As vantagens de ser brasileiro

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Por: Eric Carvalho

Sempre acreditei que o futebol serve, e muito, para explicar as coisas da vida e do mundo. Mundo que, todos sabem, gira sem parar. Um dia você está embaixo, outro dia em cima, apesar de parecer muitas vezes que a gente está sempre na parte de baixo, né? Só que não. Em algumas oportunidades, quem parece ser soberano, não tem toda essa moral.

Isso nos mostrou o planeta bola nas últimas semanas. Quando falamos em futebol evoluído, grandes craques e milhões de euros, certamente nos lembramos do Campeonato Espanhol. O Barcelona foi nos últimos anos o grande exemplo de como uma equipe deve atuar dentro de campo. Já o Real Madrid é uma seleção mundial com nomes caríssimos, como Cristiano Ronaldo, Ozil e o reserva Kaká.

Mas os milhões e a habilidade não foram páreo para um passeio dos times alemães nas semifinais da Copa dos Campeões da Europa. O Barça pareceu o XV de Piracicaba contra o Bayern de Munique, levou de três e de quatro a zero. Foram partidas de uma equipe só. Tudo bem que Messi não estava, mas não acredito que o cenário seria tão diferente.

O Real enfrentou uma das equipes mais baratas da competição, o Borussia Dortmund, e levou outro vareio fenomenal. E aí? Cadê os poderosos? Você, leitor, saberia explicar porque isso acontece?

É, pode haver várias explicações. Mas uma constatação pode ser feita. Quando falei sobre o campeonato espanhol apareceram apenas dois nomes, Real e Barça. E os outros? Os outros 18 times do Espanholzão não passam de equipes medianas, com investimentos até altos, mas sem qualidade. O que deixa a competição em si, chata e monótona.

Para se ter uma ideia, nos últimos nove anos, só os dois principais times foram campeões nacionais na terra da paella, o que deixa o desequilíbrio evidente. O que isso causa, leitor? Sem pressão, as coisas tendem a crescer muito pouco.

Essa realidade não é vista na Alemanha. No mesmo período foram cinco campeões nacionais diferentes naquele país. Lá não se investe tanto em estrelas internacionais e se tem uma grande competitividade. Enquanto os espanhóis jogam quase o ano todo em médio e baixo nível, os times da terra da cerveja atuam em alta competitividade, e acredito que isso tenha feito toda a diferença nas semifinais da Copa dos Campeões.

Para você que gosta de futebol, te convido a assistir uma partida do Alemão, você não vai se arrepender. Parece muito com o campeonato brasileiro. E é nesse ponto que queria chegar. Não se iluda muito com os torneios europeus. Lá é tudo mais bonito? É. Tudo mais rico? Sim. Mas a competitividade do Brasileirão é inigualável.

Então, quando pensar em dar glórias aos europeus, vamos lembrar que temos, no mínimo, 12 equipes que podem se tornar campeãs nacionais. E assim cada Brasileirão começa sem sabermos direito quem vai levar o título. Já pensou como seria chato se só dois times pudessem ganhar?

O futebol brasileiro ainda precisa de ajustes seríssimos quanto à estrutura e ao planejamento, mas agradeça amante do futebol, afinal, quanto mais disputado, mais bonito o esporte. E mesmo que não tenhamos Messi e Cristiano Ronaldo, temos a rivalidade e a nossa essência de país do futebol. A seleção está mal? E daí? Vamos ver a Copa das Confederações. Bom copa a todos!

(Foto: Divulgação)

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