Caminhões cruzando as cidades tiram o sono e o sossego dos moradores

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O tráfego de caminhões de grande porte dentro das cidades da região tem deixado moradores revoltados. A falta de anéis viários para desviarem esses veículos do centro dos municípios está causando revolta e transtornos para a população.

Nas três principais cidades de circulação da Gazeta, Potirendaba, Tabapuã e Uchôa, esses veículos utilizam, como rota, as ruas principais do centro para poderem atravessar esses municípios e seguir seus destinos.

Porém, o que tem tirado o sono dos moradores dessas cidades é o aumento no número de caminhões e passarem por essas ruas dia e noite. Além de incômodo, esses veículos que pesam milhares de toneladas provocam rachaduras nas casas, além de atrapalharem o trânsito.

Em Potirendaba comerciantes, moradores e motoristas se sentem incomodados com o tráfego intenso desses veículos. A cidade possui uma usina de cana de açúcar, duas fábricas de refrigerantes e fábricas de postes, sendo que a maioria delas fica instalada no distrito industrial do município.

Para escoar essa produção e para ela ganhar a principal rodovia da região, a Washington Luís, é necessário que toda essa carga atravesse o centro da cidade, para poder seguir pela Vicinal João Neves e enfim chegar à rodovia.

Rota alternativa seria a construção de um anel viário na entrada da cidade, ao lado do Cristo Redentor, e ligasse ao Distrito Industrial, como mostra a arte. Uma obra com valor significativamente alto para o município de Potirendaba, porém, seria também a de maior relevância.

Quem convive há mais de 30 anos com esse problema, sabe bem o que é, literalmente, dormir com o inimigo. A aposentada Elza Daniel, mora ao lado da praça da Matriz, na avenida Maestro Antônio Amato e conta que se tirasse os caminhões, tudo seria diferente.

“Se tirasse, teríamos paz. É de madrugada, de manhã, de tarde, de noite esses caminhões atravessando dentro da cidade. Tem dia que eles não conseguem nem virar aqui na esquina, de tão grande e pesados que são”, conta.

O empresário Renato Cesar Rogério que tem uma gráfica na entrada de Potirendaba reclama do barulho e da poeira. “Aqui a gente não consegue falar no telefone porque é um barulho ensurdecedor. Tem que limpar aqui direto por causa da poeira que esses caminhões causam”, diz.

Na esquina da empresa de Renato, a Gazeta mostrou no ano passado que um poste estava caindo porque quando os caminhões fazem a curva, batiam nele. A estrutura que era de cimento estava toda trincada e correndo risco de desabar sobre os carros.

Além do incômodo de barulho e poeira, o que mais preocupa a população são os estragos que o peso desses caminhões podem causar nas estruturas das casas. Para o engenheiro civil, Thiago Araújo Pimentel, que também mora em Potirendaba e enfrenta os mesmos transtornos, um dos mais prejudicados da história é o asfalto da cidade.

“A camada asfáltica é a principal prejudicada, pois o asfalto da cidade é para suportar veículos leves, diferente das rodovias e consequentemente esburaca mais facilmente. Esses veículos pesados tem maior trepidação, o que prejudica não só as paredes da casa com rachaduras, mas toda a estrutura do imóvel”, comenta.

Thiago fala ainda que a construção de anel viário para cidades pequenas é uma obra de valor alto e que o município não teria condições. “A solução é usar rotas alternativas, as usinas cortarem por estradas de terra, por exemplo. Isso já contribui e muito”, diz.

Em nota, a prefeitura de Potirendaba informou que existe um projeto do Anel Viário pronto e está protocolado junto ao Governo Federal e Estadual, somente aguardando resposta da liberação de verba, porém não informou local e nem valor estimado da obra.

Uchôa:

Em Uchôa a situação é um pouco diferente. Dentro da cidade é proibido o tráfego de caminhões, mas também não há anel viário construído.
A rota usada pelos motoristas é uma estrada de terra que liga o bairro São Miguel à vicinal que vai para Tabapuã.

Segundo a prefeitura, na cidade existe uma lei municipal de 2009 que proíbe o tráfego de carretas, caminhões e treminhões sujeito a apreensão do veículo e aplicação das penalidades de acordo com o Código Nacional de Trânsito (CNT).

Tabapuã:

Em Tabapuã, o problema de caminhões passando pela cidade também é vivido pelos moradores. Quando a Avenida Ângelo Ulian foi construída servia como rota de desvio de caminhões de grande porte, no entanto, com o passar dos anos casas em torno foram sendo construídas, como por exemplo, o bairro Cohab IV que sofre com os transtornos.

Segundo a prefeitura da cidade, um desvio que passa fora do perímetro urbano está em fase de construção, já em processo de finalização. A rota será entre as vicinais que ligam os municípios de Uchôa e Catiguá.

(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de janeiro de 2015)
(Fotos: Luiz Aranha/Gazeta do Interior

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