Caminho Suave: Construções de creches na região estão devagar ou abandonadas

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Falta de vaga, creches lotadas e distantes de casa. Tudo isso poderia ser solucionado se as inúmeras obras de creches na região estivessem em andamento e não paradas. Construções que estão paradas há anos, ou caminhando a passos lentos, quase parando.

Unidades essas que deveriam oferecer a educação infantil, primeira etapa da educação básica, onde ajuda no desenvolvimento físico, psicológico, intelectual e social da criança, complementando a ação da família e da comunidade. É oferecida gratuitamente em creches ou instituições equivalentes para crianças de até três anos de idade e, posteriormente, em pré-escolas para crianças de quatro a cinco anos.

De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, organizado pelo MEC, as creches e pré-escolas devem educar, cuidar e proporcionar brincadeiras, contribuindo para o desenvolvimento da personalidade, da linguagem e para a inclusão social da criança. Atividades como contar histórias, oficinas de desenho, pintura e música, além de cuidados com o corpo, são recomendadas para crianças que frequentam a escola nesta etapa.

Segundo dados do Censo da Educação Básica divulgados pelo ministro da Educação em fevereiro desse ano, no Brasil há 2.730.119 crianças matriculadas em creches. No caso das crianças a partir de quatro anos, matriculadas na pré-escola, tem 4.860.481.

Número que poderia ser ainda maior caso esses elefantes brancos estivessem prontos, ou pelo menos em andamento.

Potirendaba

Nossa primeira visita foi na unidade do Residencial Veneza, na rua Severino Ariosi. A placa que indica valores e datas da obra já foi apedrejada por vândalos e é quase impossível ver as características do que está recebendo verba pública. O que ainda da para saber é que a construção teve início no dia 28 de maio de 2012 e que a previsão para entrega seria no dia 28 de fevereiro de 2013.

A creche que na placa estava orçada em R$ 1.293.370,08, segundo a prefeitura, já custou R$ 1.329.128,29. R$ 35.758,21 mais do que o previsto. Valores estes que, aparentemente, só foram usados para erguer as paredes e fazer o contra piso, pois tudo está abandonado.

Qualquer pessoa tem acesso ao imóvel em construção, pois não há nenhum tipo de cerca que impeça a entrada de pessoas. No interior do prédio encontramos preservativos usados, latas de cerveja e entre outros objetos. Sinal de que o local que deveria receber alunos está recebendo outro tipo de público.
A escola de ensino infantil tem capacidade para atender até 130 crianças. A obra tem investimento do Governo Federal e segundo a prefeitura deve só ser entregue em junho de 2015, mais de três anos após o início da construção.

A segunda unidade visitada foi a creche do bairro Jardim dos Eucaliptos, na rua Felisberto Valezzi. A obra até agora custou R$ 583.029,08 e também está parada. No dia em que nossa reportagem esteve no local, apenas um técnico instalando para-raios foi encontrado.

O local que, segundo a prefeitura só deve ser entregue em janeiro de 2016, aparentemente está pronto, falta apenas jardinagem, o portão de entrada e os móveis. Nós encontramos dentro da unidade colchões, roupas de cama e condimentos para cozinhar alimentos. Sinal de que alguém esteja morando no interior da creche.

Potirendaba hoje felizmente não há reclamação de falta de vagas em creches, mas com as duas novas desafogariam as duas unidades já existentes e facilitaria para as crianças ficarem mais próximas de suas casas.

A creche Duca, do bairro Jardim das Hortências atende 351 crianças de seis meses, com até três anos e 11 meses. A unidade recebe Berçário I, Berçário II, Maternal I e Maternal II.
Já a creche do bairro Luiz Pastorelli, a Creche Iara, recebe crianças no período de manhã e tarde. Um total de 290 alunos frequentam PRE I, PRE II e 1º Ano.
A assessoria de imprensa da prefeitura de Potirendaba informou em nota que obras estão sendo executadas de acordo com o cronograma do Governo.

Uchôa

Na cidade a novela da construção da creche do bairro São Miguel parece que está sendo escrito o final. A obra está em processo de finalização e o prefeito promete entregar a escola de ensino infantil no dia 21 deste mês.

Por várias vezes a Gazeta do Interior mostrou o atraso na obra e cobrou soluções imediatas da prefeitura da cidade. O contrato para a construção da creche que tem capacidade para até 130 alunos de 0 a 6 anos, foi assinado com a empresa Construtura Ruy Gomes LTDA no dia 9 de dezembro de 2010 pelo valor de R$ 621.587,49, já somados aos dois aditivos pedidos pelo prefeito.

Em maio do ano passado, o Ministério Público Federal (MPF) de São José do Rio Preto começou a investigar a obra de reforma do Ginásio de Esportes da cidade que no qual era reformado pela mesma construtora da creche. Segundo o prefeito José Cláudio Martins (PMDB), nada foi provado e o processo foi arquivado.

Claudio aproveitou para dizer que a construção de mais duas creches está em processo de licitação na cidade. Uma vai ser erguida no bairro Auto São Miguel e outra no bairro Jardim Tropical.

Cada uma vai custar R$ 2 milhões com recursos vindos do Governo Estadual. Elas também são de educação infantil, porém atenderão os alunos em período integral. Ambas tem capacidade para 130 crianças também de 0 a 6 anos.

Segundo a coordenadoria de educação da cidade, Uchôa hoje tem duas creches que atendem crianças de 0 a 3 anos, uma no bairro São Miguel e outra no Morumbi. A Associação de Assistência a Criança de Uchôa atende crianças de 2 e 3 anos. Ainda no município tem duas escolas de Educação de Infantil que recebe alunos de 4 a 5 anos em período integral.

Segundo levantamento da educação da cidade, até maio desse ano, 411 crianças estavam matriculadas nas creches da cidade. Uchôa, assim como várias outras cidades da região, felizmente não tem falta de vaga em creches, porém nunca é tarde para prevenir.

Tabapuã

No município a situação é ainda pior. A cidade que tem pouco mais de 12 mil habitantes tem apenas uma creche que atende 230 crianças de 0 a 6 anos. Segundo a coordenadoria de educação, o local está no limite de crianças.

A segunda que está pronta ainda não pode ser entregue por que falta contratar funcionários para trabalhar. Funcionários que só poderão ser admitidos depois do período eleitoral.

O problema é que a construção dessa escola pró-infância faz sete anos que está parada e até hoje ainda não foi entregue. Pelo convênio celebrado, a prefeitura arcaria com o valor de R$ 7 mil e o Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE) com R$ 700 mil, aproximadamente. Recentemente mais R$ 343 mil foram injetados para terminar a obra.

A escola que vai receber 250 crianças supriria a necessidade de vagas do município. Porém, a coordenadoria de educação afirma que mais uma creche deve ser construída em breve na cidade.

Em 2012, a justiça de Tabapuã chegou a bloquear os bens do então ex-prefeito de 2007, Jamil Seron, por descumprir o acordo firmado naquele ano com o FNDE. O laudo da justiça alegava que o projeto não tinha as dimensões mínimas exigidas pelo Fundo e alterações foram feitas sem autorização do mesmo.
A prefeitura de Tabapuã informou que ainda não há prazo definido para a entrega da unidade.

(Fotos: Luiz Aranha e Diogo De Maman/Gazeta do Interior)
(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de setembro de 2014)

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