Como que o time do América acabou em nada mesmo com tantos investimentos?

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Por Eric Carvalho

Depois de sete anos de decadência, finalmente o fundo do poço chegou. Integrante da série A1 do Paulistão de 2007, o América de Rio Preto, sete anos depois, caiu para a última divisão do estado de São Paulo. Acaso? Surpresas do Futebol? Má sorte? Não, nada além de incompetência explica a descida sem fim.

Criado em 1968, o América se tornou, em pouco tempo, um dos maiores e mais respeitados times do interior. Os resultados dentro de campo fizeram a equipe ser até hoje, o time interiorano que mais disputou as principais divisões do Paulistão. O clube tem dois terceiros lugares na primeira divisão e dois títulos da segundona.

Segundona que em 1999 marcou um dos momentos históricos do Rubro. Na final da competição contra a Ponte Preta de Campinas, o estádio Benedito Teixeira, o Teixeirão, ficou lotado, cheio de torcedores de vermelho que balançavam pequenas bandeiras doadas pelo patrocinador da época. Eu, mesmo sendo de Votuporanga, estava lá e pude ver toda aquela magia. Ainda era uma criança e aquela partida ficou marcada na minha mente. Foi, sem dúvidas, uma das grandes incentivadoras para que eu me tornasse tão apaixonado pelo futebol.

Outro feito impressionante da equipe da nossa região foi a taça dos invictos dada pelo extinto jornal Gazeta Esportiva e conquistada duas vezes pelo time rio-pretense: uma em 1873 e a outra em 1999. O título era dado para o time do Brasil que ficasse mais tempo sem perder.

Sem dúvidas, um passado de glórias. O problema é que o América é um time, e um time é sempre administrado por pessoas, e elas, muitas vezes, tem interesses obscuros que sobrepõem o futebol, que ultrapassam as quatro linhas, e aí, o inocente escudo de futebol sofre pela incompetência dos comandantes.

Não cabe aqui citar nomes quem passou por lá sabe o que fez de errado. Não podemos culpar o último presidente, ou talvez o penúltimo, mas a soma de todos os diretores que passaram pelo América. Alguns usaram o clube como cabide político, se tornando vereadores e líderes partidários, enquanto o time afundava em dívidas e maus resultados.

Alguns outros tentaram crescer em federações, instituições ou até mesmo financeiramente, e o time? Ah… esse ficava para depois, esquecido debaixo dos interesses pessoais. Não há como excluir a culpa de todos que passaram por ali e deixaram dívidas e dúvidas.

Só não podemos considerar a torcida culpada. Em entrevista no programa “Ligado no Esporte” do SBT Interior, apresentado por mim em 07/04/2014, um dia após o rebaixamento à quarta divisão estadual, o atual presidente do América, Zé Branco, colocou entre os culpados, os torcedores, dizendo que faltou apoio por parte deles.

No mesmo programa, respondi que ele estava errado, afinal, quem vai sair de casa, deixar a família num domingo de manhã e pagar ingresso para ver o time chegar ao fundo do poço? É, presidente, precisa ser muito apaixonado e o torcedor, infelizmente, não administra nada.

Zé não tem culpa sozinho, ele pegou o time já em frangalhos, no sufoco, e tentou fazer um grande esforço para que a história fosse diferente, mas, infelizmente, a bomba estourou nas mãos dele. A bomba que, na verdade, tem que ser carregada pelo bando de aproveitadores que passou pelo clube no passado recente.

Agora, não há o que fazer. O fundo do poço está aqui e a água está fria, basta saber se na parte de cima há alguma luz ou vão colocar a tampa para que o América morra asfixiado lá embaixo. Pelos anos de glória, pela região e por Rio Preto, a nossa capital caipira que a vida em vermelho não se acabe e o melhor da história ainda seja escrito.

Eu topo participar do recomeço, e você?

(Foto: Divulgação)

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