Com fome de vitória: Presidente de time de futebol americano fala para a Gazeta sobre expectativas e metas

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“Fazemos de tudo, desde levar o uniforme para lavar e secar pós-jogo, até pintar o próprio campo para os jogos em casa. Aqui tem que ter vontade”. A declaração acima é de Matheus Camargo, presidente do “Rio Preto Weilers”, time de futebol americano de São José do Rio Preto, fundado em 2010, e que luta para se organizar, fortalecer e manter viva a chama de um esporte que a cada ano cresce no Brasil e atualmente conta com quase 7 mil praticantes da modalidade em todo território nacional.

Desde o início de 2015, como presidente dos “Weilers”, Matheus, que já passou por outros cargos na diretoria, além de ter jogado pela equipe, revela em entrevista especial para a Gazeta do Interior, quais expectativas, metas, dificuldades e sonhos, que agora como presidente, busca para a equipe se consolidar de vez no cenário estadual e brasileiro.

Com a mudança de diretoria, quais as ambições da equipe para os próximos anos?

Matheus – Primeiramente vamos assinar o novo estatuto, que está pronto para formatar a nova diretoria dos “Weilers”. Isso é um passo importantíssimo para o nosso crescimento. Nossa intenção é que a cada dois anos, aconteça uma mudança de direção na presidência da associação, por isso essa preocupação de começar um trabalho bem organizado. Nosso planejamento é para em dois anos sermos campeões estaduais.

Quais campeonatos que a equipe disputa?

Matheus – Jogamos o paulista, que tem hoje 22 equipes e o brasileiro que conta com 30 times, mas no Brasil existe uma liga muito forte que tem o nome de “Torneio Touchdown”. Queremos chegar lá, para isso precisamos de academia para treinar e patrocinadores, pois somente a inscrição para a liga estadual é de R$ 650, mais R$ 450, cada jogo, para a taxa de arbitragem.

Quanto é o custo de um equipamento para o jogo?

Matheus – Nossos equipamentos são mesclados entre novos e velhos, que são de 2012. Digo velho, porque nos Estados Unidos, por exemplo, eles utilizam o material um ano e já aposentam. Hoje para montar um equipamento de qualidade, o custo fica entre R$ 800 a R$ 1.800.

Quais as maiores dificuldades que o “Rio Preto Weilers” enfrenta?

Matheus – Costumamos dizer que é mais fácil jogar fora de casa, do que em casa, porque não conseguimos nos concentrar somente na partida devido ao trabalho que temos que fazer para receber os jogos e oferecer as mínimas condições exigidas para os adversários. Fazemos de tudo, desde levar o uniforme para lavar e secar pós-jogo, até pintar o próprio campo para os jogos em casa, que é outra situação que nos preocupa. Já jogamos tanto no Anísio Haddad, quanto no Teixeirão, mas o que queremos é um campo próprio. Existem vários na cidade, mas é difícil, já negociamos e perguntaram se nós tomávamos conta. É o que a gente quer, dá um campo pra gente, que a gente cuida.

Mesmo com essas adversidades, você sente apoio da cidade?

Matheus – Sinto sim. A torcida sempre comparece em nossos jogos e o apoio que recebemos de todos é grande. O que falta e estamos buscando é fortalecer essa nova estrutura para crescer mais e buscar um apoio maior com patrocinadores e interessados. A Smel, por exemplo, nos ajuda com as viagens e os uniformes, na UNIRP temos a fisioterapia gratuita para os atletas, mas mesmo assim, cada jogador do time contribui com R$ 20, para ajudar nas despesas.

E como está a montagem do elenco para a próxima temporada?

Matheus – Atualmente temos 25 jogadores. Nosso técnico principal e coordenador de ataque é o José Elias, enquanto que o Murilo trabalha como coordenador de defesa. Como o futebol americano é um esporte democrático, ele tem espaço para todos. O grande, o pequeno, o gordo, o magro, todos, porém tem que existir dedicação em todas as posições. O cara tem que treinar fazer academia, querer realmente jogar. Não é um lazer de final de semana, levamos a sério, então é preciso dedicação.

Como vê a modalidade no Brasil atualmente?

Matheus – Um crescimento muito rápido, principalmente com a internet e a TV que facilitaram o acesso as informações. O esporte é um jogo inteligente e quando as pessoas percebem isso, mais interesse gera. Hoje temos em torno de 6 a 7 mil jogadores no país e acredito que em um período de cinco anos podemos estar entre os cinco esportes do Brasil. Para alavancar mesmo, acho que no momento que chegar um brasileiro, que não seja kicker (chutador), na NFL, a principal liga de futebol americano do mundo, o negócio vai.

Em quanto tempo você acredita que o esporte pode alcançar um nível profissional no país?

Matheus – Acho que para chegar a um nível profissional ainda vamos precisar de uns 5 a 10 anos.

Quais projetos que os “Weilers” têm para ajudar no crescimento do time e do esporte?

Matheus – Em janeiro, por exemplo, faremos dois finais de semana de clínica com oito treinadores americanos, para cada posição. Lá o participante terá alojamento, cozinha e toda a estrutura. Esse tipo de evento ajuda muito, pois faz com que o interessado aprenda técnicas, leitura de jogo e principalmente a entender melhor o jogo. O “Weilers” cresce muito com isso. Outra atração da clínica será o treinador Greg Booth, que já foi nosso técnico. Nosso plano é reunir os jogadores e formatar o que queremos e buscamos para o próximo ano.

Qual é sua meta para os “Weilers”?

Matheus – Meu sonho para o “Weilers” é conseguir uma estrutura consolidada e investimentos em longo prazo, que nos permitam esse crescimento. Queremos fazer um projeto social, com categorias de base e parcerias com as faculdades, como nos modelos americanos em que os alunos ganham bolsa de estudos para jogar na equipe. Com uma base montada, em um período de médio prazo teríamos um time sempre competitivo e a revelação de novos jogadores.

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