EXCLUSIVO: Animais com suspeita de raiva são transportados em ambulância até São Paulo junto com pacientes de Tabapuã

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Jonas Garcia

jonas@gazetainterior.com.br

Uma paciente da cidade de Tabapuã foi transportada, na última semana, até a capital Paulista (aproximadamente 413 km) juntamente com o cérebro de um gato e um morcego que supostamente estariam com o vírus da raiva.

Vilma Francisca da Silveira de Toledo, (39), foi transportada de Tabapuã até a cidade de São Paulo com a filha de 17 anos que é portadora de necessidades especiais. A jovem está com uma sonda de gastrostomia e viajou na ambulância ao lado da caixa de isopor.

Dentro estava o cérebro de um gato e um morcego que deveriam ser levados a um laboratório para fazer exames se os animais tinham ou não raiva. Quando retornou à Tabapuã, a mãe da menina denunciou o caso à polícia e registrou boletim de ocorrência.

Nas fotos acima, tiradas por Vilma com o celular, o laudo da Secretaria Municipal de Vigilância Sanitária de Tabapuã confirma a versão contada no boletim de ocorrência – “Contém um gato com suspeita de raiva” e “Contém os dados do morcego com suspeita de raiva”.

A adolescente tem uma rara doença que causa lesões cerebrais como consequência do acumulo de bilirrubina no cérebro, nomeada Kernicterus. Entre os sintomas que podem levar a morte, estão o retardo mental, paralisia cerebral, surdez e espasmos musculares no pescoço e costas, provocando uma curvatura para trás.

Vilma conta que essa não é a primeira vez que ela e a filha são transportadas em uma ambulância que não estava adequada às normas de segurança padronizadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (A.B.N.T.). “Em outra vez, para sermos transportadas, a maca da ambulância teve que ficar em casa, senão não caberia. Fomos até São Paulo sem tubo de oxigênio e vários outros equipamentos”, conta a mãe.

A reportagem procurou a Vigilância Sanitária do município e segundo o responsável José Aparecido Bortolossi, (48), todos os animais que são encontrados mortos na cidade têm seus cérebros retirados e são enviados para São Paulo para análise do motivo da morte do animal.

“Nossa parte é levar o animal até o veterinário que retira o cérebro, empacota e o congela para o transporte”, disse o responsável, que afirma que o laudo apontou que o cérebro que estava na ambulância não tinha o vírus da raiva.

Ao ser questionado pela Gazeta, o secretário municipal de saúde, Fabiano Peres Gandolfo, afirmou que realmente a secretaria errou, mas que prefere não se manifestar sobre o assunto.

“Se isso aconteceu comigo e com minha filha que tem necessidades especiais, imagina quantas vezes isso pode ter acontecido com outras pessoas?”, questiona Vilma.

(Fotos: Reprodução celular da vítima)

 

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