Caminhões de cana causam transtornos à moradores de Potirendaba

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Usina de cana-de-açúcar é sinônimo de progresso, desenvolvimento, geração de renda e emprego. Porém, é sinônimo também de frustração e transtornos. Caminhões utilizados no transporte da cana até a usina têm causado problemas aos moradores de Potirendaba e o que era para ser sonho, virou pesadelo.

Estamos falando da estrada que liga Potirendaba ao bairro Vila Nova, onde fica instalada a usina da cidade. Famílias que moram próximas à estrada de terra que serve de desvio para os caminhões não tem mais paz.

Na estrada Augusto Lança, que liga a cidade à usina falta acostamento, sinalização, lombadas e até mesmo conservação. O asfalto é precário e está bastante esburacado.

Poeira o tempo todo, plantas morrendo, falta sinalização e até animais de estimação mortos pelos caminhões. A aposentada, Conceição Rede Colatruglio é uma destas vítimas.

Ela assiste da varanda de casa os inúmeros caminhões bi trem que passam na rodovia dia e noite. O peso com as toneladas de cana que os veículos transportam, provocam poeira, barulho e muitos prejuízos.

“O que era para ser meu sossego virou meu pesadelo. É dia e noite esses caminhões passando aqui na frente de casa, já mataram meus dois cachorros, angolas, em contar que minha casa tem que viver trancada. O ar condicionado temos que fazer manutenção e limpeza há cada 15 dias. Toda vez temos que pagar R$ 130”, diz Conceição.

A filha, Rita de Cassia Colatruglio é quem limpa a casa. Ela conta que acaba de limpar e os móveis já estão todos sujos novamente. “Eu tenho que limpar a casa todo dia, não dou conta. A poeira fica no ar e como eles não jogam nenhum caminhão de água para abaixar a poeira, vivemos nesse transtorno”, diz.

Os transtornos não são apenas nas residências, mas no campo também. Antonio Carlos Colatruglio é pecuarista e mostra o pasto todo prejudicado por conta da terra. “A poeira atrapalha a pastagem, pois o gado não come e emagrece. Eu adubei o pasto, mas eles (usina) passam veneno e mata tudo”, diz.

Luciene Pedrão também é uma das que não aguenta mais sofrer com os veículos. Ela conta que uma cachorra dela também foi atropelada pelos caminhões. “Não posso ter sofá, almofada, tapete. É uma situação totalmente frustrante, pois a gente vive afastado da cidade pra ter sossego e é atormentado dia e noite com esses caminhões”, diz.

Os veículos utilizam a estrada de terra na frente da casa desses moradores como alternativa para não passar por dentro da cidade. A solução para o problema, segundo estes moradores, seria a construção da estrada em outra propriedade, poucos metros à frente.

A Cofco Agri informou em nota que toma e sempre tomou todas as medidas necessárias para minimizar o impacto gerado pela poeira que atinge as populações circunvizinhas às suas operações, principalmente nos períodos de longa estiagem. Trecho da nota diz que todos os seus motoristas são treinados para dirigir de acordo com as normas de trânsito e respeitar os limites de velocidade.

Diz ainda que são disponibilizados pela empresa caminhões pipas para molhar as ruas, muitas vezes, em vários horários ao longo do dia. Finaliza dizendo que todas as medidas que estão dentro de suas possibilidades são e serão sempre avaliadas.

A prefeitura de Potirendaba enviou nota à Gazeta informando que realizou reunião com representantes da Usina, com assuntos em discussão sobre vicinal Augusto Lança. Trecho da nota diz que a construção da vicinal foi uma parceria púbica privada, com iniciativa da Usina e com a participação do Governo do Estado e Prefeitura.

Disse ainda que a manutenção da estrada é de responsabilidade da Prefeitura, mas como a Usina utiliza o trecho com intensidade, essa conservação vem sendo feita em parceria.  Por fim diz que serão realizados estudos e orçamentos para que as providências possam ser tomadas o mais rápido possível.

“Meu sonho foi construir essa chácara para morar, mas penso em vender tudo e ir embora. Isso aqui está acabando com tudo, inclusive com a minha saúde”, finaliza Conceição.

(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de junho de 2016)

(Fotos: Gazeta do Interior)

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