Casais que buscam filhos através de adoção e crianças em busca de pais: Onde esse caminho se encontra?

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Falar que adoção no Brasil não é algo fácil de se conseguir não é novidade pra ninguém, bem como a quantidade de pessoas que gostariam de poder adotar ser relativamente párea com a quantidade de crianças a disposição também não. No entanto vem a pergunta: Então porque esses casais não adotam essas crianças? A resposta é tão simples quanto a pergunta: Preconceito e Burocracia.

No caso da Joana Darc Gonçalves, (40), o processo foi um pouco mais rápido. ” Quando fui adotada não tinha tanta burocracia, então minha mãe adotiva simplesmente me registrou em seu nome.” Conta com bastante orgulho de ser adotada. ” Agradeço a cada minuto por ter tido a sorte de cair numa família como a minha” frisa.

Joana, nascida em Recife, foi adotada com apenas dois meses de idade após sua mãe biológica ir morar num prostíbulo da cidade e não ter condições de cuidar da pequena garota que tinha mais cinco irmãos. Através de amigos em comum, a pequenina foi parar nas mãos de sua então futura família.

“Hoje eu me pergunto, porque de todos os meus irmãos eu fui a escolhida, talvez porque eu tenha a pele negra e meus irmãos não. Vai saber? No entanto, desde pequena sabia que era adota, minha mãe e minha avó (adotiva) supriam todas as minhas necessidades, carinho, educação, comida, casa…enfim, fui e sou muito agradecida a elas” conta.

Ao ser perguntada se ainda mantém contato com seus irmãos ou com sua mãe biológica, Joana disse que perdeu suas mães em 2010, mas que sempre teve contato com ambas, no entanto, chamar de mãe só a adotiva e que de lá pra cá pouco tem falado com seus irmãos de sangue.

Se Joana teve sorte ao ser encontrada ainda bebê e ser adotada por uma família, muitas crianças crescem sem a presença dos pais ou de familiares em lares e abrigos como o de Tabapuã, conhecido como Casa Amiga, mantido pelas prefeituras de Tabapuã, Catiguá e Novais por abrigar crianças, cujo os pais perderam a guarda por diversos motivos. Nesta casa, sempre há crianças de várias idades desde os bebês até adolescentes. Este ano por exemplo, com o apoio do comércio local e diversos voluntários, uma das internas ganhou uma festa de 15 anos com direito a príncipe e valsa.

E é na “Casa Amiga” que conhecemos o pequeno Nicolas, que hoje ganhou um lar e tem alguém para chamar de pai e mãe.

Giovana Prandini (39), professora de ensino fundamental em Tabapuã é essa pessoa que Nicolas chama de mãe há quase dois anos juntos. Segundo a professora, foram anos de tentativa para engravidar, mas nunca dava certo, até que ela e seu marido resolveram adotar uma criança. ” Após várias tentativas resolvemos adotar uma criança, mas como a maioria das pessoas que entram na fila de adoção, queríamos um bebê, até que um amigo nos disse para parar com isso e que se conseguíssemos uma criança com dois, três ou qualquer outra idade, íamos amar da mesma maneira.” conta Giovana.

Segundo a professora, o processo de adoção não foi nada fácil e bastante demorado. ” Primeiro demos entrada com os papeis no Fórum da cidade. Pediam várias coisas, muitos documentos, chegaram pedir até fotos da minha casa com imagens da área externa e interna, holerites, documentos e muitas outras coisas. Minha sorte foi que minha irmã advogada nos auxiliou muito nesse processo”.

Três anos após o casal dar inicio ao processo de adoção, Nicolas entrou nessa história. ” De ínicio, houve o período de adaptação, para ver se ele se adequava a gente e se a gente se adequava a ele.” diz a professora que continua: ” Ele tinha dois anos e todo final de semana íamos buscá-lo na casa amiga, devolvendo-o no domingo a noite, porém com o tempo, isso foi nos desgastando e fazendo mal a ele. Nos demos super bem e quando chegava o dia de ir embora tanto eu, quanto ele ficávamos mal. Ele ficava nervoso, em mim dava dor de cabeça até o dia que o juiz enfim deu a sentença e a guarda dele pra gente.”

“Foi um momento inesquecível quando recebi a notícia, realmente mágico e decidimos desde o primeiro momento deixar claro pra ele que é adotado. No aniversário dele, convidamos os irmãos dele. ( Alguns ainda estão na casa amiga) e o Nicolas é ciente de tudo” afirma a mãezona com os olhos cheios de lágrimas ao lembrar que desde o primeiro momento ouviu do garotinho a palavra Mãe. ” Ele sempre nos chamou de Mãe e Pai. Ele é muito carinhoso, é carente e nós também!”

Embora Nicolas tenha sido adotado com 2 anos, muitas crianças com essa idade ou mais já não conseguem um lar, segundo o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), das 5,4 mil crianças e jovens para adoção, 4,3 mil ( 80%) estão com mais de nove anos.

 

(Foto: Arquivo Pessoal)

 

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