Atraso de obras na entrada de Bady Bassitt é por irregularidades na prestação de contas, diz Estado

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A irregularidade na prestação de contas pela prefeitura de Bady Bassitt é um dos motivos no atraso nas obras na entrada da cidade. A recuperação do trecho que está abandonada há vários meses é executada por uma das empresas do Grupo Scamatti, envolvido no escândalo da Máfia do Asfalto em 2013.

A verba de R$ 1,9 milhões é um convênio repassado pelo governo do Estado e, segundo levantamento feito pela Gazeta do Interior, apenas a primeira parcela do valor foi repassada até agora. O motivo, segundo a Secretaria Estadual do Desenvolvimento Regional, é porque foram detectadas irregularidades na prestação de contas feita pelo município.

De acordo com o órgão, a primeira parcela no valor de R$ 350 mil foi liberada no dia 05/07/2018. Mais de um ano depois, as outras duas parcelas no valor de R$ 780 mil cada, ainda não foram liberadas.

A explicação, segundo nota da própria Secretaria, seria porque a documentação para a liberação da segunda parcela está sendo analisada e que os documentos enviados anteriormente estavam incompletos. Trecho da nota afirma que a terceira parcela só será liberada após a prestação de contas da segunda parcela e a comprovação da execução de 100% das obras.

De acordo com a placa fixada na entrada o município, a obra começou em 25/06/2018 e a previsão era de que ficaria pronta seis meses depois. Um ano e três meses depois, a obra que custou R$ 1.895.688,58 está abandonada.

A recuperação do trecho de um quilômetro é feita pela empresa Noromix e está sendo realizada do portal de entrada da cidade até o trevo da acesso à rodovia BR-153. A via é o prolongamento da rodovia Maurício Goulart (SP-355) que segue para Nova Aliança.

A via, como a Gazeta já mostrou várias vezes, é de grande intensidade de fluxo de veículos leves e pesados, já que, além dos moradores de Bady Bassitt, motoristas de Nova Aliança, Mendonça e Potirendaba também utilizam o trecho.

Nossa reportagem mostrou em julho deste ano que o atraso da recuperação do trecho de um quilômetro tem provocado irritação em motoristas que trafegam pelo local. O trânsito para quem entra e sai da cidade segue pela faixa de rolamento antiga, onde o asfalto é bastante danificado, com ondulações, buracos e sem nenhum tipo de sinalização.

Quem trafega pela via reclama, pois, além da lentidão das obras, os motoristas tem de conviver com o congestionamento diário. Em um posto de combustíveis, o trânsito passa pelo pátio do comércio, onde, além de danificar o piso, coloca em risco a vida de quem trabalha e frequenta o local.

“Isso aqui está uma bomba relógio. Como que o trânsito pode ser desviado para dentro de um posto de combustíveis. Aqui passa caminhões pesados, carregados com vários produtos, muitos deles perigosos e que coloca todos nós em risco aqui”, comenta um dos frentistas que prefere não ser identificado.

Além dos motoristas, comerciantes que trabalham ao lado da rodovia também reclamam, pois além dos transtornos, prejuízos já estão sendo contabilizados por causa do atraso das obras. Silvana de Souza Gubolini diz que está cansada de perder clientes.

“Nosso movimento caiu uns 30% nos últimos meses, pois a pessoa pensa duas vezes antes de tirar o carro da garagem e vir até aqui. Além de não ter onde estacionar, porque está um transtorno sem fim, o cliente evita ao máximo passar por este trecho, só em última necessidade mesmo”, diz.

O estudante de medicina veterinária, Gabriel Henrique Ferraz, já é uma das vítimas do descaso da prefeitura. No último mês ele perdeu o controle da moto e acabou caindo nos buracos da via quando ia de moto para a faculdade.

“Eu só não quebrei o braço porque quando eu caí eu me joguei de lado e a mochila nas minhas costas amorteceu a queda, se não, além de ficar impossibilitado de trabalhar, eu seria prejudicado na faculdade também. Mesmo assim eu tive vários ferimentos pelo corpo e quebrei a minha moto”, relata.

Gabriel conta ainda que já registrou boletim de ocorrência e que vai ingressar com ação no Ministério Público contra o município. O caso dele é apenas um dos inúmeros exemplos de pessoas que já tiveram algum tipo de problema com local.

No ano passado nossa reportagem mostrou a quantidade de motoristas que tiveram sérios prejuízos com rodas entortadas e pneus estourados no local devido aos inúmeros buracos do trecho.

A primeira empresa contratada para realizar o serviço abandonou a obra e a segunda colocada, a Noromix Engenharia, então foi quem assumiu os serviços. Nossa reportagem entrou em contato com o departamento de licitação para saber a data e o motivo do abandono, mas a funcionária pediu para retornar dez minutos depois, porém não atendeu mais nossas ligações.

A Gazeta apurou que a empresa Noromix, é uma das empresas pertencentes ao Grupo Scamatti, envolvido na “Máfia do Asfalto”, em julho de 2013. O esquema foi deflagrado após cinco anos de investigações do Ministério Público, Gaeco, Polícia Federal e Ministério Público Federal.

A Operação Fratelli trouxe à tona o funcionamento de um dos maiores esquemas de corrupção da história da região que desviou mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos. Empresas pertencentes ao Grupo Scamatti com base em Votuporanga (SP) simulavam licitações para abocanhar contratos de recapeamento e pavimentação.

(Reportagem publicada na edição impressa da Gazeta do Interior do mês de agosto de 2019)
(Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior)

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