Caso Daniel: Padrasto que matou menino em Nova Aliança é condenado a 36 anos de prisão por júri popular em Potirendaba

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Diego Breciano, acusado de matar o enteado, Daniel Machado Dutra Manheze, no dia 14 de dezembro de 2012, foi condenado na tarde desta quinta-feira (23) a 36 anos de prisão. O júri popular aconteceu em Potirendaba na câmara da cidade por falta de espaço no fórum. Seis mulheres e um homem, dos 22 convocados de Nova Aliança e Potirendaba, foram sorteados para julgar o caso.

Marcado para começar às 13h30, o julgamento só começou 40 minutos depois por falta de energia elétrica. Após o início do júri, o promotor de acusação, Rodrigo Vendramini, dispensou todas as testemunhas de defesa e acusação.

Em depoimento, Diego contou que no dia do crime chegou no quarto e viu Daniel caído da cama. Pegou a criança com um corte na boca, deu banho nela e esperou a mãe do menino, Patrícia Aparecida Machado da Silva, chegar de São José do Rio Preto onde tinha ido no Poupa Tempo.

Questionado pelo juiz Marco Antônio Costa Neves Buchala, o porque da demora em socorrer o menino, ele disse que esqueceu a criança na cama. Naquele dia, Patrícia ficou em casa até 12h30 e depois foi para Rio Preto. Diego contou ainda que viveu uma relação conturbada com a mulher durante seis meses e confessou ser usuário de cocaína.

O réu foi acusado de homicídio qualificado por motivo torpe, com requinte de crueldade e impossibilidade de defesa. O promotor disse que orientado por seu advogado, Diego mudou a versão de que não teria matado o enteado e passou a dizer que o menino levou um tombo.

O advogado de Diego, André Alberto Nardini Silva, alega que o promotor usou da emoção para comover os jurados e pedir condenação. Durante os depoimentos Diego Breciano chorou por duas vezes, em uma delas quando o advogado afirmou que Diego era vítima de Patrícia e ela ameaçava ele falando que estava grávida dele.

A defesa disse ainda que as provas somadas no auto do processo foram feitas de qualquer jeito, como por exemplo, não pedir comprovação de que o sangue encontrado no banheiro se era ou não de Daniel e falta de acareação de Diego e Patrícia.

Depois de mais de três horas de julgamento, Diego foi condenado pelos sete jurados a 36 anos de reclusão. O advogado de Diego disse que vai recorrer da sentença e que não achou justa a condenação. “Foi fora do esperado”, disse.

Dalva Dutra Santana dos Santos, avó paterna de Daniel, disse ter ficado satisfeita com a condenação e que Deus fez justiça. “No país que todos acreditam que não tem justiça, Deus fez justiça. Muitos falavam em pena de morte, mas Deus é maior e vai fazer com que ele pague pelo crime que cometeu”, disse.

Depois do julgamento, Elizabethe Dutra Santana, uma tia de Daniel se manifestou dizendo também que Deus fez justiça. Uma prima de Diego que ouviu ameaçou a mulher e disse que a pegaria fora da câmara. A tia registrou um boletim de ocorrência por ameaça.

O crime

No dia 24 de dezembro de 2012, Patrícia teria ido a Rio Preto e deixado Daniel, na época com dois ano, e o outro filho com o padrasto. Irritado com o menino chorando, Diego pegou Daniel e jogou três vezes contra a parede, segundo os laudos. O caso aconteceu em Nova Itapirema, distrito de Nova Aliança.

Naquele dia Diego tentava fugir da cidade com a ajuda do pai quando foi interceptado pela Polícia Civil da cidade. Ele foi preso em flagrante e para o delegado da época confessou que ergueu a criança na altura de seu peito e a jogou contra a parede por que ele não parava de chorar.

Dalva, a avó paterna, disse que o irmão de Daniel que presenciou o crime contou para avó que Diego amarrou uma toalha no pé, subiu em cima da cama e ainda deu vários chutes no menino após ele ser jogado contra à parede.

Daniel foi levado para o Pronto Socorro onde já chegou sem vida. Ele teve parada cardiorrespiratória por ficar mais de três horas esperando ser socorrido.

Por conta da comoção de populares e para preservar a integridade física de Diego, ele foi levado na mesma noite à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Rio Preto. Lá ele confessou novamente o crime. Segundo consta no processo, o banho dado pelo acusado no enteado seria para lavar as marcas de sangue no corpo do menino e ocultar as provas.

Após o crime Patrícia perdeu a guarda do irmão de Daniel que hoje está com o pai morando na cidade de Itapeva (SP). Patrícia que não voltou mais em Nova Aliança depois do crime, também está morando na mesma cidade em que o ex-marido.

“O que eu achei muito estranho de tudo isso é porquê a mãe não veio no velório do próprio filho. Se eu quem estivesse sendo acusada, poderiam me agredir que eu ia ver meu filho pela última vez sim. Que mãe é essa”, questiona a avó Dalva.

(Fotos: Heitor Dijalma e Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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