Bady Bassitt vive onda de criminalidade; levantamento feito pela Gazeta mostra que em 30 dias, 15 comerciantes foram roubados

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Um levantamento feito pela Gazeta do Interior aponta que em menos de 30 dias, 15 comércios foram furtados ou assaltados em Bady Bassitt. A pesquisa foi feita ouvindo os próprios comerciantes, vítimas da violência na cidade.

Roubos e furtos praticados por adolescentes, bandidos especializados e em todos os casos, armados. O município que tem uma população estimada em 15 mil habitantes já vive uma onda de crimes que põe em risco a vida dos donos dos comércios, dos funcionários e também da população.

A falta de segurança na cidade já faz com comerciantes mudem rotinas de vida. Muitos deles estão tomando atitudes drásticas e medidas de segurança com custo alto para ganhar segurança. Segurança esta que é garantida pela constituição e que todos os cidadãos deveriam receber em troca, gratuitamente, mas que não é o caso na cidade.

No levantamento, do dia 20 de abril ao dia 20 de maio, 15 comerciantes do centro de Bady Bassitt foram vítimas de algum tipo de crime. Só na avenida Camilo de Moraes, a principal da cidade, duas farmácias foram roubadas e outros dois locais foram furtados. Isso tudo em apenas 13 dias.

A audácia e a capacidade dos criminosos passam dos limites. Na madrugada do dia 1º de maio ladrões derrubaram um pedaço da parede do mercado para furtarem. Eles pularam no lote ao lado do comércio e com a ajuda de uma marreta e uma peça para quebrar parede, eles passaram no meio de uma prateleira e entraram no comércio.

Para que vizinhos não ouvissem o barulho provocado, eles usaram o pedaço de uma mangueira de jardim que a comerciante Ivone Aparecida Taglianini guarda até hoje. “Eu fico impressionada com a capacidade deles passarem por um buraco de poucos centímetros e levaram tanta coisa. Acredito que seja adulto com participação de criança”, afirma.

Dentro do mercado os ladrões tomaram iogurtes, comeram produtos das prateleiras e não perdoaram nem o cofrinho de moedas do Hospital do Câncer de Barretos. Eles levaram ainda dinheiro e várias mercadorias.
21 horas do dia seguinte quando o dono de uma farmácia, há poucos metros do mercado encerra o expediente, dois criminosos armados e com os rostos cobertos rendem ele e pedem dinheiro. A ação que dura poucos minutos causa pânico e medo no homem que prefere não ser identificado. “Eles me trancaram em uma sala e levaram R$ 850 em dinheiro e um talão de cheques. Ainda eles foram bonzinhos que eu pedi para eles me deixarem os documentos e eles obedeceram”, fala o homem ironizando a ação.

O homem que está sozinho na farmácia só é libertado minutos depois com a chegada da esposa. “A cidade está nas mãos de bandidos”, finaliza.

Na mesma calçada, quatro dias depois, uma relojoaria que havia sido inaugurada há poucos dias leva R$ 15 mil de prejuízo. Dois bandidos arrombam a porta e levam dezenas de relógios, joias e outros objetos de valor.

Francisco Cesar Chiachio, dono do local, instalou grades de proteção na vitrine, mas já teme com um mocó que se forma ao lado do estabelecimento dele. “Fica difícil trabalhar dessa forma. Minha sorte é que minha mercadoria estava toda paga, mas agora vou ter que investir em segurança, pois aqui ao lado tem um comércio abandonado e que já é abrigo de usuários de drogas e moradores de rua”, diz.

O comerciante afirma ainda que vai instalar cerca elétrica na lateral da loja e colocar mais câmeras para tentar inibir a ação dos criminosos. O que ele espera é um apoio maior da polícia, pois o relógio que ele instalou na calçada, foi obrigado a retirar com medo de que ladrões levem. “Eu tenho vários itens de segurança e mesmo assim eles entraram, imagina quem não tem nada”, questiona o homem.

No dia 13 de abril, dois bandidos armados rendem a funcionária do caixa de outra farmácia da avenida, por volta das 20h30. A ação também foi no momento em que o comércio estava sendo fechado. Com os rostos cobertos, os ladrões exigiram todo o dinheiro do caixa e fugiram levando também os celulares dos funcionários.

Alan Anderson Semedo, um dos sócios do local, conta que está tomando medidas para tentar inibir a ação dos criminosos já que o poder público não tem feito muita coisa. “Nós comerciantes estamos nos reunindo para tentar achar uma solução. Contratar segurança particular ou fechar antes do horário será apenas algumas das medidas”, diz.

No dia 15 de maio uma padaria no bairro Água Limpa é roubada. Dois adolescentes armados com faca roubam o comércio e fogem levando o dinheiro do caixa. Poucos minutos depois a Polícia Militar da cidade identifica os dois menores em um carro e eles são apreendidos e agora eles estão à disposição da justiça.

No dia seguinte uma loja de informática do centro também é roubada. Ainda nesse período outros nove furtos foram contabilizados pela Gazeta na cidade.

Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) revelam que de janeiro a abril desse ano, 27 roubos e furtos foram praticados no município. Só no ano de 2013 inteiro, 149 registros desse tipo de crime foram contabilizadas pelo Estado.

A SSP informou em nota que não vai ter nenhum aumento de viaturas em Bady Bassitt e que a distribuição delas para cada município é feita de acordo com o aumento criminal da área.

Nossa produção questionou a prefeitura da cidade por que o município ainda não tem atividade delegada e Guarda Municipal. O prefeito, Edmur Pradela, disse que foi apresentado um projeto por outra administração para a implantação da Guarda Municipal na época, mas que foi rejeitado pela câmara.

Quanto ao convênio da atividade delegada, o assessor jurídico da cidade, Angelo Biazi disse que tem convênio com o Estado, já está assinado e aguarda decisão da Secretaria de Segurança Pública.

Questionado sobre o alto índice de violência na cidade, Edmur disse que está tomando as providências. “Estamos tomando as medidas para solucionar, mas o que desanima é que custa tão cara para o município manter polícia e guardas na rua, sendo que as leis não são rígidas. Sendo assim é melhor deixar o bandido na rua, para que vou gastar”, questiona o prefeito.

O vereador, Nilzo Eduardo Barison, protocolou no início do mês de maio um requerimento cobrando explicações da prefeitura o motivo de ainda não ter Guarda Municipal em Bady Bassitt, mas até hoje não obteve resposta.

(Fotos: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)
(Matéria publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de junho de 2014)

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