CASO KAIQUE: Menino que passou três meses entre a vida e a morte já está em casa

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“Deus me deu meu filho de volta”. Esse é o desabafo do pedreiro, de 45 anos, Aloizio Ramos da Silva, pai do pequeno Kaique Silva, o garotinho que comoveu Potirendaba depois de lutar pela vida três meses na Unidade de Terapia Intensiva no Hospital da Criança e Maternidade (HCM). A doença ainda não foi diagnosticada, mas o menino que chegou a pesar 13 quilos, já está em casa e se recupera bem.

Um pouco tímido, o garotinho que hoje já está com pouco mais de 20 quilos recebeu, ao lado do pai, a equipe da Gazeta. No dia 29 de junho Kaique completou 8 anos e ganhou uma festa de boas vindas e ao mesmo tempo de aniversário.

“Eu não pude comer muita coisa por causa da minha dieta alimentar, mas fizeram um bolo especial pra mim. Foi muito bom”, fala Kaique que listou para nossa reportagem a quantidade de presentes que ganhou. “Bola, carrinho, vídeo game, bicicleta, um monte de coisa”, diz.

O pai conta que no hospital o filho chegou a pesar 13 quilos e saiu pesando 16,550 kg. “Agora ele está tomando um leite especial para nutrição. Tudo o que ele comia ele não segurava no intestino. Vivia à base de soro o tempo todo”, fala Aloizio.

O pedreiro que deixou o serviço para cuidar do filho, tem outras três filhas que não moram com ele. Na casa simples do bairro Vila Scarpelli, mora o pai e o menino que sonha em ser jogador de futebol. Questionado qual time que ele torce, pai e filho riem: “Corinthians”, fala Kaique.

“Não tenho nem palavras para descrever a emoção que eu sinto. Deus me deu meu filho de volta. Todo mundo que viu a história dele fala que a recuperação dele foi um milagre”, diz o pai.

Durante o período em que o menino ficou internado no HCM, medicamentos foram trazidos da França para o tratamento dele. O diagnóstico de uma bactéria que ainda é um mistério para a medicina mundial e que até hoje é incerto, causou uma pneumonia, perfuração de intestino com hemorragia e as manchas pelo corpo da criança.

O caso de Kaique segue sendo estudado pela equipe médica da Fundação Faculdade Regional de Medicina, (Funfarme). “Eu sinto saudade das pessoas que me atenderam, foram maravilhosas comigo”, conta Kaique que disse que na sua saída, um cordão com os profissionais que cuidaram dele foi formado no corredor aplaudindo o garoto.

Aloizio fala que devido à repercussão do acompanhamento do caso de Kaique pela Gazeta do Interior, dezenas de pessoas ajudaram o menino. “Chega ajuda aqui de todo lado. Vem pelo Correio, pessoalmente. Agradeço muito o jornal e todas as pessoas que tem ajudado. Cada lata de leite que meu filho precisa tomar custa cerca de R$ 550 e até agora, com a ajuda dessas pessoas, não tem faltado nada. Muito obrigado”, diz o pai.

A doença:

O mistério da doença de Kaique começou no dia 23 de fevereiro quando a criança apresentava apenas febre e dor em uma das pernas. Encaminhado para o Hospital de Potirendaba, ele realizou hemograma e chegou a apresentar sinais de infecção, porém, até então desconhecida.

Dias foram se passando e a situação do menino se agravava cada vez mais. Manchas começaram a surgir pelo corpo, até que ele já não conseguia mais andar e teve que ser levado às pressas para o Hospital de Base de Rio Preto, onde ficou internado por três meses na UTI e um mês no quarto.

A suspeita:

Já internado em Rio Preto, na manhã do dia 4 de março, uma força tarefa com sete homens do Corpo de Bombeiros em duas unidades fizeram uma varredura em um barracão próximo a casa onde o menino vive boa parte do tempo com a tia.

A intenção que partiu da prefeitura da cidade era buscar alguma pista ou alguma suspeita do que pudesse ter causado tal doença em Kaique. Apesar de apresentar bastante sujeira, nada de químico ou produtos contaminados foram encontrados no local.

(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior no mês de julho de 2015)
(Foto: Diogo De Maman/Gazeta do Interior)

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