Construção de sobrados em Potirendaba está abandonada há um ano e moradores estão sem respostas

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Existe um ditado que ‘quem casa quer casa’, mas alguns moradores de Potirendaba infelizmente não podem ter esse direito. Um ano depois a Gazeta do Interior voltou à obra de construção de dois condomínios de sobrados da cidade. O Residencial Itália I e II estão abandonados, sendo destruídos pelo tempo e virando alvo de criminosos, pois muito material como portas e janelas já foram furtados dos imóveis.

Frustração e angústia resumem o sentimento dos 135 proprietários do local. Com a obra abandonada, todos são obrigados a pagarem o chamado ‘seguro obra’, pois caso contrário, além de perder toda a entrada, também perdem a titularidade do imóvel.

A construtora contratada para a realização do empreendimento é a “CONSTRUNELLI IN WORKS”, que abandonou a obra em junho do ano passado e desde então o Banco do Brasil é quem assumiu a responsabilidade, já que é a instituição que também cuida dos financiamentos dos proprietários.

A obra é financiada pelo Programa Minha Casa Minha Vida do Governo Federal e o valor é de quase R$ 20 milhões. Cada imóvel foi adquirido pelo preço médio de R$ 95 mil, atualmente existem moradores desistindo do negócio.

Além de alvo de furtos, nossa equipe constatou que o local está servindo de abrigo para usuários de drogas. Abandonados desde maio do ano passado, segundo os moradores, alguns imóveis já estão erguidos, porém falta acabamento como pintura, por exemplo.

O Banco do Brasil disse no ano passado à Gazeta que, em julho de 2015, a empresa responsável pela entrega do empreendimento enviou carta ao Banco, comunicando o abandono da obra. Segundo trecho da nota, a instituição financeira já havia adotado as medidas no sentido de viabilizar a entrega da obra, com o acionamento do seguro para substituição da Construtora e auxílio aos adquirentes na organização da comissão de representantes, conforme prevê a lei do patrimônio de afetação.

A nota dizia também que o banco aguardava conclusão do registro cartorário da ata de formação da comissão de representantes para definição da continuidade da obra, regulação do seguro e demais providências a serem definidas em assembleia por essa comissão de representantes. Por fim, o Banco diz que se coloca à disposição dos moradores para que esse processo se conclua de modo a atender a expectativa de todas as partes.

Jhonatas Marques Ribeiro é um dos proprietários que aguarda a entrega da obra. Morando de aluguel, o rapaz conta que procurou agência do Banco do Brasil onde assinou o contrato, porém a informação é de que se trata de ‘informações sigilosas’ e que as obras serão reiniciadas o mais breve possível. “Eles se limitam e ficam dando respostas vazias para ganhar tempo em cima da gente. O que na verdade o Banco do Brasil quer é tentar se eximir ou limitar as responsabilidades”, diz.

A situação da professora, Daniella de Oliveira Scaranello, é ainda pior. Casada, sem ter onde morar, ela conta que está vivendo de favor na casa da sogra. “É uma situação muito desagradável e frustrante. Não tenho condições de pagar aluguel e o seguro obra”, explica.

Daniela fala que com a entrada e o Fundo de Garantia ela deu R$ 6 mil no total. A situação financeira foi apertando e há poucos meses ela deixou de pagar o seguro obra. “Agora tenho que ir lá para negociar, pois meu nome será negativado. É muito complicado você pagar uma coisa e nem saber se um dia vai ser seu”, diz.

Sem ter respostas de nenhum lado, os moradores realizam ligações no Serviço de Atendimento ao Consumidor do Banco do Brasil, mas eles dizem que as respostas são sempre as mesmas. Cansados de tanto esperar, a solução foi ingressar com ação no Ministério Público de Potirendaba.

O MP solicitou respostas ao Banco e cobrou que medidas fossem tomadas para o retorno da obra. De acordo com o promotor da cidade, Rodrigo Vendramini, no dia 23 de março deste ano, o Banco do Brasil respondeu algumas perguntas e uma audiência pública foi marcada para dar esclarecimentos ao MP e aos moradores.

Vendramini diz ainda que aguarda a designação da audiência pública, bem como, a possível aprovação pelo Banco do Brasil da construtora interessada no empreendimento.

Mais uma vez o Banco do Brasil respondeu de forma vazia. Em nota enviada ao jornal, a instituição afirma que vem cumprindo com todas as suas obrigações legais e contratuais até o momento em relação aos empreendimentos Residenciais Itália I e II e aguarda proposta da Comissão de Adquirentes, a fim de promover as ações necessárias para a retomada das obras. Questionado o que os adquirentes tem a ver com a paralisação das obras, o Banco do Brasil não respondeu.

Com a Construtora Construnelli nós tentamos contato pelos telefones e e-mails divulgados várias vezes, porém ninguém respondeu.

(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de junho de 2016)

(Fotos: Gazeta do Interior)

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