Aumento no número de casos de sífilis entre jovens em Potirendaba preocupa autoridades de saúde

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Uma doença silenciosa que se não tratada pode até levar à morte. A sífilis, uma doença sexualmente transmissível, não tem vacina, mas a prevenção e principalmente a conscientização ainda são os melhores remédios.

Um levantamento feito pela Gazeta do Interior aponta números alarmantes em Potirendaba e ascende um alerta. As estatísticas da doença que não param de aumentar tem incidido, cada vez mais, em jovens.

A sífilis é causada por uma bactéria que é geralmente transmitida via contato sexual e que entra no corpo por meio de pequenos cortes presentes na pele ou por membranas mucosas. Ela é uma das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) mais comuns do mundo e que os últimos tempos não tem se dado a atenção necessária.

A coordenadora de saúde de Potirendaba, Sarah Bossolo, acredita que, além da diminuição da conscientização dos últimos anos, por causa dos tratamentos para as inúmeras doenças, os jovens, principalmente, têm deixado de se preocuparem com a doença.

“É uma doença grave como qualquer outra, pois ela pode matar. É muito importante o diagnóstico precoce, pois o tratamento evolui mais rapadamente. O que pode ter ocorrido é a banalização do tema, onde as pessoas acham que porque tem cura, não precisa se prevenir”, explica.

Sarah fala ainda que se o paciente desconfiar que seja portador da doença, ele deve entrar em contato com o Posto de Saúde mais próximo de sua casa, onde é recepcionado por uma enfermeira, em um acolhimento individual e no mais absoluto sigiloso.

“Após a verificação de sinais e sintomas, a enfermeira realiza imediatamente o teste rápido, onde este tem por objetivo identificar precocemente casos reagentes de doença. Caso o resultado seja positivo, o paciente é encaminhado à consulta ginecológica ou clínica, onde serão solicitados novos exames de sangue confirmatório, onde imediatamente já recebe medicação para tratamento da doença”, explica.

Outro ponto importante, de acordo com Sarah, é a busca dos parceiros sexuais, onde é realizado o mesmo procedimento citado acima. “É muito importante que se faça o mesmo procedimento nos parceiros, realizado orientações de cuidados e prevenção e distribuição de preservativos, a fim de conscientizar a importância prevenção”.

Estima-se que, a cada ano, ocorram 12 milhões de novos casos de sífilis no mundo, de acordo com dados recentes da Organização Mundial de Saúde. Apesar de curável, a doença requer cuidados e atenção.

Transmitida sexualmente, verticalmente – ou seja, da mãe para o para o feto durante a gestação, ou por contato com sangue contaminado, ela é responsável por 29% de óbitos perinatal, 11% de óbitos neonatais e 26% de natimortos.

Em Potirendaba, 11 pessoas foram infectadas com a doença no ano passado. A maior preocupação está no grupo de jovens de 15 aos 18 anos, onde foram três casos.

Este ano os números são ainda maiores. Foram três casos em jovens de 17 aos 23 anos e cinco casos entre jovens de 24 aos 28 anos. De janeiro até o último dia 11 deste mês, a cidade já contabilizava 20 casos da doença.

Em Tabapuã a preocupação é com os idosos. Ano passado foram registrados dois casos, sendo um em uma pessoa de 37 anos e outra de 39 anos. Já este ano já são cinco casos, mas em pessoas com idades que variam de 23 a até 70 anos.

“Temos levantado no cadastro familiar que os idosos saem com meninas mais novas, muitas delas usuárias de drogas que praticam sexo por dinheiro, e acabam infectando eles. Aí eles praticam relação com as esposas que não sabem que o marido tem uma relação extra conjugal e os dois se contaminam”, explica a coordenadora de saúde de Tabapuã, Karyna Camillo Pinto Iglesias.

Uma jovem de 18 anos de Potirendaba e que prefere não se identificar, fala que não sabe como contraiu a doença, pois teve relações com alguns parceiros sem proteção e outros com proteção. “Eu na verdade nunca dei tanta importância para doença nenhuma sexualmente transmissível. Isso é até a hora que você descobre que está com a doença. O tratamento é super discreto e os funcionários tratam a gente super bem, mas a sensação é de que você é a pessoa mais suja do mundo e não desejo isso para ninguém, é horrível,” fala.

No dia 17 do mês que vem é celebrado, em todo o Brasil, o Dia Nacional de Combate à Sífilis. A conscientização é a melhor maneira de prevenir e tratar a enfermidade, que, muitas vezes, ataca o organismo do infectado de maneira silenciosa.

Uma das preocupações das coordenadorias de saúde destas cidades é a que a sífilis, assim como outras DST’s, é uma doença congênita, que é quando é passada de mãe para filho. Só ano passado, Potirendaba teve dois casos desse tipo da doença. “Isso infelizmente também dificulta nosso trabalho e por isso que o exame é feito a cada trimestre nas gestantes”, destaca a coordenadora Karyna.

A doença se manifesta, geralmente, em três estágios diferentes: sífilis primária, secundária e terciária. Nos dois primeiros, os sintomas são mais evidentes e o risco de transmissão é maior. Depois, há um período praticamente assintomático, em que a bactéria fica latente no organismo, mas a doença retorna com agressividade.

A lesão inicial da sífilis (forma primária) caracteriza-se pelo surgimento de uma ferida (úlcera), no local de inoculação, o qual depende das práticas sexuais do indivíduo. Uma vez curada, a sífilis não pode reaparecer – a não ser que a pessoa seja reinfectada por alguém que esteja contaminado.

“Sexo agora vai ser só com proteção, foi uma lição para eu ter aprendido”, desabafa a jovem que preferiu que não fosse identificada.

(Reportagem publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de setembro de 2017 – Seja um assinante e receba conteúdo exclusivo como este, antes de todos leitores!)
(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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