridade. Nós já ouvimos o casal e agora vamos dar prosseguimento nas apurações”, disse.

Nossa reportagem tentou contato na delegacia de Irapuã, mas pelo fato de nesta segunda-feira (20/04) ser ponto facultativo, não há expediente. Tentamos também contato pessoal com os policiais, porém eles não foram localizados pela nossa produção para comentar o assunto.

(Fotos: Arquivo pessoal)

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